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Paul von Lettow-Vorbeck

General alemão (1870-1964)

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Paul Emil von Lettow-Vorbeck (Saarlouis, 20 de março de 1870 – Hamburgo, 9 de março de 1964) foi um general do Império Alemão, comandante da campanha da África Oriental Alemã na Primeira Guerra Mundial, a única campanha colonial dessa guerra onde a Alemanha não foi derrotada, mesmo que a proporção de soldados para cada lado (21 soldados britânicos por cada soldado alemão) apontasse para o contrário. Também foi o único comandante a invadir solo britânico na Primeira Guerra Mundial.

Nasceu no seio de uma família militar, e da pequena nobreza pomerânica, em Saarlouis, Reno, na Federação da Alemanha do Norte, e, destinado também a seguir a carreira militar, estudou ciências militares nas academias de Potsdam e Lichtervelde, preparando-se para uma carreira de oficial de artilharia. Em 1890, já foi condecorado com o ranque de Tenente.

A sua primeira missão de relevo aconteceu em 1900 quando, ainda tenente, foi encarregue de comandar um destacamento alemão que colaborou com forças militares de outras potências europeias na contenção da Rebelião Boxer, na China.

Em 1904 partiu para o Sudoeste Africano Alemão (actual Namíbia) como ajudante-de-campo do general Martin Chales de Beaulieu, comandante das forças enviadas para apoiar as Schutztruppe (as “tropas de protecção”) da colónia na denominada Guerra dos Hotentotes, a insurreição dos povos nama e herero que ocorreu entre 1904 e 1908 e que conduziu ao genocídio dos hereros e namas, a primeira grande catástrofe humanitária do século XX. Nessa campanha foi ferido no olho esquerdo e forçado a retirar-se para a África do Sul, onde convalesceu. Durante essa estadia forçada, conviveu com o general Jan Smuts, de quem se tornaria amigo para toda a vida, apesar de depois ter de o defrontar durante a Primeira Guerra Mundial.

Terminada aquela campanha, regressou à Alemanha e foi nomeado comandante do II. Seebataillon (o 2.º batalhão naval) da Kaiserliche Marine-Infantarie (fuzileiros da Marinha Imperial Alemã), cargo que exerceu de Janeiro de 1909 a Janeiro de 1913, na base naval de Wilhelmshaven.

Foi seguidamente colocado no comando da força colonial de protecção, as Schutztruppe, da colónia alemão de Kamerun, actuais Camarões, na África Ocidental.

No princípio de 1914, von Lettow-Vorbeck foi escolhido para comandante da pequena guarnição alemã de 300 soldados e doze companhias de askari que guarneciam a África Oriental Alemã, actual Tanzânia. Com o início da guerra na Europa, em Agosto daquele ano, sabendo da vantagem do poder iniciativa num contexto periférico ao palco do conflito principal, como era no caso a África Oriental, ignorou as ordens recebidas do governo de Berlim e do governador da colónia, o Dr. Heinrich Schnee, que insistiam na necessidade de manter a neutralidade da África Oriental Alemã.

Von Lettow-Vorbeck de imediato ignorou as ordens do governador, nominalmente seu superior, e preparou-se para a guerra, a qual se iniciou por um ataque anfíbio à cidade de Tanga, que teve lugar entre 2 e 5 de Novembro de 1914, repelindo os britânicos e os seus aliadas na acção que ficou conhecida pela Batalha de Tanga, uma das mais violentas de toda a campanha.

Reuniu então os escassos homens e suprimentos disponíveis e preparou-se para ganhar a iniciativa e atacar as ferrovias britânicas na África Oriental. No processo conseguiu uma segunda vitória sobre os britânicos, vencendo a Batalha de Jassin, travada a 18 de Janeiro de 1915.

As vitórias que foi conseguindo permitiram-lhe captura armamento moderno e outros abastecimentos, urgentemente necessários dado o isolamento das forças alemães em relação à metrópole, consequência do bloqueio naval aliado ao Império Alemão.

Para além das vantagens logísiticas, as vitórias deram grande impulso à moral de seus homens, embora von Lettow-Vorbeck também nelas perdesse muitos dos seus soldados mais experientes, entre eles o "esplêndido” capitão Tom von Prince, que não poderiam facilmente ser substituídos no isolamento em que se encontrava.

