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Oswald de Andrade

Poeta, escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro

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José Oswald de Sousa de Andrade, apelidado de Oswald de Andrade, (São Paulo, 11 de janeiro de 1890 – São Paulo, 22 de outubro de 1954) foi um poeta, escritor, advogado, ensaísta e dramaturgo brasileiro. Figura-chave do modernismo no Brasil, escreveu o Manifesto da Poesia Pau-Brasil e o Manifesto Antropófago.

Era filho único de José Oswald Nogueira de Andrade e de Inês Henriqueta Inglês de Sousa de Andrade (irmã do escritor Inglês de Sousa). Formou-se em Direito no Largo São Francisco em 1919.

Foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna que ocorreu em 1922 na cidade de São Paulo, tornando-se um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro. Ficou conhecido pelo seu temperamento "irreverente e combativo", sendo o mais inovador entre estes. Colaborou na revista Contemporânea (1915-1926). De 1926 a 1929, foi casado com Tarsila do Amaral; e, de 1930 a 1935, com Pagu.

Em 11 de janeiro de 1890 nasceu, em São Paulo, José Oswald de Sousa de Andrade, sendo sobrinho do escritor (por parte materna) e membro da Academia Brasileira de Letras, Inglês de Sousa.

Iniciou seus estudos, em 1900, na Escola Modelo Caetano de Campos. Em 1901, ingressa no Ginásio Nossa Senhora do Carmo. De 1903 a 1908 estudou no Colégio São Bento, onde concluiu seus estudos com o diploma de bacharel em humanidades. Em 1909 iniciou carreira no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, assinando a coluna Teatro e Salões. Iniciava assim a carreira jornalística que, salvo alguns momentos de exceção, fez parte de toda sua vida. No mesmo ano, ingressou na Faculdade de Direito, na qual logo se decepcionou com os estudantes veteranos e a violência do trote que realizavam.

Conheceu o Rio de Janeiro em 1910, onde ficou hospedado na residência de seu tio avô, o escritor Inglês de Sousa. Em uma das viagens à cidade, Oswald presenciou as movimentações nas ruas durante a Revolta da Chibata, evento que registrou posteriormente de diversas formas em Marco Zero II. No ano seguinte, passou a frequentar o círculo boêmio do poeta Emílio de Menezes, que contava com a presença de escritores importantes como João do Rio, Olegário Mariano e Olavo Bilac. Apesar de ter se entusiasmado pelo poeta líder do grupo, Oswald depois perdeu o interesse e até o criticou em Serafim Ponte Grande e entrou em atrito com Olegário Mariano. Com relação a João do Rio, Oswald continuou admirando seus contos por ter um estilo decadista que se distanciava de Olavo Bilac e Coelho Neto, o que o tornava um dos poucos escritores que propunha uma renovação literária nacional alinhada às tendências europeias da época.

Em 1911 deixou o Diário Popular e, com a ajuda financeira de seus pais, fundou O Pirralho, um periódico semanal satírico que tratava de assuntos como política, literatura e crônicas sociais e que circulou até 1917. Alguns dos textos tratam de mudanças que a cidade de São Paulo passavam, tais como a entrada de novos imigrantes e a mistura cultural e linguística proporcionada por eles. Uma das colunas criadas, As Cartas d'Abax'o Piques, que era escrita em linguagem paródica, passou a ser escrita em dialeto ítalo-paulista por Juó Bananère, renomeando-a para O Rigalegio, Organo Indipendento do Abax'o Pigues i do Bó Retiro. Outras figuras relevantes para o cenário intelectual da época também participaram da redação inicial do periódico, como Amadeu Amaral, Paulo Setúbal e Cornélio Pires.

Como sua família tinha condições financeiras estáveis, Oswald decide viajar para a Europa em 1912, onde visitou vários países: Itália, Alemanha, Bélgica, Inglaterra, França e Espanha. Em uma viagem a Paris, conheceu uma jovem estudante francesa, Henriette Denise Boufflers, a quem passa a chamar carinhosamente de Kamiá, que se tornou seu par durante a viagem.

