Paulo César Leão Ribeiro (Rio de Janeiro, 14 de abril de 1962), é um ator e diretor brasileiro de teatro, cinema e televisão. Premiado internacionalmente pelos filmes Happy Birthday, Good Night, J'Adore Travailler, 59 For 1, I Miss You e pelo clipe In The Stars. Guitarrista e compositor do álbum instrumental Nas Estrelas. Criador do Teatro dos Sentidos. Fundador da Cia. de Teatro Errante e da produtora cinematográfica OlharFilmes/Samsara Film. Atuou nos filmes Policarpo Quaresma e O Enfermeiro e em alguns trabalhos da TV Globo, além de ter atuado no Teatro desde a década de 1970 até os anos 2000.
Paulo Leão nasceu em 1962 no bairro de Botafogo, cidade do Rio de Janeiro. Filho do projetista de hidrelétricas Daltro dos Santos Ribeiro e de Georgette Saraiva Leão.
Como presente de nascimento, Paulo recebeu um berço dado pela atriz Ilka Soares. Na época Ilka era uma estrela do cinema brasileiro e fazia parte do elenco da agência de modelos Socila, onde a mãe de Paulo também trabalhava e assim as duas tornaram-se amigas. Este acontecimento em sua primeira infância despertou no futuro artista a admiração pela famosa atriz e o interesse pelo mundo artístico.
Ainda durante a infância, as artes foram se tornando cada vez mais presentes na vida de Paulo Leão. No início com as aulas de desenho que seu pai mesmo lhe dava e, posteriormente, com a descoberta do teatro, ao atuar em uma apresentação escolar.
Já adulto, Paulo desenvolveu seu trabalho artístico em segmentos diversos.
Ascendência, parentesco e filhos
De ascendência judaica por parte de pai, alguns dos seus ancestrais, ao longo de vários séculos, migraram de Israel, permanecendo na Europa até virem para o Brasil.
Por esta genealogia paterna, Paulo Leão é descendente de Abraham Senior e de Branca Dias, sendo assim parente dos artistas Chico Buarque, Renato Aragão, Marisa Monte, Nelson Rodrigues e Mariana Ximenes, entre outros.
Já pelo lado materno Paulo é descendente direto do rei espanhol Afonso VI de Leão e parente do inventor Santos Dumont.
Tem três filhos: Laura Leão, Mariana Leão e Vitor Leão. Vitor, o mais jovem, segue na atividade artística como guitarrista, compositor e cantor, sendo também conhecido como Vitor Levenhagen.
Paulo Leão estreou quase simultaneamente no teatro e na TV, aos onze anos atuando em uma peça de teatro amador no Rio de Janeiro e aos doze fazendo uma pequena participação no programa humorístico Azambuja & Cia de Chico Anysio na TV Globo. Dos quatorze aos quinze anos frequentou curso livre de teatro no Sesc RJ e aos dezesseis teve seu primeiro contato com o cinema, no curta-metragem Um Lugar de Paz (de J. Thiengo), o que lhe rendeu um Prêmio de Ator Revelação no Festival de Curtas do Rio de Janeiro. Aos dezessete anos foi premiado com bolsa de estudos quando obteve o primeiro lugar na prova de seleção do Curso de Teatro Jayme Barcellos, onde frequentou aulas de voz, corpo e interpretação com vários professores, inclusive com o próprio Jayme Barcellos. Na prova final do curso, em apresentação de um trecho da peça Um Grito Parado No Ar de Gianfrancesco Guarnieri, Paulo foi bastante elogiado pela atriz Ruth de Souza, que era a convidada de honra para o evento. Em decorrência do bom desempenho neste período, foi convidado a atuar na peça teatral Papai Noel Em Família, voltada ao público infantil.
Devido ao sucesso no início da carreira e com a sequência de convites para novos trabalhos como ator e roteirista, interrompeu seus estudos na faculdade de Economia, para dedicar-se integralmente às artes cênicas.
Em 1980 atuou na ópera O Guarani, de Carlos Gomes, com direção de Sérgio Britto, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Esta montagem teve importantes adaptações feitas pelo diretor para demonstrar a situação dos povos indígenas na sua condição de agredidos, expulsos e derrotados.
Neste período Paulo Leão realizou dezenas de trabalhos em Teatro, TV e Cinema, como ator, autor, produtor e diretor. Alguns destes trabalhos, para a TV Globo, foram: novela Vereda Tropical (participação especial); novela Cambalacho (participação especial); seriado Juba & Lula nos episódios O Projeto Nojento e O Gargalhofa no Parque.
Em 1983 integrou-se ao Projeto Manhas de Cabaré, que entre 1983 e 1985 ocupou o Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, atuando no espetáculo: A Travessia do Mar Amarelo, direção de Antônio Grassi e Gilda Guilhon, com textos de William Shakespeare, Artur Azevedo, Albert Camus, Thornton Wilder e Nelson Rodrigues. Nesta peça, pela sua atuação no papel de Peter Quince, na cena de Sonhos de Uma Noite de Verão, Paulo foi elogiado pela atriz Débora Bloch que estava na plateia e ao final da apresentação foi até o camarim parabenizar o ator pelo seu desempenho..
Ainda no Manhas de Cabaré, em 1984, atuou no auto de Natal Céu Azul, com direção de Gilda Guilhon e Buza Ferraz. E no ano seguinte atuou no espetáculo Sapomorfose (Prêmio Inacen de Melhor Espetáculo de 1985), com texto de Cora Rónai, direção de Antônio Grassi, figurino e cenário de Millôr Fernandes. 'Sapomorfose ou O Príncipe Que Coaxava' foi adaptado para o teatro pela própria autora do livro que tem ilustrações do Millôr Fernandes. A peça 'Sapomorfose' foi um grande sucesso de público e de crítica, permanecendo muitos meses em cartaz no Teatro Gláucio Gill sempre com casa lotada.
O Projeto Manhas de Cabaré foi a junção dos grupos O Pessoal do Cabaré com o Manhas e Manias para a ocupação do Teatro Glaucio Gill. Ao mesmo tempo o grupo O Pessoal do Despertar ocupava outro teatro da rede estadual, o Villa-Lobos, também no bairro de Copacabana. Esta época é importante para o teatro no Rio de Janeiro, e marca, de certa forma, o fim da era dos grupos surgidos na década de 70, tais como o Asdrúbal Trouxe o Trombone dirigido por Hamilton Vaz Pereira, O Pessoal do Despertar dirigido por Paulo Reis, O Pessoal do Cabaré dirigido por Buza Ferraz, o Grupo Manhas e Manias dirigido por José Lavigne, etc.
Em 1985, Paulo Leão encenou Os Filhos de Vega, sendo com este trabalho o precursor do Teatro dos Sentidos - método que criou para que a plateia perceba o espetáculo não só pela visão e audição, mas também pelo olfato, tato e paladar - no Teatro Cândido Mendes, Ipanema, Rio de Janeiro.