Bonifácio VIII (em latim: Bonifacius VIII), nascido Benedetto Gaetani; (Anagni, c. 1230 – Roma, 11 de outubro de 1303) foi Papa da Igreja Católica de 24 de dezembro de 1294 até a data de sua morte.
Atualmente, Bonifácio VIII é provavelmente lembrado por seus conflitos com Dante Alighieri, que o retratou no Inferno em sua Divina Comédia, e a publicação da bula Unam Sanctam na disputa contra o Rei Filipe IV de França.
Vida inicial e eleição para o papado
Benedetto nasceu em 1235 em Anagni, a cerca de 50 km a sudeste de Roma, filho mais novo de uma pequena mas importante família nobre de Lombardia, os Caetani (ou Gaetani) que já antes tinha dado um papa (Gelásio II).
Depois, na sua adolescência, tornou-se cónego da catedral de Anagni.
Em 1252, quando seu tio Pedro Gaetani se tornou bispo de Todi, na Umbria, começou em Todi os seus estudos jurídicos. Benedetto nunca esqueceu suas experiências lá, tanto que, mais tarde, descreveu a cidade como "a morada de sua juventude," a cidade que o "alimentou ainda em tenra idade", e como um lugar onde ele "realizou duradouras memórias".
Ainda aí, em 1260, Benedetto adquiriu o sacerdócio, bem como o pequeno castelo nas proximidades em Sismano. Mais tarde na vida ele repetidamente expressou sua gratidão a Anagni, Todi, e sua família.
Em 1264, Benedetto se tornou parte da Cúria Romana, onde atuou como secretário do cardeal Simão de Brie em uma missão na França. Da mesma forma, ele acompanhou o cardeal Ottobono Fieschi à Inglaterra (1265–1268), a fim de fazer um acordo entre um grupo de barões rebeldes contra Henrique III, rei da Inglaterra.
Após oito anos, período do qual nada se sabe sobre o que ocorreu em sua vida, Benedetto retornou da Inglaterra, e foi enviado à França para fiscalizar a cobrança de dízimos em 1276 e depois se tornou um notário papal no final de 1270.
Durante este tempo, Benedetto acumulou cargos, sendo promovido, em primeiro lugar a cardeal-diácono em 1281 e, em seguida, 10 anos mais tarde Cardeal-presbítero. Como cardeal, ele sempre serviu como legado papal em negociações diplomáticas com a França, Nápoles, Sicília e Aragão.
Foi eleito Papa em 24 de dezembro de 1294, após a abdicação do Papa Celestino V em 13 de dezembro.
Há muita especulação em relação à possível participação de Bonifácio VIII no convencimento ou obrigação sobre Celestino V para que este renunciasse ao papado, em seu favor. No entanto, na atualidade, é um consenso mais comum que Celestino V renunciou por seus próprios desejos e Benedetto apenas mostrou que era permitido pela lei da Igreja. Declarando a legalidade de uma resignação papal e da sua aceitação pelo Colégio dos Cardeais. Dez dias depois os cardeais iniciaram um conclave no Castel Nuovo em Nápoles e em 24 de dezembro de 1294, por uma maioria de votos Benedetto Gaetani é eleito papa, escolhendo o nome de Bonifácio VIII.
A cerimônia de sua consagração e coroação foi realizada em Roma, em 23 de janeiro de 1295. Imediatamente ordenou a prisão de seu antecessor no Castelo de Fumone em Ferentino, onde morreu com 81 anos, com a presença de dois monges da sua ordem.
Em 1300 Bonifácio VIII institui o primeiro jubileu cristão por meio da bula Antiquorum fide relatio, que concedeu uma indulgência extraordinária e plenária aos fiéis que fizessem uma peregrinação a Roma, ao túmulo de São Pedro. Devido ao jubileu, Bonifácio restaurou as igrejas de Roma, particularmente as Basílicas de São Pedro, a Basílica de São João de Latrão, e a Basílica de Santa Maria Maior. A partir de então os jubileus e a anunciação de uma indulgência extraordinária foram comemorados com uma periodicidade de 50 anos.
Conflitos com Filipe IV de França
Bonifácio VIII defendeu algumas das mais fortes afirmações da supremacia espiritual dos papas sobre o temporal dos reis e dos senhores feudais, vinculando-se em grande parte aos ideais da Reforma gregoriana que tinha sido delineada 250 anos antes, demonstrando-a na sua política externa.
O conflito entre Bonifácio VIII e os reis europeus ocorreu em um momento de expansão dos Estados-nação e o desejo de consolidação do poder pelos monarcas. A intervenção de Bonifácio nos assuntos temporais levou a muitas disputas com o imperador Alberto I da Germânia (1291–1298), com a poderosa família dos Colonna, com Filipe IV de França (1285–1314) e estranhamente com Dante Alighieri (que escreveu De Monarchia para argumentar contra ele).
Na França, durante seu reinado, Filipe IV centralizou em si todo o poder, que era possível a um rei, e cercando-se dos melhores advogados civis, expulsou o clero de toda a participação na administração da lei. Fez mais, pois decretou impostos ao mesmo clero, a fim de financiar as suas guerras contra outros países. Nessa altura o papa Bonifácio tomou uma posição dura contra ele porque, entre outras coisas, viu a tributação como um abuso aos tradicionais direitos da Igreja e publicou a bula Clericis laicos, em 24 de Fevereiro de 1296, na qual a proíbe sem prévio acordo com a Santa Sé. Foi aí que as hostilidades entre ambos começaram. Filipe retaliou contra a bula, negando a exportação de dinheiro da França para a Roma, que tratava-se dos fundos necessários para o funcionamento da Igreja. Bonifácio então encerra a questão com a bula Etsi de statu, de 31 de julho de 1297, permitindo que a tributação seja feita somente "durante uma emergência".