Ao retornar para o Brasil em setembro do mesmo ano, acompanhado de Kamiá, Oswald descobre que sua mãe morreu em 13 de setembro, considerando essa data o momento que ocorreu seu "dissídio com Deus". Retoma as atividades em O Pirralho, atraído mais pela produção literária depois de ter tido contato com a poesia de Paul Fort e com o Manifesto Futurista de Filippo Tomaso Marinetti. A nova etapa d'O Pirralho passa a incluir nomes como Guilherme de Almeida, Pedro Rodrigues de Almeida, Antônio Define e Ignácio da Costa Ferreira, além de Emílio de Menezes que contribuía como sempre com versos mordazes.

Em 1914 nasceu o filho do casal, José Oswald Antônio Boufflers de Andrade, apelidado de Nonê. A partir de então, o casamento se desestabilizou com o ciúmes de Kamiá e a descoberta da traição de Oswald com a jovem bailarina Carmen Lydia, que acabou em 1915 após uma série de desentendimentos. Kamiá se separou de Oswald, mas continuaram morando junto com Nonê na mesma casa de José Oswald, localizada na Rua Augusta.

Em 1917 Oswald interrompe a publicação de O Pirralho, enquanto contribuía para o Jornal do Commercio e para A Gazeta de Casper Líbero. No mesmo ano, alugou uma garçonnière, uma espécie de apartamento pequeno dedicado a encontros, na Rua Líbero Badaró, a qual era frequentada por diversos amigos, dentre os mais famosos sendo Guilherme de Almeida, Pedro Rodrigues de Almeida, Leo Vaz, Inácio da Costa Ferreira (cujo pseudônimo era Ferrignac), Monteiro Lobato, Menotti del Picchia, Edmundo Amaral, Sarti Prado e Vicente Rao. Também era frequentada por uma estudante normalista da Escola Caetano de Campos chamada Maria de Lourdes Castro Pontes, mais conhecida pelos apelidos de "Deisi", "Miss Cyclone" e "Tufão". Por ser prima da professora de piano de Kamiá, Deisi, que tinha entre 16 e 17 anos, foi apresentada a Oswald em uma das visitas à sua casa, com quem passou a viver um romance.

O grupo da garçonnière escrevia um diário coletivo chamado O perfeito cozinheiro das almas deste mundo, um caderno de duzentas páginas que continham desabafos, recados, xingamentos, declarações, brincadeiras e diálogos, além de desenhos e caricaturas de todos que visitavam a garçonnière. Oswald assinava suas anotações com o pseudônimo de "Garoa", "Irmão Garoa" e "Miramar", sendo este último o nome que o escritor deu posteriormente ao protagonista de Memórias Sentimentais de João Miramar. Escrito de 30 de maio de 1918 a 12 de outubro de 1919, o diário revela o fascínio que Deisi provocava nos colegas, principalmente em Pedro Rodrigues e Oswald, razão pela qual Oswald não hesitava em demonstrar ciúmes. Mas Deisi também era admirada pela sua escrita ágil, marcada por um tom irônico e por trocadilhos, em um estilo que transitava do decadentismo ao que hoje é conhecido como moderno.

O romance de Oswald com Deisi passou por algumas dificuldades até seu fim. Em 18 de agosto de 1918, Deisi escreveu uma carta a Oswald informando que fora obrigada a sair da casa da tia por não estar frequentando regularmente a escola, mudando-se para Cravinhos, onde ficou um tempo sem dar notícias ao grupo da garçonnière. Após um tempo combalida pela gripe espanhola, Deisi dá sinais de ânimo em outra carta enviada a Oswald datada de 30 de outubro. Com sua recuperação em fins de 1918, Oswald decide se casar com ela e a convida para morar em uma casa em São Paulo, o que é aceito pela estudante, que leva a avó junto. Mas as saídas de Deisi eram malvistas pelo meio provinciano com sua moral rígida, o que levou Oswald a desconfiar de possíveis casos de traição. Dessa forma, quando Deisi anunciou estar grávida, o casal decidiu abortar. Para isso, Oswald contratou a mesma parteira que ajudou Kamiá a parir Nonê para realizar o aborto. A saúde frágil de Deisi ficou ainda mais agravada por uma hemorragia em decorrência do aborto feito em condições precárias, chegando a ser internada na Casa de Saúde Matarazzo, onde teve complicações e foi acometida por uma tuberculose. Diante da possibilidade do falecimento de Deisi, Oswald decidiu se casar com ela in extremis em 11 de agosto de 1919, o que foi testemunhado por Guilherme de Almeida, Monteiro Lobato e Inácio da Costa Ferreira. Treze dias depois, Deisi morreu e foi enterrada no Cemitério da Consolação.

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