Sisto I (em latim: Sixtus; Roma, 42 — 3 de abril de 125) foi o sétimo papa da Igreja Católica que o venera como mártir e santo. Segundo o Anuário Pontifício de 2008, o Papa Sisto teria liderado a Igreja Católica de 117 ou 119 a 126 ou 128.
Era filho de um romano chamado Pastor, da região da Via Lata. O seu nome, Xisto (Xystus), de origem grega, pode ter sido, erroneamente e em virtude da semelhança dos vocábulos, confundido com Sisto (Sixtus) pelo fato de ter sido o sexto sucessor de São Pedro na Sé de Roma.
Segundo o Catálogo Liberiano dos papas, desenvolve o seu pontificado quando Adriano era imperador, «a consulatu Nigri et Aproniani usque Vero III et Ambibulo» («do consulado de Níger e Aproniano ao de Vero III e Ambíbulo»), ou seja, de 117 a 126 segundo a datação consular.
O historiador Eusébio de Cesareia, ao contrário, em dois escritos diferentes, relata dois períodos diferentes: em Chronicon diz que foi papa de 114 a 124, enquanto em Historia Ecclesiastica afirma que tenha reinado entre 114 e 128. Em todo caso, todos os estudiosos concordam com o fato de que Sisto tenha reinado cerca de 10 anos.
De acordo com o Liber Pontificalis, durante o seu pontificado, determinou três coisas:
ninguém além dos presbíteros e ministros do culto, durante a consagração, pode tocar no cálice e na patena;
os bispos consagrados na Santa Sé, ao retornar à sua diocese deve se apresentar com uma epístola apostólica que confirme a sua plena comunhão com o papa;
depois do Prefácio da Missa, o sacerdote deve rezar o Sanctus com a assembleia.
No período do seu papado, talvez, aparecem as primeiras divergências entre a Igreja de Roma e as Igrejas do oriente, sobretudo pelo fato de que estas já celebravam oficialmente a Páscoa, festa que ainda não se tinha estabelecido no ocidente.
No seu pontificado, emitiu duas epístolas: uma sobre a doutrina da Santíssima Trindade e outra a respeito do primado do Bispo de Roma sobre as igrejas particulares.
Uma vez martirizado, seu corpo foi sepultado num pequeno cemitério da futura Basílica de São Pedro. O Catalogo Feliciano dos papas e diversos martirológios o citam como mártir, ainda que não detalhem o seu suplício. Outros documentos, contudo, como o Calendário Universal da Igreja, atualmente não o inserem mais no catálogo dos mártires da Igreja Católica.
São Sisto I: padroeiro das cidades de Alife e de Alatri
Segundo o livro Historia Allifana do abade Alessandro Telesino, em dezembro de 1131, o conde Rainulfo di Alife, da família normanda dos Drengoto Quarrel (feudatário também de Caiazzo, Sant'Agata de' Goti, Airola, Avellino, etc.) achava-se em Roma, na corte do neo-proclamado Antipapa Anacleto II (Pietro Pierleoni), de cuja eleição foi apoiada pelos normandos, contrariamente à do papa oficial Inocêncio II (Gregorio de Papareschi), assunto ao trono de Pedro alguns meses antes.
Naquele período, a cidade e o condado de Alife estavam arrasados pela peste que avançava rapidamente e fazia centenas de vítimas. Por esta razão, Rainulfo, aproveitando da amizade com Anacleto, pediu-lhe as relíquias de um «grande santo» para que pudesse levá-las até seu condado e, por sua intercessão, pediria ao Senhor o término da peste. Anacleto, apesar da amizade, não se demonstrou bem disposto, mas mesmo enquanto o conde estava em audiência com ele, chegou a notícia de que, na Basílica de São Pedro, se tinha despedaçado a trave de uma nave lateral, que caíra sobre o altar que continha os ossos do Papa Sisto I, descobrindo-os. Por tal motivo, a urna que continha os resto do pontífice foi temporariamente retirada do lugar no qual havia séculos repousava (para permitir a restauração do altar) e confiada à custódia de Anacleto.
O acontecimento foi considerado pelos fiéis como um sinal pelo fato de que o primeiro pontífice de nome Sisto tivesse acolhido o pedido de Rainulfo para ser levado até onde precisassem do seu patrocínio. Assim, em janeiro de 1132, Anacleto, secretamente, entregou as santas relíquias a Rainulfo.
O relato da trasladação das relíquias (derivante de uma Narração Histórica de Alatri do século XIV é comum tanto à tradição de Alatri quanto à de Alife, pelo menos até que Rainulfo partiu de Roma para dirigir-se ao seu condado aos pés dos montes do Matese. A versão alatrina, ao invés, propõe uma variação (historicamente não documentada, assim como a alifana) afirmando que o conde Rainulfo, partido com um grupo de cavaleiros alifanos, mandou adiante um mensageiro a cavalo para que anunciasse em tempo hábil a chegada das sagradas relíquias aos nobres da cidade, ao clero e, sobretudo, ao bispo da época, Dom Roberto, de modo que pudessem preparar uma digna acolhida. Sempre segundo a versão alatrina, em 11 de janeiro a mula que transportava a relíquia percorria a Via Latina em direção de Alife: tendo passado pela cidade de Anagni, chegou a um cruzamento decidiu virar à esquerda, querendo por todo custo dirigir-se a uma intransitável estrada de subida que levava à antiga cidade de Alatri. O grupo de escolta não foi capaz de mudar a direção do animal, nem com chicotadas. Assim, vendo nesta desobediência do animal um ulterior sinal da vontade divina, deixaram-na sem as rédeas e a seguiram. A mula caminhou para bem longe da via principal, alcançando as muralhas da cidade de Alatri, parando antes do Hospital de São Mateus e dirigindo-se à Catedral de São Paulo, diante da qual se ajoelhou. A lenda de Alatri sustenta que os alifanos da escolta, entristecidos pelo desvio não previsto, foi dado apenas um dedo do santo, que voltaram tristes para Alife.
A lenda alifana, por sua vez, não fala de fato do desvio de percurso feito pelo animal, mas conta que a mula chegou em Alife no lugar onde hoje está a Igreja de São Sisto Extra Mênia, sobre uma pedra onde a mula teria se ajoelhado e deixado as marcas do seu joelho (a pedra é ainda hoje conservada no seu lugar alegadamente preciso). Sempre de acordo com a tradição alifana, não apenas as relíquias do pontífice Sisto chegaram às muralhas de Alife, como imediatamente cessou a peste e o conde, feliz por ter dado um grande presente aos seus concidadãos, ordenou a construção da nova catedral, a atual Catedral de Alife, para que as relíquias fossem ali acolhidas, conservadas e veneradas.
Por alguns anos, as relíquias repousaram naquela que hoje é a Igreja de São Sisto Extra-Mênia, até que, em 11 de agosto de 1135, foram solenemente transportadas em procissão até o novo templo. E, desde então, os alifanos perpetuam a memória desta solene transladação das relíquias: na noite de 10 de agosto, por volta das 21 horas, o busto de São Sisto foi levado à Igreja fora dos muros. Aí, permanece toda a noite, velado pelo povo, até às 9 da manhã do dia seguinte, quando é recolocada na Catedral, evocando a entrada das sagradas relíquias cerca de nove séculos antes.