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Pacto de Varsóvia

Aliança militar do Leste Europeu (1955–1991)

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A Organização do Tratado de Varsóvia (OTV), oficialmente o Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua, comumente conhecido como Pacto de Varsóvia (PV), foi uma aliança militar assinada em Varsóvia, Polônia, entre a União Soviética e sete outras repúblicas socialistas do Bloco Oriental da Europa Central e Oriental em maio de 1955, durante a Guerra Fria. O Pacto de Varsóvia foi o complemento militar do Conselho para Assistência Econômica Mútua (CoMEcon), a organização econômica regional dos Estados socialistas europeus. O acordo foi criado em reação à integração da Alemanha Ocidental na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 1955, conforme as Conferências de Londres e Paris de 1954.

Dominado pela União Soviética, o Pacto de Varsóvia foi estabelecido como um equilíbrio de poder ou contrapeso à OTAN. Não houve confronto militar direto entre as duas organizações; em vez disso, o conflito foi travado numa base ideológica e em guerras por procuração. Tanto a OTAN como o Pacto de Varsóvia levaram à expansão das forças militares e à sua integração nos respectivos blocos. Seu maior envolvimento militar foi a invasão da Tchecoslováquia pelo Pacto de Varsóvia em agosto de 1968 (com a participação de todas as nações do Pacto, exceto Albânia e Romênia), que, em parte, resultou na retirada da Albânia do Pacto menos de um mês depois. O Pacto começou a se desfazer com a propagação das Revoluções de 1989 pelo Bloco Oriental, começando com o Movimento Solidariedade na Polônia, seu sucesso eleitoral em junho de 1989 e o Piquenique Pan-Europeu em agosto de 1989.

A Alemanha Oriental retirou-se do Pacto após a reunificação alemã em 1990. Em 25 de fevereiro de 1991, em uma reunião na Hungria, o Pacto foi declarado encerrado pelos ministros da Defesa e das Relações Exteriores dos seis estados membros restantes. A própria URSS foi dissolvida em dezembro de 1991, embora a maioria das ex-repúblicas soviéticas tenham formado a Organização do Tratado de Segurança Coletiva pouco depois. Nos 20 anos seguintes, os países do Pacto de Varsóvia fora da URSS aderiram à OTAN (Alemanha Oriental por meio de sua reunificação com a Alemanha Ocidental; e a República Tcheca e a Eslováquia como países separados), assim como os Estados bálticos que faziam parte da União Soviética.

Antes da criação do Pacto de Varsóvia, a liderança da Checoslováquia, com medo de uma Alemanha rearmada, procurou criar um pacto de segurança com a Alemanha Oriental e a Polônia. Esses Estados protestaram fortemente contra a remilitarização da Alemanha Ocidental. O Pacto de Varsóvia foi estabelecido como consequência do rearmamento da Alemanha Ocidental dentro da OTAN. Os líderes soviéticos, como muitos países europeus de ambos os lados da Cortina de Ferro, temiam que a Alemanha voltasse a ser uma potência militar e uma ameaça direta. As consequências do militarismo alemão permaneceram uma memória fresca entre os soviéticos e os europeus orientais. Como a União Soviética já tinha presença armada e dominação política em todos os seus Estados satélites do leste, o Pacto foi considerado "supérfluo" e por causa da maneira apressada em que foi concebido, funcionários da OTAN o rotularam como um 'castelo de papelão'.

A URSS, temendo a restauração do militarismo alemão na Alemanha Ocidental, sugeriu em 1954 que se juntasse à OTAN, mas isso foi rejeitado pelos Estados Unidos e Reino Unido.

