O Partido Comunista Português (PCP) é um partido político marxista-leninista, organizado de acordo com os princípios do centralismo democrático. É um dos partidos comunistas mais fortes da Europa Ocidental e o mais antigo partido político português com existência ininterrupta. O espectro político do PCP é definido como sendo de esquerda a extrema-esquerda. Desde 1987, concorre a quaisquer eleições nacionais, autárquicas e europeias em coligação com o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), reunidos na Coligação Democrática Unitária (CDU).
O PCP tem deputados na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, onde integra o grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde. Depois da morte do secretário-geral do PCP, Bento Gonçalves, no campo de concentração do Tarrafal, o Partido passou por um período, de 1942 até 1961, sem secretário-geral. Em 1961, é eleito o líder histórico Álvaro Cunhal. Em 1992, é sucedido por Carlos Carvalhas, e em 2004 é Jerónimo de Sousa o escolhido pelo Comité Central para Secretário-Geral do PCP, até 2022, quando é eleito Paulo Raimundo para o cargo.
O Partido foi fundado em 1921, e em 1922 estabeleceu contactos com a Internacional Comunista (Comintern), tornando-se em 1923 a secção Portuguesa do Comintern. Ilegalizado no fim dos anos 1920, o PCP teve um papel fundamental na oposição ao regime ditatorial conduzido por António de Oliveira Salazar e Marcello Caetano. Durante as cinco décadas de ditadura, o PCP participou ativamente na oposição ao regime e era o Partido mais organizado e mais forte da oposição. Foi suprimido constantemente pela polícia política, a PIDE, que obrigou os seus membros a viver clandestinamente, sob a ameaça de serem presos, torturados ou assassinados. A capacidade de adaptar a sua organização à conjuntura política interna e externa, e a capacidade de recuperação de uma organização política sujeita à frequente repressão e violência política, foram importantes fatores que garantiram a sua continuidade. Após a revolução dos cravos, em 1974, os seus 36 membros do Comité Central de então já tinham, em conjunto, cumprido 308 anos de prisão.
Após o fim da ditadura, o Partido tornou-se numa principal força política do novo regime democrático, mantendo o seu "papel de vanguarda ao serviço dos interesses de classe dos trabalhadores, do processo de transformação social, para a superação revolucionária do capitalismo" a assumir o Marxismo-Leninismo como a sua base teórica, a conceção materialista e dialética do mundo como "instrumento de análise e guia para a ação, imprescindível para a interpretação do mundo e para a sua transformação revolucionária", a rutura com a política de direita, a concretização de uma alternativa patriótica e de esquerda e a realização do seu programa de uma "Democracia Avançada com os valores [da revolução] de Abril no futuro de Portugal, o socialismo e o comunismo". O Partido foi popular em vastos sectores da sociedade Portuguesa, particularmente nas áreas rurais do Alentejo e Ribatejo e áreas industrializadas como Lisboa e Setúbal, onde, em tempos, liderou vários municípios.
O PCP publica o jornal semanário Avante!, fundado em 1931, e a revista bimensal O Militante. A sua ala jovem é a Juventude Comunista Portuguesa, membro da Federação Mundial da Juventude Democrática.
Origens e formação do Partido (1919–1926)
Federação Maximalista Portuguesa
Em setembro de 1919, é fundada, pelos sindicalistas revolucionários dos setores mais radicais do movimento operário, a Federação Maximalista Portuguesa. Dois anos antes, havia acontecido a revolução de outubro, que levou à criação da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. O agravamento das condições de vida potenciou a ampliação e a radicalização do movimento social, e no mesmo ano, é constituída a Confederação Geral do Trabalho. Nesta Federação, inspirados pela revolução bolchevique, encontrava-se aqueles que não se conformavam com os impasses e as limitações da ação sindicalista tradicional. Procuravam seguir o exemplo da revolução bolchevique, proclamando a via insurrecional e trabalhando para que se ela repetisse. A designação "maximalista" foi escolhida porque: "Depois de um largo debate chegou-se à conclusão que bolchevismo queria dizer: revolução levada ao máximo".
