Paulo Victor Barbosa de Carvalho, ou simplesmente Paulo Victor (Belém, 7 de junho de 1957), é um ex-futebolista brasileiro que atuava como goleiro.
Início, no futebol brasiliense
Embora nascido na capital do Pará, Paulo Victor mudou-se ainda com um mês de vida para Goiânia e, com três anos de idade, sua família se realocou novamente, em Brasília. Crescido na capital brasileira, foi jornaleiro antes de iniciar sua carreira na equipe local do CEUB, em 1974.
A equipe universitária converteu-se no início da década de 1970 no único clube brasiliense de futebol profissional, representando o Distrito Federal nas edições de 1973, 1974 e 1975 do Brasileirão. Paulo Victor foi promovido ao time principal exatamente no que acabou sendo a derradeira participação do CEUB no certame, em 1975.
O CEUB teve um desempenho elogiável, logrando pontos fora de casa contra Grêmio e Portuguesa, mas insuficiente para avançar à segunda fase e declinando na repescagem. Em 1976, o campeonato do Distrito Federal voltaria a ser profissional e seu campeão seria o representante local no Brasileirão daquele ano. O CEUB venceu os dois primeiros turnos, o que ainda não bastava para finalizar o torneio, significando apenas pontos extras para um terceiro e último turno, cujo calendário não conciliaria com a realização do campeonato nacional na visão da Confederação Brasileira de Desportos. Ela exigiu a criação de um torneio extra e rápido para definir o representante, acertando que o campeão distrital de 1976 teria reservada a vaga no Brasileirão de 1977. O vencedor do torneio extra foi o Brasília.
O CEUB não aceitou, criando uma demanda judicial que acabaria por fazer a vaga brasiliense ser repassada ao Estado de São Paulo, e desinteressou-se em continuar a participação no certame distrital de 1976. Seus pontos foram anulados e o torneio adiante foi vencido pelo Brasília, que viria a absorver os nomes revelados pelo CEUB, dentre eles o de Paulo Victor.
Depois de passar por outros pequenos clubes, o goleiro, que tinha por costume usar camisas de tom azul, foi contratado em 1981 pelo Fluminense, iniciando marcante trajetória no clube.
Foi tricampeão carioca em 1983/1984/1985 e campeão brasileiro de 1984, tendo tido no Campeonato Brasileiro de 1984 uma média de apenas 0,5 gols, com 12 gols tomados em 24 jogos, a média de gols mais baixa dos goleiros do Fluminense em campeonatos brasileiros. Carismático com a Torcida Tricolor, tornou-se o segundo goleiro que mais defendeu as cores da equipe, atrás apenas de Castilho.
Entre 1981 e 1988, disputou 361 partidas pelo Fluminense, com 174 vitórias, 109 empates e 78 derrotas, sofrendo 286 gols, média de apenas 0,79 por partida. Contra o Flamengo entrou em campo 23 vezes, com oito vitórias, dez empates e cinco derrotas.
Disputou oito jogos pela Seleção Brasileira e foi à Copa do Mundo de 1986, como reserva de Carlos.
Já veterano, Paulo Victor defendeu pela primeira vez equipes da terra natal, jogando pelos dois principais clubes do Pará. Em 2026, relembrou que nunca ter jogado ali até então serviu de motivação: "Eu tinha duas propostas, uma para ir para o Ceará e outra para o Remo. Eu pensei: 'eu nasci em Belém, então vou lá conhecer a minha cidade'. Jogar um Re-Pa no Mangueirão é uma coisa de louco".
Como remista esteve na campanha que ascendeu os azulinos à primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol; foi na segunda divisão de 1992, na edição em que doze times foram promovidos em regulamento interpretado como que feito para beneficiar o Grêmio. Por mais de trinta anos, aquela campanha foi a última a colocar o Remo na Série A, até o acesso de 2025 devolver o time à elite pela primeira vez desde 1994.
Paulo Victor, porém, não continuou no Baenão para 1993; veio a defender na sequência da carreira o rival Paysandu, sem ter o mesmo êxito. Possuía proposta paralela do Fortaleza, mas, já acostumado a Belém, onde morava em casa de praia no Mosqueiro, optou por ir à Curuzu. Como bicolor, teve estadia de altos e baixos, optando por encerrar o contrato ao sentir-se desprestigiado quando comunicaram-lhe que iria à reserva.
Em 1994, seu último ano como jogador, jogando pelo Volta Redonda, defendeu um pênalti contra seu clube de coração, o Fluminense, cobrado pelo atacante Ézio, e foi ovacionado pela torcida rival.
Após parar de jogar, o ex-goleiro chegou a ser comentarista esportivo em Brasília, pelo canal SporTV. Também trabalhou na Secretaria de Esportes do Governo do Distrito Federal. Atualmente, reside em Uberlândia.
Campeonato Carioca: 1983, 1984 e 1985;
Torneio de Paris de Futebol: 1987;
Campeonato Brasileiro da Série B: 1990;