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Paulo Vanzolini

Zoólogo e compositor brasileiro

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Paulo Emílio Vanzolini (São Paulo, 25 de abril de 1924 — São Paulo, 28 de abril de 2013) foi um zoólogo e compositor brasileiro, autor de famosas canções como "Ronda", "Volta por Cima", "Moda da Onça" e "Na Boca da Noite".

Compôs mais de 70 canções, que já foram interpretadas por grandes nomes da música brasileira, como Chico Buarque, Alcione, Beth Carvalho, Carlinhos Vergueiro, Carmen Costa, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Elis Regina, Elza Soares, Emílio Santiago, Jair Rodrigues, Miúcha, Maria Bethânia, Marlene, Martinho da Vila, Márcia, Nelson Gonçalves, Nora Ney, Paulinho da Viola, Ventura Ramirez e Inezita Barroso.

Foi um dos idealizadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), da qual redigiu o anteprojeto de criação, e ativo colaborador do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo que, com seu trabalho, aumentou a coleção de répteis de cerca de 1,2 mil para 230 mil exemplares.

Adaptou a Teoria dos Refúgios a partir de estudos conjuntos com o geógrafo Aziz Ab'Saber e com o estadunidense Ernest Williams, o que revolucionou a compreensão da evolução dos vertebrados no Brasil.

Nos últimos anos de vida, casado com a cantora Ana Bernardo, já não compunha, mas ainda acompanhava os shows da mulher e frequentava algumas rodas de samba em bares de São Paulo. No dia 25 de abril de 2013, ao completar 89 anos, foi internado no Hospital Albert Einstein por pneumonia. Faleceu 3 dias depois.

Bisneto de um italiano de ideais anarquistas, cofundador da Colônia Cecília, seu pai, o engenheiro Carlos Alberto Vanzolini, foi com a família para o Rio de Janeiro quando Paulo tinha quatro anos. A família voltou para São Paulo dois anos depois, em 1930. Paulo cursou o primário no Colégio Rio Branco e o ginásio em escola pública. onde se formou em 1938. Aos dez anos de idade, Vanzolini visitou o Instituto Butantã, em São Paulo, onde surgiu sua vontade de ser biólogo e estudar répteis. Anos mais tarde, pretendia fazer graduação em zoologia, mas orientado pelo professor André Dreyfuss, fundador do Instituto de Biologia da USP, foi convencido a cursar medicina pois, na época, abriria mais possibilidades para doutorado no exterior.

Então, em 1942, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Nessa época, junto com grupos de estudantes, passou a frequentar as rodas boêmias e a compor seus primeiros sambas.

Em 1944, deixou a casa dos pais e foi morar no Edifício Martinelli, e a trabalhar com um primo, Henrique Lobo, na Rádio América, no programa Consultório Sentimental, de Cacilda Becker. Em seguida, foi convocado para o Exército, interrompendo os estudos. Dois anos depois retomou o curso de Medicina, passou a lecionar no Colégio Bandeirantes e começou a trabalhar no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

Em 1945, serviu na cavalaria do Exército, e fazia patrulha em regiões de prostituição no centro de São Paulo, o que lhe rendeu inspiração para compor o samba-canção Ronda, que só seria gravada 8 anos mais tarde, no disco de Inezita Barroso.Formou-se em medicina em 1947, profissão a qual nunca exerceu, e casou-se em 1948, com Ilze, com quem teria cinco filhos. No ano seguinte, foi para Boston, nos Estados Unidos, onde obteve o doutorado em zoologia pela Universidade Harvard. Especializou-se em herpetologia, ramo da zoologia que estuda répteis e anfíbios.

Em 1951, por insistência do amigo Geraldo Vidigal, publicou pelo Clube de Poesia o livro Lira de Paulo Vanzolini.

Em 1959, o violonista José Henrique, dono da boate Zelão, mostrou o samba "Volta por Cima" ao cantor Noite Ilustrada, que o lançou em 1963, pela Philips, com estrondoso sucesso. Nesse mesmo ano, Paulo Vanzolini foi nomeado diretor do Museu de Zoologia, cargo que exerceu durante trinta anos. Mesmo depois de se aposentar em 1993, continuou trabalhando na instituição. "É a única coisa de que gosto, a única coisa que sei fazer", declarou à revista Scientific American Brasil em 2002.

Em novembro de 1967, Luís Carlos Paraná, da boate Jogral, e Marcus Pereira, dono de uma agência de publicidade, resolveram produzir um LP chamado "Onze Sambas e uma Capoeira" com as composições inéditas de Paulo Vanzolini, conhecidas apenas por seus amigos frequentadores das mesmas rodas de samba.

Paulo Vanzolini morreu no dia 28 de abril de 2013, em São Paulo, aos 89 anos. Ele estava internado desde o dia 25, dia em que completou 89 anos, na UTI do Hospital Albert Einstein, com uma pneumonia extensa.

Criou sambas antológicos e, ao mesmo tempo, uma ciência de altíssimo nível. Não tocava nenhum instrumento, nem lia partitura, e precisava de um músico para colocar em pautas as músicas que tinha na cabeça, tamborilando com os dedos e indicando: “agora mais pra baixo, agora mais pra cima, o som é este”. A canção vinha com a letra, e ia fazendo correções à exaustão, muitas vezes demorando mais de um ano para finalizar uma música. Um dos músicos com os quais traduzia suas músicas era o cantor Adauto Santos, que conheceu na noite. Vanzolini sempre dizia: “Acho que sou o único músico que não conhece a diferença entre tom menor e tom maior”. No documentário "Um Homem de Moral", de 2009, ele deu um exemplo de como concebia as músicas:"Geralmente, aparece uma frase pronta, com letra e música, e depois eu trabalho em cima, com calma e paciência. Quando eu estava em Cláudia, no norte de Mato Grosso do Sul, sentado sozinho na varanda de casa, me veio a seguinte frase na cabeça: "quando eu for, eu vou sem pena. Pena vai ter quem ficar.". Me veio assim, letra e música."

Paulo Vanzolini escreveu também parte da letra de Cuitelinho, uma canção tradicional brasileira recolhida por seu amigo Antônio Carlos Xandó e gravada originalmente em 1974 por Nara Leão.

Relacionamento com outros músicos

Paulo Vanzolini era amigo de infância da família Buarque de Holanda, e frequentava a casa de Sérgio Buarque e de Chico Buarque, e contou isso em entrevista ao Antônio Abujamra, no programa Provocações, em 2004: "A casa de Sérgio Buarque era o lugar mais intelectual e simpático que já vi, sem pretensão, sem firula. Era um lugar maravilhoso, e a turma que se reunia lá era fantástica. Chico cresceu no meio disso, escutando conversas, e levou uma vantagem danada. Agora, se ele (Chico) não tivesse o talento que tem, vantagem cultural não adiantaria de nada."

Paulo Vanzolini e Adoniran Barbosa, os dois compositores mais famosos na criação de personagens e da alma paulistana, eram amigos e se admiravam mutuamente. Vanzolini considerava Adoniran como um "fora de série", o grande cronista da cidade, e o chamava de “Seu Barbosa”, compondo em sua homenagem uma canção homônima. Adoniran, por sua vez, o admirava e dizia: “Ele é um homem de saber, um doutor, sabe falar direito”.

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