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Partido Comunista do Brasil

Partido político brasileiro

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Partido Comunista do Brasil (PCdoB) é um partido político brasileiro de centro-esquerda a esquerda que é baseado ideologicamente no desenvolvimentismo e oficialmente nos princípios do marxismo-leninismo.

Foi criado em 1958 como uma dissidência alinhada ao stalinismo dentro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que, àquela época, apoiava as reformas defendidas por Nikita Khrushchov durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética em 1956 e que, mais tarde, ficaram conhecidas como desestalinização.

A dissidência era liderada por Maurício Grabois, João Amazonas e Pedro Pomar e resolveu se separar do partido após o documento Carta dos Cem (assinada por cem militantes, em quatro estados do Brasil) ter sido rejeitado no V Congresso do PCB. Logo após, em 1962, é fundado por essa dissidência o Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Desde o seu surgimento, o Partido Comunista do Brasil seguiu diversas linhas políticas baseadas em distintas experiências comunistas pelo mundo. Surgiu sendo contrário à linha adotada por Nikita Khrushchov na antiga União Soviética e reivindicando o legado de Josef Stalin. Nos anos 1960, adotou a linha maoista (alinhando-se com o Partido Comunista da China) e passa a praticar a tática de guerrilhas (o PCdoB é famoso pela atuação na Guerrilha do Araguaia). Em 1978, por razões de segurança, passou a reivindicar o comunismo da Albânia (Hoxhaísmo). Depois da redemocratização do Brasil e a legalização do partido, o Partido Comunista do Brasil adotou uma linha mais moderada e em 1989 aliou-se com o Partido dos Trabalhadores (PT), participando praticamente em todos os governos e campanhas eleitorais do partido. Em 2022, formou a Federação Brasil da Esperança com o Partido dos Trabalhadores e o Partido Verde (PV).

Em 2018, após não conseguir votos suficientes para ultrapassar a cláusula de desempenho e continuar recebendo financiamento do fundo partidário e fundo eleitoral, o Partido Pátria Livre (PPL), fundado por membros do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), votou pela fusão com o PCdoB.

O Partido Comunista do Brasil mantém o portal Vermelho, publica o jornal A Classe Operária e a revista Princípios, através da Editora Anita Garibaldi e, internacionalmente, é membro do Foro de São Paulo. No movimento estudantil, organiza-se na União da Juventude Socialista (UJS) e na Juventude Pátria Livre (JPL) e, no movimento sindical, organiza-se pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Em janeiro de 2026, o partido contava com 385 123 filiados.

Nos dias 25, 26 e 27 de março de 1922, grupos regionais admiradores da Revolução Russa (1917) se reuniram em Niterói para fundar o então denominado Partido Comunista do Brasil com a sigla PCB; tal encontro é considerado o primeiro congresso do partido. Na metade de 1924, o V Congresso da Internacional Comunista (ou III Internacional) admitiu o PCB como sua seção brasileira oficial.

O V Congresso do Partido Comunista do Brasil realizou-se em setembro de 1960 sob influência da maré política mundial aprovada no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética em 1956, em Moscou. O embate no PCB se deu entre a maioria da direção, favorável à posição de Kruschev, e entre os chamados "stalinistas". Assim, foram retirados da Comissão Executiva João Amazonas, Maurício Grabois, Diógenes Arruda e Sérgio Holmos, acusados de resistir às mudanças nos métodos de direção e na linha política. Todos foram tachados de stalinistas, e também de “dogmáticos e sectários”.

Graças às mudanças, Prestes conseguiu aprovar sem maiores dificuldades, as novas teses, como a famosa Declaração de Março publicada em 1958, pelo Comitê Central, criticada por Grabois e Amazonas. A direção partidária, eleita em 1960, mudou o nome do partido de Partido Comunista do Brasil para Partido Comunista Brasileiro, mantendo a sigla PCB. Entre outras alterações efetuadas incluiu-se a retirada dos estatutos e do programa de toda referência ao internacionalismo proletário, ao marxismo-leninismo e ao objetivo final: o comunismo.

Em dezembro de 1961, o jornal Novos Rumos publicou notas de diversos Comitês Estaduais informando as expulsões de João Amazonas, Pedro Pomar, Maurício Grabois, Ângelo Arroyo, Carlos Danielli, Calil Chade, José Duarte, entre outros. Alguns membros sancionados chegaram a afirmar que eram membros do Partido Comunista do Brasil e não do Partido Comunista Brasileiro, portanto, não poderiam ser expulsos.[carece de fontes?]

