Paulo Eduardo Artaxo Netto (São Paulo, 25 de janeiro de 1954) é um cientista brasileiro, um dos principais e um dos mais citados físicos do país que atuam na área do meio ambiente e mudanças climáticas. Participa de muitas comissões e painéis científicos de alto nível, desenvolve intensa carreira na pesquisa e tem vasta bibliografia publicada. Recebeu numerosos prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais, incluindo a grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, e fez parte da equipe de colaboradores do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas que em 2007 recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
É filho de Milton Netto, escrivão, e Maria Artaxo Netto, dona de casa. Casou-se com Ana Paula Freire, tendo três filhos, Carolina, Pedro e Sofia. Artaxo demonstrou interesse pela ciência desde a infância. Trabalhou inicialmente como office-boy do cartório onde seu pai trabalhava, e mais tarde ocupou-se como observador meteorológico do Mirante de Sant'Anna.
Depois recebeu toda a sua formação acadêmica na Universidade de São Paulo, da graduação até a livre docência. Sua área de trabalho é a Física, concentrando seus interesses em temas do meio ambiente (especialmente amazônico), mudanças climáticas/aquecimento global e poluição do ar, em que é uma autoridade. Em suas pesquisas de pós-doutorado trabalhou na NASA, na Universidade de Harvard e na Universidade de Antuérpia, no Instituto Max Planck em Mainz, entre outras instituições.
Foi membro da coordenação de Geociências da FAPESP (2000-2008), representante da comunidade científica no Conselho Nacional do Meio Ambiente (2015-2019), vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (2021-2025), representou a SBPC no Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – Rede CLIMA, membro do Conselho da ACIESP e da SBF, presidente do Conselho do IPAM, e presidente do Programa de Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia, um projeto de cooperação internacional. Foi um dos coordenadores do Primeiro Relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, e colaborou na elaboração dos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), recebendo com toda a equipe do IPCC o Prêmio Nobel da Paz em 2007.
É professor sênior no Instituto de Física da Universidade de São Paulo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável, e coordenador do Programa FAPESP de Mudanças Globais.
É membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, do INCT Mudanças Climáticas, do Comitê Diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, do Comitê Orientador do Fundo Amazônia, do comitê de gestão do Fundo Nacional do Meio Ambiente, do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, do Comitê Diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.
Tem desenvolvido insigne carreira na ciência brasileira e é considerado um dos mais influentes e mais citados mundialmente entre os cientistas do país. Publicou mais de 530 trabalhos científicos e apresentou mais de 1,2 mil trabalhos em conferências científicas internacionais. Publicou 35 trabalhos em revistas dos grupos Science e Nature.
Recebeu amplo reconhecimento internacional. Tem mais de 84 mil citações no Google Scholar, com índice H de 132. Tem mais de 65 mil citações de seus trabalhos no ResearchGate, com índice H de 126. Foi incluído na lista da Clarivate Analytics entre os 1% dos pesquisadores mais citados no mundo nos últimos 10 anos. Em 2022 e 2023, foi o cientista brasileiro mais citado na área ambiental, segundo o Research.com. É membro da Associação Americana para o Avanço da Ciência, da Academia Mundial de Ciências, da Academia de Ciências dos Países em Desenvolvimento e de oito painéis científicos internacionais.
Em matéria n'O Estado de São Paulo, Herton Escobar disse que "há muitas maneiras de se medir as qualidades de um pesquisador: número de trabalhos publicados, número de citações, colaborações internacionais, formação de alunos, coordenação de projetos, etc. Mas seja qual for a métrica, é praticamente certo que o nome Paulo Artaxo aparecerá entre os melhores do Brasil — e do mundo. Referência internacional no estudo de aerossóis atmosféricos (micropartículas em suspensão, essenciais para a formação de nuvens e regulação do clima), o professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo foi recentemente apontado como um dos pesquisadores mais influentes do mundo pela empresa Thomson Reuters".
Voto de aplauso do Senado brasileiro pelo seu trabalho científico sobre o meio ambiente na Amazônia (2004).
É membro da equipe do IPCC agraciada com o Prêmio Nobel da Paz (2007).
Prêmio de Ciências da Terra da Academia Mundial de Ciências (2007).
Prêmio Dorothy Stang de Ciências e Humanidades da Câmara de São Paulo (2007).
Título de Doutor em Filosofia Honoris Causa, da Universidade de Estocolmo, Suécia (2009).
Prêmio Fissan-Pui-TSI da International Aerosol Research Association (2010).
Ordem Nacional do Mérito Científico na classe de comendador (2010), promovido para grã-cruz (2018).
Prêmio Almirante Álvaro Alberto, outorgado pelo CNPq, pela Marinha, pelo MCTI e pela Fundação Conrad Wessel (2016).
Prêmio Globo Faz a Diferença (2017).