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Otávio Augusto

Ator brasileiro

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Otávio Augusto de Azevedo Sousa (São Manuel, 30 de janeiro de 1945), é um ator, comediante, sindicalista e diretor brasileiro. Augusto iniciou sua carreira nos palcos, com destaque para produções do Teatro Oficina na década de 1960, e logo tornou-se reconhecido como ator. Ele já recebeu diversos prêmios ao longo dos anos, incluindo quatro Prêmios APCA, um Prêmio Guarani, dois Prêmios Qualidade Brasil e um Prêmio Shell, além de ter recebido indicação para um Grande Otelo.

Augusto fez sua estreia profissional no teatro na peça Os Inimigos, em 1966, com o dramaturgo José Celso Martinez, que o convidou para integrar o Oficina. Na década de 1960, integrou diversas produções teatrais da companhia e em seguida lançou-se em carreira individual. Inicialmente, ficou marcado por papéis de humor popular, mas foi tornando-se um ator "excepcionalmente versátil", com "uma notável facilidade de composição e precisão de expressão corporal e facial, além de uma real vocação para o teatro musicado".

Fez sua estreia na televisão em 1965 na telenovela Turbilhão, da TV Record, logo como protagonista. Tornou-se popular na televisão por seus diversos personagens, de vilões a mocinhos, tendo atuado em mais de quarenta e cinco telenovelas. Entre seus trabalhos mais marcantes, estão Terras do Sem-Fim (1981), Selva de Pedra (1986), Tieta (1989), Fera Ferida (1993), A Próxima Vítima (1995), Por Amor (1997), A Padroeira (2001), Cabocla (2004), Três Irmãs (2008), Avenida Brasil (2012), Alto Astral (2014) e Salve-se Quem Puder (2020).

Otávio Augusto de Azevedo Sousa nasceu no município de São Manuel, no interior de São Paulo, em 30 de janeiro de 1945. Permaneceu na cidade até os 14 anos de idade, quando mudou-se para São Paulo capital. Em sua adolescência, trabalhou na Rádio São Paulo, onde atuou em radionovelas, como O Herói do Sertão interpretando Jerônimo. Ainda na rádio, trabalhou na Rádio Record em um um programa com o sambista paulistano Adoniran Barbosa, chamado História das Malocas.

Ainda na década de 1960, estreou no teatro onde se consolidou como ator. Em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde reside atualmente. Uma atividade paralela muito importante na carreira de Otávio Augusto é a de líder sindical. Ele foi presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro (Sated-RJ) de 1975 a 1978 e de 1985 a 1988. Por esse trabalho, recebeu o Prêmio Estácio de Sá, concedido pelo governo do estado. Após o fim dos mandatos, continuou participando da diretoria do sindicato.

Teatro Oficina e primeiros trabalhos (1963—1974)

Inicia sua trajetória em São Paulo, no começo da década de 1960, trabalhando em rádio, dublagem e teatro amador. Entra profissionalmente no teatro participando de importantes espetáculos do teatro paulista, muitos deles no Teatro Oficina. Entre eles estão Os Inimigos, de Máximo Gorki, dirigido por José Celso Martinez Corrêa, em 1966. Conhecendo Zé Celso, entrou oficialmente para o grupo de teatro paulistano do Teatro Oficina, importante grupo teatral de São Paulo. O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, em 1967, no qual se destaca no papel de Perdigoto; e, no mesmo ano, Marat-Sade, de Peter Weiss, no Teatro da Esquina, sob direção de Ademar Guerra. Em 1968, atua em Poder Negro, de LeRoi Jones, no Teatro Oficina, trabalhando também como assistente de direção.

Em 1965, fez sua estreia na televisão com a novela Turbilhão, na TV Record, como o protagonista Lúcio Pontes, um boêmio que tem a vida virada do avesso ao assumir a guarda de seis sobrinhos após a morte de sua irmã e o cunhado e precisa da ajuda de uma babá, interpretada por Gilmara Sanches, por quem se apaixona. No ano seguinte, transferiu-se para a TV Excelsior para atuar na telenovela Anjo Marcado, escrita por Ivani Ribeiro, a qual era toda contada por meio de flashbacks após o desaparecimento da protagonista.

Em 1967, é contratado pela TV Bandeirantes para o elenco principal da telenovela Os Miseráveis, adaptação de Walther Negrão do clássico homônimo, onde interpretou o inspetor Javert, um homem cego pela lei e pela ordem que dedica a sua vida a combater o crime e a perseguir criminosos. Em 1969, entrou para o elenco da TV Tupi, onde interpretou importantes personagens nas telenovelas Super Plá (1969), como Silas, e Tempo de Viver (1972), como Tony.