O pedido soviético de adesão à OTAN surgiu após a Conferência de Berlim de janeiro-fevereiro de 1954. O ministro das Relações Exteriores soviético Molotov fez propostas para a reunificação da Alemanha e eleições para um governo pan-germânico, sob condições de retirada dos exércitos das quatro potências e neutralidade alemã, mas todas foram recusadas pelos outros ministros de relações exteriores: Dulles (EUA), Eden (Reino Unido) e Bidault (França). As propostas para a reunificação da Alemanha não eram novidade: mais cedo, em 20 de março de 1952, as conversas sobre uma reunificação alemã, iniciadas pela chamada 'Nota de Stalin', terminaram depois que o Reino Unido, a França e os Estados Unidos insistiram que uma Alemanha unificada não deve ser neutra e deve ser livre para aderir à Comunidade Europeia de Defesa (EDC, sigla em inglês) e se rearmar. James Dunn (EUA), que se reuniu em Paris com Eden, Adenauer e Robert Schuman (França), afirmaram que "o objetivo deve ser evitar discussões com os russos e pressionar a Comunidade Europeia de Defesa". De acordo com John Gaddis "havia pouca inclinação nas capitais ocidentais para explorar esta oferta" da URSS. Enquanto o historiador Rolf Steininger afirma que a convicção de Adenauer de que "neutralização significa sovietização" foi o principal fator na rejeição das propostas soviéticas, Adenauer também temia que a unificação alemã pudesse ter resultado no fim da principal força política da CDU no Bundestag alemão.

Consequentemente, Molotov, temendo que a EDC fosse dirigida no futuro contra a URSS e "procurando impedir a formação de grupos de Estados europeus dirigidos contra os outros Estados europeus", fez uma proposta para um Tratado Geral Europeu de Segurança Coletiva na Europa "aberta a todos os Estados europeus sem levar em conta seus sistemas sociais" que incluiria a Alemanha unificada (tornando assim a EDC obsoleta). Mas Eden, Dulles e Bidault se opuseram à proposta.

Um mês depois, a proposta de Tratado Europeu foi rejeitada não apenas pelos partidários da EDC, mas também pelos oponentes ocidentais da Comunidade de Defesa Europeia (como o líder gaullista francês Gaston Palewski) que o consideraram "inaceitável em sua forma atual porque exclui os EUA da participação no sistema de segurança coletiva na Europa". Os soviéticos então decidiram fazer uma nova proposta aos governos dos EUA, Reino Unido e França para aceitar a participação dos EUA na proposta de Acordo Geral Europeu. Como outro argumento utilizado contra a proposta soviética era que ela era percebida pelas potências ocidentais como "dirigida contra o Pacto do Atlântico Norte e sua liquidação", os soviéticos decidiram declarar sua "disposição para examinar conjuntamente com outras partes interessadas a questão da participação da URSS no bloco do Atlântico Norte", especificando que "a admissão dos EUA no Acordo Geral Europeu não deve estar condicionada à concordância das três potências ocidentais com a adesão da URSS ao Pacto do Atlântico Norte".

Mais uma vez, todas as propostas, incluindo o pedido de adesão à OTAN, foram rejeitadas pelos governos do Reino Unido, Estados Unidos e França pouco depois. Emblemática foi a posição do general britânico Hastings Ismay, um feroz defensor da expansão da OTAN. Ele se opôs ao pedido de adesão à OTAN feito pela URSS em 1954 dizendo que "o pedido soviético de adesão à OTAN é como um ladrão impenitente solicitando ingressar na força policial".

Em abril de 1954, Adenauer fez sua primeira visita aos Estados Unidos, conhecendo Nixon, Eisenhower e Dulles. A ratificação da EDC foi adiada, mas os representantes dos EUA deixaram claro a Adenauer que a EDC teria que se tornar parte da OTAN.

As lembranças da ocupação nazista ainda eram fortes e o rearmamento da Alemanha também era temido pela França. Em 30 de agosto de 1954, o Parlamento francês rejeitou a EDC, garantindo assim seu fracasso e bloqueando um objetivo principal da política dos Estados Unidos para a Europa: associar militarmente a Alemanha Ocidental ao Ocidente. O Departamento de Estado dos EUA começou a elaborar alternativas: a Alemanha Ocidental seria convidada a aderir à OTAN ou, no caso do obstrucionismo francês, seriam implementadas estratégias para contornar um veto francês para obter o rearmamento alemão fora da OTAN.

Em 23 de outubro de 1954 foi finalmente decidida a admissão da República Federal da Alemanha ao Pacto do Atlântico Norte. A incorporação da Alemanha Ocidental à organização em 9 de maio de 1955 foi descrita como "um ponto de virada decisivo na história do nosso continente" por Halvard Lange, então ministro das Relações Exteriores da Noruega. Em novembro de 1954, a URSS solicitou um novo Tratado de Segurança Europeu, a fim de fazer uma tentativa final de não ter uma Alemanha Ocidental remilitarizada potencialmente oposta à União Soviética, mas novamente não obteve sucesso.

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