O plano de von Lettow-Vorbeck para era simples: sabendo que no contexto da a Guerra a África Oriental não passaria de um palco periférico, decidiu capturar o máximo de tropas britânicas possível e manter o máximo de pressão sobre as forças remanescentes pois as removeria da Frente Ocidental, contribuindo dessa forma para a vitória alemã na Europa.

Von Lettow-Vorbeck sabia que podia contar com os seus oficiais, altamente motivados e competentes (sua taxa de vítimas era certamente prova disso). Como consequência das perdas custosas de pessoal, ele passou a evitar confrontos directos com soldados britânicos, em vez disso levou seus homens a engajar invasões de guerrilha nas províncias britânicas do Quénia e da Rodésia, atacando os fortes britânicos, ferrovias e comunicações - tudo com o objectivo de forçar a Entente a desviar o efectivo do teatro de guerra na Europa. Ele convocou 12,000 soldados, a maioria deles askari, mas todos bem treinados e bem disciplinados. Os askari ganharam uma especial reputação pela sua capacidade de luta e lealdade. Von Lettow-Vorbeck também servia como comandante-modelo, ganhando pelo exemplo o respeito e lealdade dos seus homens. Percebeu as necessidades críticas da guerra de guerrilha em que ele usou tudo o que lhe era disponível se tratando de suprimento, ele usou o grupo e artilharia do cruzador alemão SMS Königsberg (afundado no delta do Rio Rufiji em 1915) que possuía uma tropa capacitada sob o comando de Max Looff, bem como suas numerosas armas, que foram convertidas em peças de artilharia para a luta em terra, que seria o mais alto padrão de peças de artilharia de terra usadas na guerra.

Em Março de 1916, os britânicos sob o comando do seu amigo general Jan Smuts lançaram uma formidável ofensiva, com 45 000 homens. Von Lettow-Vorbeck, pacientemente, usou o clima e o terreno como seus aliados enquanto suas tropas lutavam contra os britânicos em suas condições para sua vantagem. Os britânicos, entretanto, continuaram enviando mais tropas forçando von Lettow-Vorbeck a ceder território. Não obstante, ele conseguiu impor por diversas vezes pesadas derrotas aos britânicos, incluindo uma em Mahiwa em Outubro de 1917 onde perdeu 100 homens enquanto os britânicos perderam 1 600 homens.

Apesar dos seus esforços, os britânicos mantinham uma decisiva vantagem em efectivo, e não tinha ilusões de que qualquer território que ele capturasse poderia ser guarnecido por muito tempo. Decidiu então fazer uma incursão para sul, penetrando na então colónia portuguesa de Moçambique, onde ganhou homens e abastecimentos ao atacar guarnições portuguesas. Reentrou no território da África Oriental Alemã em Agosto de 1918, apenas para rumar para oeste e atacar a Rodésia do Norte, evitando a armadilha que os britânicos lhe haviam preparado na África Oriental Alemã.

A 13 de Novembro de 1918, dois dias após a assinatura do Armistício de Compiègne, tomou a cidade de Kasama, que os britânicos haviam evacuado, naquela que foi a última vitória alemã no conflito. Daí continuou rumando para sudoeste, internando-se no coração de África em direcção ao Katanga. Quando alcançou o rio Chambeshi, na manhã de 14 de Novembro, o magistrado britânico Hector Croad apareceu sob uma bandeira branca e entregou uma mensagem do tenente-general Sir Jacob van Deventer informando-o do armistício. Von Lettow-Vorbeck imediatamente concordou com um cessar-fogo. O local onde o encontro ocorreu, hoje território da Zâmbia, está assinalado pelo Memorial von Lettow-Vorbeck.

Aceitou então as instruções dos britânicos para se dirigir com as suas forças para norte, até Abercorn (actual Mbala) para aí formalmente render o seu exército invicto, o que ocorreu a 23 de Novembro. As suas forças consistiam então de 30 oficiais alemães, 125 sargentos e outros postos alistados e 1 168 askaris.

Após a guerra, von Lettow-Vorbeck organizou esforços diversos para repatriar os soldados alemães que ficaram em África e os prisioneiros que estavam sob controlo dos diversos beligerantes. Também tentou garantir que os soldados e demais colaboradores africanos receberiam tratamento adequado. Conheceu então Sir Richard Meinertzhagen, o oficial dos Serviços Secretos Britânicos com quem travara uma luta pessoal durante o conflito.

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