A consistência ideológica dos seus dirigentes era pouca, herdando o que tinham das suas origens sindicalistas, ainda longe de a libertarem para poderem abraçar a doutrina e as conceções dominantes no Partido de Lenin. Apesar disto, abriu outro polo no movimento operário português, afirmando que a organização sindical, por si só, era insuficiente numa nova ordem social. No entanto, a organização não conseguiu sobreviver ao impacto da prisão do seu principal animador, Manuel Ribeiro, em finais do ano 1920. Os artigos que publicava no jornal maximalista "Bandeira Vermelha", sobre o comportamento governamental na greve dos ferroviários onde acabou detido, ou o "pavor frio que o governo sentia pela propaganda da revolução triunfante na Rússia", levaram à proibição da Federação Maximalista.
Fundação do Partido Comunista Português
No entanto, passados três meses viria a fundar-se o Partido Comunista Português, dando seguimento ao conjunto de pessoas que no processo de desarticulação da Federação Maximalista aviltravam a necessidade de um congresso comunista. A data de fundação do PCP, 6 de março de 1921, é data da última de várias reuniões. Pouco depois da fundação do Partido, criou-se também a Juventude Comunista (JC), que estabeleceu imediatamente contactos com a Internacional Comunista Juvenil.
A terceira das Bases orgânicas provisórias estabelecidas estabelece que:"O objetivo supremo que o Partido Comunista Português procurará realizar numa ação revolucionária, que as circunstâncias do meio europeu e nacional tornarem oportuna, é a socialização integral dos meios de produção, circulação e consumo, isto é, a transformação radical da sociedade capitalista em sociedade comunista".O historiador João Madeira considera que no documento permaneciam "um conjunto de referências confusas, pouco claras ou que colidiam com a doutrina em que se ancorava a experiência soviética, que vinham laborando desde a experiência maximalista".
Ligação à Internacional Comunista e I Congresso
No ano de 1922, a ligação do PCP à Internacional Comunista (Comintern) é estabelecida, sendo o Secretário da Junta Nacional do PCP, Henrique Caetano de Sousa, designado pelo partido como seu delegado ao IV Congresso da Internacional Comunista em Moscovo, onde este virá a ser o único dirigente da história do PCP a estar na presença de Vladimir Lenine. O militante José Pires Barreira é nomeado delegado do PCP ao III Congresso da Internacional dos Jovens Comunistas. No entanto, as divergências políticas e rivalidades pessoais no seio do Partido geram uma profunda crise, que levou à vinda de um delegado do Comintern, o suíço Jules Humbert Droz, em meados de agosto de 1923. Conhecia as condições da criação do PCP — fora de qualquer influência direta do Comintern, e que o modelo de Partido nada tinha a ver com o modelo Leninista do centralismo democrático.
Segundo a avaliação de Droz, "[o] Partido ainda não tinha realizado o seu congresso constitutivo e não possuía nem estatuto orgânico nem programa teórico e tático".
Para além disto, também preocupava ao "internacional" o estado de desagregação orgânica encontrada no Partido, polarizado entre dois grupos, o de Henrique Caetano de Sousa e José Pires Barreira e o de Carlos Rates, que se combatiam mutuamente, ao nível do insulto. O Congresso, entretanto adiado para novembro de 1923, tem a participação de Droz, munido de um mandato do Comintern que lhe confere plenos poderes. Constituiu assim a Secção Portuguesa da Internacional Comunista. O Congresso elegeu o novo Comité Central (CC), através de uma votação secreta e nominal. Das 71 listas entradas Carlos Rates sai, com 70 votos, como o dirigente mais votado de um CC de nove elementos, tornando-se assim no 1º Secretário Geral do PCP. Nestas circunstâncias, ficaria por estabelecer se era possível não só clarificar de facto alinha política do Partido como passar à intervenção social e política, unificando um Partido de origens débeis e de pensamento difuso, abrindo caminho à sua bolchevização, como a Internacional Comunista exigia. A Juventude Comunista fica, na prática, dissolvida.