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Papa Inocêncio III

176° papa da igreja católica

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Inocêncio III (em latim: Innocentius III), nascido Lottario dei Conti di Segni; (Gavignano, 22 de fevereiro de 1161 — Perúgia, 16 de julho de 1216) foi o 176.º Papa da Igreja Católica de 8 de janeiro de 1198 até a data de sua morte. Lottario nasceu na família nobre dos Condes de Segni, feudo localizado nos Estados Papais, e estudou nas mais importantes universidades de sua época; Teologia na Universidade de Paris e Direito na Universidade de Bolonha. Aos 21 anos tornou-se um clérigo importante em Roma, e escreveu dois livros notáveis: De Miseria Condicionis Humane “(Sobre a miséria da condição humana)” e De missarum mysteriis “(Sobre o mistério da missa)”. Sendo considerado jovem, forte, erudito, inteligente e hábil foi eleito Papa em 1198, com apenas 37 ou 38 anos de idade. É notoriamente reconhecido como o Papa mais poderoso da história.

Como Pontífice, Inocêncio explicitou sua concepção própria de poder dos Papas logo no início de seu Reinado, como Vigário e Representante de Cristo que goza de poder direto para o governo da Igreja Católica e sua hierarquia, e também, possuidor de um poder indireto que o permitia interferir excepcionalmente em questões políticas para salvaguardar os interesses e necessidades da Igreja. Inocêncio também acreditava que o Sacro Império Romano-Germânico foi fundado pelo poder indireto da Igreja e do papa no século IX, que criou o Império para defender a fé católica, e, assim, para se tornar Imperador, que o líder do império dependia da aprovação, unção e coroação do papa (Romzug). Inocêncio também lutou para recuperar o poder efetivo do Papa sobre os Estados Papais, e garantir a independência desse Reino batalhando contra a dinastia Hohenstaufen.

Dessa forma, tendo sustentado sua autoridade sobre a Igreja e a península Itálica, também expandiu sua influência por toda a Europa, criando uma "feudalidade papal" e se tornando suserano da Inglaterra, Portugal, Aragão, Dinamarca, Polônia, Boêmia, Hungria, Dalmácia e de vários outros territórios. Também reformou e moralizou a Igreja, a Cúria Romana, o episcopado, e o clero, e aprovou novas Ordens religiosas que defendiam a pobreza e uma vida simples, como os Franciscanos e os Dominicanos. A pesquisa histórica especializada tem ressaltado como Inocêncio levava uma vida simples como Papa, e era dotado de uma autêntica espiritualidade e ascese.

Inocêncio também convocou o mais importante concílio da Idade Média, o Quarto Concílio de Latrão, que se destaca por ter definido o papel da Eucaristia na Igreja por meio da declaração do dogma da transubstanciação, da doutrina que “fora da Igreja não há salvação”, da obrigatoriedade da confissão anual e de novas leis sobre a consanguinidade e o casamento. Considerando que era sua função como Papa defender a Igreja e a cristandade, convocou e organizou sete cruzadas, das quais as mais importantes foram a Quarta e a Quinta Cruzada, que fazem parte das nove cruzadas contra o Islã, bem como a Cruzada Albigense, que eliminou o catarismo no sul da França, e a Cruzada Livônia, uma das expedições que extinguiu de forma definitiva o paganismo da Europa Setentrional.

Inocêncio é considerado o Papa mais importante da Idade Média, e uma das personalidades mais influentes da história, deixando um amplo legado para a Igreja Católica, principalmente na teologia política, para a Europa, e especialmente para o direito, em que absorveu e aplicou vários princípios e normas das leis romanas, que então, passaram a ser usadas pelo direito medieval e moderno. Dentro da historiografia, Inocêncio é objeto de várias controvérsias e diferentes interpretações, que o caracterizam como um grande homem e um herói ou um vilão ambicioso.

O nome de batismo do pontífice era Lotário, pertencendo à família nobre italiana cujo chefe gozava do título de conde da cidade de Segni (por isso chamada de "família Conti", isto é, "família dos Condes" em italiano, ou ainda, "família Segni", fazendo referência a sua origem geográfica). A família Conti foi fundada provavelmente pelo pai de Lotário, Trasimundo, que casou-se com uma importante nobre romana, Claricia Scotti. A filiação de sua mãe tornava Lotário sobrinho do Papa Clemente III (1187-1191). Porém, a carreira eclesiástica de Lotário foi construída por seus próprios esforços, e não por nepotismo. Lotário nasceu no Castelo nobre de Gavignano, perto de Anagni, em 1160 ou 1161.