No dia 18 de fevereiro de 1962 realizou-se na Rua do Manifesto, bairro do Ipiranga, a 5ª Conferência (extraordinária) visando a reorganizar o Partido Comunista do Brasil. Ali se aprovou o Manifesto-Programa e o relançamento do jornal A Classe Operária, que estava registrado no nome do Maurício Grabois

Enquanto o PCB abandonava definitivamente a figura de Stálin, o PCdoB manteve o ex-líder soviético como uma de suas referências teóricas (ao lado de Marx, Engels e Lênin). Na mesma época, a crise entre a União Soviética e a China atingiu o seu auge, quando o líder chinês Mao Tse Tung criticou o processo de desestalinização em curso na União Soviética, e acusou Khruschev de desvios "oportunistas" e "reformistas". [carece de fontes?]

Como a direção do PCB mantinha-se rigidamente fiel a Moscou, a cisão de Mao com o restante do movimento comunista atraiu a simpatia do PCdoB, que enviou emissários a Beijing para formalizar a vinculação ideológica com as novas diretrizes ideológicas do Partido Comunista da China. Dentre esses emissários, estava o então presidente exilado do partido, João Amazonas, que foi recebido pelo próprio Mao Tsé Tung. A partir de então, o partido passou a aproximar-se progressivamente dos postulados maoistas, considerando apenas a China Popular e a Albânia como países comunistas, e que os demais tinham retrocedido a uma diretriz revisionista e não mais revolucionária.Porém, a adesão ao maoismo incluiu uma mudança nas estratégias seguidas pelo PCdoB. Seguindo o princípio da Guerra Popular Prolongada, o PCdoB assumiu o compromisso de transferir seus quadros para o campo, iniciando a formação de um exército camponês. Essa concepção de luta revolucionária contrastava tanto com as táticas tradicionais do PCB (que, fiel ao "caminho pacífico, se opôs à luta armada contra a Ditadura) quanto com o foquismo de novas forças como a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), que priorizavam a guerrilha urbana e o foco como forma de combater o governo militar estabelecido em 1964. [carece de fontes?]

A adesão definitiva do PCdoB ao maoismo deu-se em 1966, em seu VI Congresso. No ano seguinte, o partido elaborou uma declaração de apoio à Revolução Cultural em curso na China. Em 1966, o PCdoB sofreu duas cisões internas: a Ala Vermelha do PCdoB (favorável à tática foquista) e o Partido Comunista Revolucionário (PCR).

Desde 1966, o PCdoB buscava a formação de um núcleo de guerrilha no campo. A área escolhida para a irradiação do futuro exército camponês (seguindo as linhas maoistas) foi a região sul do Pará, próximo à divisa com Tocantins. Estima-se que o partido reuniu de 70 a 80 guerrilheiros na área, sob o comando militar do ex-militar Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão) e sob o comando máximo de Maurício Grabois (então comandante em chefe da guerrilha).[carece de fontes?]

A maior parte dos efetivos da coluna guerrilheira do PCdoB (sob o nome de "Força Guerrilheira do Araguaia") era composta por estudantes secundaristas ou universitários, organizados em torno da União da Juventude Patriótica (UJP, braço juvenil do partido), profissionais liberais e operários vindos principalmente de São Paulo e Minas Gerais. Como era pequena a adesão entre os habitantes locais, o partido criou a União pela Liberdade e pelos Direitos do Povo (ULDP), cujo manifesto continha a base programática da guerrilha.[carece de fontes?]

Em 1971, unidades do Exército descobriram a localização do núcleo guerrilheiro e foram mobilizadas a fim de isolar a área, impedindo que sua atuação se alastrasse em direção ao norte da Amazônia. As operações de repressão à guerrilha tiveram início em 1972, com três expedições militares que mobilizaram 25 mil soldados. Sendo repelidas as duas primeiras, a terceira expedição derrotou os últimos focos de resistência. A maior parte dos guerrilheiros morreu em choque com as forças do Exército, incluindo Osvaldão e Maurício Grabois, que morreu em confronto com o Exército em 25 de dezembro de 1973. A derrota do Araguaia comprometeu a organização partidária, mas consagrou o mito da guerrilha, reconhecida como a mais efetiva experiência de luta armada à Ditadura. A maior parte dos mortos na repressão do regime militar entre 1964 e 1979 foi de militantes do PCdoB.[carece de fontes?]

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