Paulo (em grego: Παῦλος; romaniz.: Pávlos) (Atenas, 14 de dezembro de 1901 – 6 de março de 1964), foi Rei da Grécia e Príncipe da Dinamarca. Era o terceiro filho varão do rei Constantino I e de Sofia da Prússia e sucedeu seu irmão Jorge II no trono grego em 1947, reinando até sua morte. É pai da rainha emérita Sofia da Espanha e avô de Filipe VI, atual rei da Espanha.
Paulo cresceu num período de grande instabilidade na Grécia. Exilado com seus pais entre 1909 e 1911, o príncipe testemunhou em seu retorno o desenrolar do chamado "Cisma Nacional", que culminou com a abdicação de Constantino I durante a Primeira Guerra Mundial, em 1917. Após retornar de seu segundo exílio (1917-1920), a Grécia mergulhou em uma nova crise causada pela derrota na guerra contra a Turquia, em 1922. No ano seguinte, a república foi proclamada em Atenas e Paulo voltou a tomar o caminho do exílio. Privado de sua nacionalidade grega, ele recebeu um passaporte dinamarquês e viveu sucessivamente na Romênia, no Reino Unido e na Itália.
Sem ocupar nenhuma função ou posição oficial, Paulo passou por treze anos de relativa ociosidade, estudando piano, viajando incógnito num longo cruzeiro pelo Mar Egeu, frequentando clubes britânicos e também trabalhando como simples aprendiz de mecânica na indústria aeronáutica. Sua situação evoluiu em 1935, com a restauração de seu irmão, o rei Jorge II, no trono grego. Como o soberano não tinha filhos, Paulo recuperou a posição de príncipe herdeiro e passou a ser pressionado a se casar para consolidar a dinastia. Ele anunciou em 1936 seu noivado com a princesa Frederica de Hanôver, o que gerou preocupação nas chancelarias ocidentais, que temiam que com este casamento o príncipe se tornasse um fantoche da Alemanha Nazi. A eclosão da Segunda Guerra Mundial, no entanto, tranquilizou os Aliados quando ficou claro que nem Paulo nem Frederica desejavam uma aliança com Hitler.
Após servir na frente de batalha em Epiro entre 1940 e 1941, Paulo deixou a Grécia com sua família durante a invasão do país pelas forças do Eixo. Apoiando o governo grego no exílio (presidido por Jorge II), Paulo passou o período da guerra entre Londres e o Egito, enquanto sua esposa e seus filhos buscaram refúgio na África do Sul. No final do conflito, a Grécia sofreu divisões políticas que levaram a uma brutal guerra civil, que impediu o retorno da família real ao país até 1946.
Em 1947, Jorge II morreu e seu irmão subiu ao trono. Desde o início, seu governo foi marcado pela Guerra Fria e pela oposição entre comunistas e conservadores. Com o término da guerra civil em 1949, Paulo trabalhou para reconstruir seu país e fortalecer os laços da Grécia com o bloco ocidental (Estados Unidos, Reino Unido) e seus vizinhos diretos (Turquia, Iugoslávia). Esta política de aproximação, no entanto, atinge seus limites após o início da crise de Chipre. A partir de 1950, o país experimentou um boom econômico e o turismo desenvolveu-se. No entanto, as tensões políticas permaneceram fortes, especialmente porque Paulo não hesitava em se opor ao governo eleito e era por vezes autoritário.
Nascido no Palácio Real de Tatoi, Paulo era o quarto filho (terceiro varão) do rei Constantino I da Grécia e sua esposa, a princesa Sofia da Prússia, filha do imperador alemão Frederico III e de Vitória, Princesa Real do Reino Unido. Dessa forma, o príncipe tinha a peculiaridade genealógica de ser o bisneto do rei Cristiano IX da Dinamarca – apelidado de "sogro da Europa" – e da rainha Vitória do Reino Unido – apelidada de "avó da Europa".
Membro de uma família cosmopolita com raízes na Alemanha, Dinamarca e Rússia, Paulo tinha o inglês como língua nativa e aprendeu o grego moderno apenas como segunda língua.
Como terceiro filho do príncipe herdeiro Constantino, Paulo não estava destinado a ascender um dia ao trono helênico, e por isso sua formação foi mais sucinta do que aquela destinada a seus dois irmãos mais velhos. Sua educação teve a supervisão de tutores estrangeiros (principalmente do Dr. Hoenig, capelão pomerano de sua mãe) e professores universitários gregos escolhidos por seu bisavô, o rei Jorge I. A pedido de Sofia, a formação de Paulo também foi complementada entre 1911 e 1914 por cursos de verão na Saint Peter's Preparatory School for Young Gentlemen em Eastbourne, um internato destinado aos filhos da alta sociedade britânica. Aluno mediano nas disciplinas acadêmicas, o príncipe destacou-se sobretudo pela sua aptidão em trabalhos manuais, como a carpintaria.
Constantino havia destinado seu terceiro filho à carreira na marinha e chegou a entrar em negociações junto ao governo inglês para que Paulo pudesse ingressar na Marinha Real Britânica como cadete do Real Colégio Naval Britannia de Dartmouth ou do Real Colégio Naval de Osborne. Apesar do entusiasmo do jovem, que tinha grande interesse pelo mar, o projeto não pode se concretizar devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial.
Do "Golpe de Goudi" às Guerras Balcânicas
Em 1909, Paulo tinha sete anos quando um grupo de oficiais gregos reunidos na "Liga Militar" organizou um golpe contra o governo de seu avô, o rei Jorge I. Esse evento ficou conhecido como "Golpe de Goudi", em referência ao bairro ateniense onde se localizava o quartel sublevado. Embora se declarassem monarquistas, os membros da Liga, liderados por Nikólaos Zorbás, exigiam que o soberano exonerasse seus filhos do exército. Oficialmente, os militares alegavam querer proteger a família real de ressentimentos provocados pela proximidade dos príncipes com alguns oficiais. No entanto, a realidade é que os insurgentes responsabilizavam o príncipe herdeiro Constantino pela humilhante derrota sofrida pela Grécia contra o Império Otomano em 1897 e consideravam que a família real monopolizava indevidamente os postos de comando do exército.
Neste ambiente turbulento, os príncipes renunciaram aos seus postos militares para evitar o constrangimento de serem destituídos pelo rei. Alvo das críticas mais severas, Constantino e sua esposa também deixaram a Grécia com seus filhos, indo buscar refúgio juntos aos Hohenzollern na Alemanha. A família passou vários meses no palácio da princesa Margarida – irmã mais nova da princesa Sofia – em Kronberg.
O exílio da família principesca estendeu-se até 1911, quando o novo primeiro-ministro grego, Eleftherios Venizelos, reintegrou os príncipes aos seus postos no exército. Pouco depois, entre 1912 e 1913, eclodiram as Guerras Balcânicas, ao final das quais o reino da Grécia conseguiu duplicar o tamanho do seu território. