Paulo César Francisco Pinheiro (Rio de Janeiro, 28 de abril de 1949) é um compositor, letrista, poeta e escritor brasileiro. É reconhecido como um dos mais profícuos letristas da música popular do Brasil, possuindo um catálogo com mais de duas mil composições e estabelecendo parcerias com dezenas de músicos fundamentais do país.
Nascido no Rio de Janeiro, Pinheiro iniciou a sua trajetória autoral de forma precoce. Aos 14 anos, compôs "Viagem", em parceria com o violonista João de Aquino, obra que viria a se tornar um clássico do repertório nacional.
A sua consolidação no mercado musical ocorreu no final da década de 1960, quando iniciou uma profícua parceria com o violonista Baden Powell. Em 1968, a dupla obteve projeção nacional ao vencer a 1.ª Bienal do Samba, promovida pela TV Record, com o samba "Lapinha", defendido na voz de Elis Regina. Em 1972, a dupla venceu o I Festival da OTI (Organização das Televisões Ibero-americanas), realizado em Madrid, com a canção "Diálogo".
Ao longo de sua carreira, construiu um catálogo de parceiros musicais que abrange as mais diversas vertentes da música brasileira, incluindo Antônio Carlos Jobim, Ivan Lins, Edu Lobo, João Nogueira, Francis Hime, Dori Caymmi, Mauro Duarte, Guinga, Eduardo Gudin, Moacyr Luz e Raphael Rabello.
A sua ligação ao universo do samba intensificou-se nas décadas de 1970 e 1980. Foi um dos idealizadores do Clube do Samba, ao lado de João Nogueira, e tornou-se o principal compositor e diretor artístico da cantora Clara Nunes, com quem foi casado de 1975 até ao falecimento precoce da artista, em 1983. Em 1985, casou-se com a cavaquinista Luciana Rabello, sua parceira musical frequente. Deste matrimônio, nasceram os músicos Ana Rabello Pinheiro e Julião Rabello Pinheiro.
A sua obra literária e lírica é também reconhecida institucionalmente. Em 2002, conquistou o Grammy Latino de "Melhor Canção Brasileira" pela faixa "Saudade de Amar", composta com Dori Caymmi e imortalizada na voz de Nana Caymmi. No ano seguinte, em 2003, foi agraciado com o prestigiado Prêmio Shell de Música pelo conjunto de sua obra literária e musical aplicada ao CD O Lamento do Samba.
Como intérprete de suas próprias composições, Pinheiro registou diversos trabalhos fonográficos:
1974 — Paulo César Pinheiro (Odeon)
1975 — O importante é que a nossa emoção sobreviva (com Eduardo Gudin e Márcia) (Odeon)
1976 — O importante é que a nossa emoção sobreviva n. 2 (Odeon)
1989 — Afros e Afoxés da Bahia
1994 — Parceria - João Nogueira e Paulo César Pinheiro - Ao Vivo
1996 — Tudo o que mais nos uniu (com Eduardo Gudin e Márcia)
2003 — O Lamento do Samba (Acari Records / Biscoito Fino)
2000 — Atabaques, Violas e Bambus
2010 — Histórias das minhas canções
2019 — Mil versos, mil canções