Estanislau de Figueiredo Pamplona, ou simplesmente Pamplona, (Soure, 24 de março de 1904 — Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 1973), foi um futebolista brasileiro que atuou como lateral-direito.
Nasceu na Ilha do Marajó, como filho caboclo de Anacleto da Silva Pamplona e de Alzira Figueiredo Pamplona, casal de pecuaristas.
Estudando na na capital Belém, conciliou nela a formação no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré com prática de futebol no Clube do Remo, participando a partir de 1921 dos clássicos Re-Pa. Embora o rival Paysandu conseguisse um tetracampeonato seguido entre 1920 e 1923 no campeonato paraense, Pamplona pôde marcar dois gols em vitória de 5-1 em clássico travado em 15 de outubro de 1922 válido pelo estadual daquele ano. Esse dérbi foi histórico também por render o que à altura do século XXI segue sendo o gol mais rápido da história da rivalidade, marcado antes do primeiro minuto por Santana; curiosamente, este veio a ser outro paraense a defender a Seleção Brasileira.
Quando o Remo voltou a ser campeão paraense, em 1924, Pamplona já não estava presente; havia se mudado ao Rio de Janeiro para graduar-se na Escola Militar do Realengo, ainda passando uma temporada em Londres antes de, regressado ao Rio, defender inicialmente o Fluminense. Contudo, jogou somente uma vez pelo Tricolor, em amistoso com o Juiz de Fora vencido por 4-1 em 1º de novembro de 1923.
Foi em 1925 que ele, já no Botafogo, começou a destacar-se: terminou o ano convocado à Copa América de 1925. Fez naquele ano suas três partidas pela Seleção Brasileira: na vitória de 2-1 sobre o Paraguai em 17 de dezembro e no empate em 2-2 com a Argentina em 25 de dezembro, pelo torneio; e em empate em 2-2 em amistoso não-oficial contra o clube Newell's Old Boys, em 20 de dezembro. Curiosamente, naquelas partidas atuou ao lado de Nilo, também paraense.
No jogo ocorrido em pleno natal de 1925, no estádio que o Boca Juniors possuía antes de erguer La Bombonera, o Brasil abriu 2-0 no placar, resultado que forçaria um jogo-extra com a anfitriã Argentina. Ela, porém, conseguiu empatar, em jogo marcado por discussões que com o tempo ganharam narrativas crescentemente exageradas como "Guerra do Barracas", em dissonância com registros da própria época. Ainda assim, Pamplona foi apontado como um dos personagens mais exaltados nos episódios de rispidez efetivamente ocorridos na partida, juntamente a Arthur Friedenreich e Hélcio pelos brasileiros e Ramón Muttis e Antonio Cerrotti pelos argentinos.
Apesar de Pamplona não chegar a ser campeão na década de 1920 com o Botafogo, fez-se presente em resultados expressivos do clube, a exemplo de sua maior vitória no clássico com o Flamengo, o 9-2 (com quatro gols do mesmo conterrâneo Nilo) pelo certame carioca de 1927 - triunfo que serviu também de revanche exatamente à maior goleada do Flamengo nesse duelo, o 8-1 precisamente no encontro anterior entre ambos. Seu primeiro título carioca deu-se no campeonato de 1930, ano em que também foi convocado à primeira Copa do Mundo FIFA, tal como Nilo. A convocação tinha ainda Ivan Mariz, também paraense.
Pamplona não chegara a estar inicialmente imaginado para a Copa, ausente da lista de jogadores que realizaram treinos prévios entre 14 e 28 de maio. Em junho, a Confederação Brasileira de Desportos oficiou o que parecia ser a convocação final, com quinze jogadores de clubes paulistas e oito de times cariocas - sem que Pamplona e Ivan figurassem entre esses oito, somente Nilo. Contudo, desdobramentos entre dirigentes de ambos os lados levariam a CBD a enviar ao Uruguai uma seleção somente com jogadores do Rio. Pamplona, de fato, acabaria não entrando em campo no Mundial, assim como Ivan, o segundo mais novo da delegação, só estrearia pela seleção em 1931. Ainda assim, tornou-se junto a ele e a Nilo o primeiro paraense convocado à competição, havendo ainda críticas na imprensa pela não-convocação de outro, o vascaíno Santana, ex-colega de Pamplona no Remo.
Uma contusão impediu que Pamplona tomasse parte da temporada de 1932 do Botafogo, mas pôde regressar e integrar o título carioca de 1933 e o de 1934. Nessa campanha, contudo, figurou em somente uma partida, com Long estabelecido como novo titular na posição de lateral.
Estabelecido no Rio de Janeiro, faleceu nessa cidade em 1973.
Campeonato Carioca: 1930, 1933 e 1934
Taça dos Campeões Estaduais Rio–São Paulo: 1931
Perfil de Pamplona (em português) em sambafoot