Lotário recebeu sua educação inicial em Roma, e posteriormente estudou nas duas mais importantes universidades do renascimento de sua época: teologia, na Universidade de Paris, curso então ministrado por teólogos famosos como Pedro de Corbeil e Stephen Langton. Quando se tornou papa, Inocêncio nomeou seus antigos professores para vários cargos eclesiásticos importantes. Posteriormente, Lotário estudou Direito Canônico na Universidade de Bolonha, curso presidido por Huguccio de Pisa, também notável professor e jurista na época, ao qual Lotário também manteve-se próximo como papa, submetendo alguns de seus decretos pontifícios para correções e sugestões de Huguccio. Apesar de sua formação teológica, Inocêncio se destacou, sobretudo, como um grande jurista. Quando tornou-se adulto, Inocêncio era fisicamente pequeno e possuía uma saúde delicada, frequentemente ficando doente, porém, sua limitação física era compensada por uma personalidade forte e um espírito sagaz.

Desde 1181, Lotário, com então vinte e um anos, foi convidado a retornar a Roma para trabalhar para a Cúria. Nesse momento, ocupou diversos cargos eclesiásticos durante os curtos pontificados de Lúcio III (1181-1185), Urbano III (1185-1187), Gregório VIII (1187-1187) e Clemente III (1187-1191). O Papa Gregório VIII ordenou-lhe subdiácono, e Clemente III o tornou cardeal-diácono de São Jorge em Velabro e São Sérgio e Baco, em 1190. Mais tarde, tornou-se Cardeal-Presbítero de Santa Pudenziana, porém não foi ordenado presbítero, permanecendo como diácono. Durante o pontificado de Celestino III (1191-1198), um membro da família Orsini, inimigo dos Conti, Lotário viveu exilado, possivelmente, em Anagni, dedicando-se, principalmente, à meditação e à escrita. Durante seu exílio, escreveu dois tratados de teologia. O primeiro é o De Miseria Condicionis Humane (“Sobre a miséria da condição humana”), também chamado de Liber de contemptu mundi. O segundo é o De missarum mysteriis, também chamado de De sacro altares mysterio ou ainda Mysteriorum legis et sacramenti eucharistiae liber sex, de quadripartitu species nuptiarum (“Sobre o mistério da missa”, “Sobre o sagrado mistério do altar” e “Lei misteriosa e do sacramento da eucaristia, Livro Seis, Sobre as quatro espécies de núpcias”). As obras de Inocêncio seguiam a tradição teológica monástica alegórica. O tratado De Miseria Condicionis Humane reconheceu uma grande popularidade em sua época, sobrevivendo em mais de 600 manuscritos. O De sacro altares mysterio, por sua vez, expõe doutrinas sobre as núpcias entre o homem e a mulher, Deus e as almas, Cristo e a Igreja.

Em 8 de janeiro de 1198, no mesmo dia em que Celestino III morreu, os cardeais se reuniram no Septizônio, o edifício de Roma em que então se realizava as eleições papais, e decidiram se trancar voluntariamente para realizar a eleição, razão pela qual, esse é considerado o primeiro conclave. Pela primeira vez, os eleitores votaram por escrutínio (per scrutinium). Alguns cardeais foram eleitos escrutinadores; contaram os votos, registraram o resultado e o anunciaram para o resto do Sacro Colégio. Antes de sua morte, o Papa Celestino III havia pedido ao Colégio dos Cardeais que elegessem como sucessor seu favorito, o cardeal Giovanni di Colonna, porém, os cardeais o ignoraram, e no primeiro escrutínio, o cardeal Giovanni di Salerno recebeu o maior número de votos (dez), mas declarou que não aceitaria as eleições para o pontificado. No segundo escrutínio, os cardeais uniram seus votos a favor do cardeal Lotário de Conti, então com de 37/38 anos, que era o mais jovem de todos os cardeais.

Ele aceitou sua eleição e tomou o nome de Inocêncio III, possivelmente como uma referência ao seu antecessor Inocêncio II (1130-1143), que tinha conseguido afirmar a autoridade do papado sobre o imperador (em contraste com a política recente de Celestino III). Como Inocêncio ainda era apenas diácono, ele foi também ordenado sacerdote em 21 de Fevereiro, e sagrado bispo de Roma e coroado no dia 22 de Fevereiro, data que Inocêncio escolheu por ser a festa da Cátedra de Pedro, dia santo que comemora justamente a autoridade do papa. Ele foi consagrado bispo pelos cardeais Cencio Savelli, cardeal de Albano, Ottaviano Poli dei conti di Segni, cardeal de Óstia e Pietro Gallozia, cardeal do Porto. Como pontífice mostrou uma inteligência aguçada, visão clara da realidade, habilidade diplomática e sentido prático. Para satirizar a eleição de um papa tão novo, o poeta alemão Walther von der Vogelweide (c. 1170 - c. 1230), contemporâneo de Inocêncio, compôs um verso famoso em que canta "Ai! O papa é demasiado jovem".

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