Após anos no Teatro Oficina, Otávio afastou-se do grupo, indo para trabalhar em outras peças como ator independente. Esteve em uma montagem de Hamlet, em 1969, do dramaturgo britânico William Shakespeare, dirigido por Flávio Rangel. Concomitantemente, estreou nas telonas em 1970 no filme A Guerra dos Pelados como Ricarte. No ano seguinte, viveu um advogado em O Capitão Bandeira contra o Dr. Moura Brasil e um miliciano em Prata Palomares. Em 1972, atuou no longa A Viúva Virgem como um cineasta e, logo em seguida, atuou como Vavá em Vai Trabalhar, Vagabundo! e como Bruno em A Filha de Madame Betina. Em 1973, fez sua estreia na TV Globo em uma participação especial na telenovela Os Ossos do Barão. Em 1974, encarnou na pele de João Silva em Relatório de um Homem Casado e, posteriormente, deu vida a um assassino em A Extorsão e esteve no elenco de Deixa Amorzinho... Deixa.

Reconhecimento internacional no cinema (1975—1984)

Em 1975, Augusto interpreta o jornalista Horácio Bastos na telenovela Escalada, de Lauro César Muniz, sendo um dos amigos do protagonista Antônio (interpretado por Tarcísio Meira). Ainda realiza participações especiais em O Grito, de Jorge Andrade, interpretando Henrique, falecido marido de Marta (Glória Menezes) que aparece em flashbacks de suas memórias. Em 1976, fez uma participação especial no filme O Vampiro de Copacabana como Luis; e, esteve em cartaz no filme As Desquitadas em Lua-De-Mel e Noite sem Homem como Benvindo.

Em 1977, obteve maior reconhecimento no cinema ao estrelar com Norma Bengell e Cristina Pereira o filme Mar de Rosas, dirigido por Ana Carolina, onde interpretou Orlando Barde. Seu personagem é um homem que se passa de protetor Felicidade (Bengell) e Betinha (Pereira) mas na verdade é um capanga do ex-marido de Felicidade que ela acredita ter matado. O filme recebeu aclamação crítica e a atuação de Augusto foi destacada, rendendo a ele o Prêmio APCA de Melhor Ator de Cinema e o troféu de melhor interpretação masculina no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá.

Entre 1977 e 1980, Otávio participou dos programas humorísticos Os Trapalhões e Chico City, na TV Globo, interpretando diversos personagens. Em 1978, esteve no elenco de Assim Era a Pornochanchada e O Coronel e o Lobisomem como Baltazar. Ainda em 78, ao lado de Marieta Severo e Elba Ramalho, encenou a peça Ópera do Malandro escrita pelo compositor Chico Buarque. Em 1979, recebe o Troféu Candango de Melhor Ator no Festival de Cinema de Brasília pelo filme Muito Prazer, de David Neves, interpretando o arquiteto Ivan.

No início da década de 1980, participou dos longas O Torturador; Terror e Êxtase como Tatuzinho; Mulher Sensual como um jornalista, além de fazer participação especial em O Fruto do Amor. Retornou às telenovelas em Coração Alado, em 1980, no papel do advogado Dr. Fábio Brazão, que representava a família Pitanga e a família Karany, núcleos centrais da trama, em assuntos legais. Foi escalado para o elenco fixo na telenovela subsequente no horário nobre, Baila Comigo, escrita por Manoel Carlos, para o papel de Mauro Leme, um homem alcoólatra que tem ciúmes doentio de sua esposa, Paula (Susana Vieira), que os fazem se separar mesmo morando na mesma casa.

Em 1981, atuou no drama policial O Sequestro, dirigido por Victor di Mello, como Maurílio, e, no ano seguinte, esteve no elenco de mais duas telenovelas: Terras do Sem Fim, na pele do extravagante Juca Badaró, um dos importantes integrantes da luta política que cerca a trama da novela, e, em seguida, Sétimo Sentido, interpretando o executivo ambicioso Jorge Palmeira, que se casa com Sandra (Natália do Valle) por interesse nos negócios de sua família. Em 1982, esteve no elenco de Dôra Doralina e Insônia. Logo em seguida, atuou em Amor Estranho Amor como Doutor Itamar, foi um representante de bebidas em Profissão Mulher e encarnou João em Um Casal a Três.

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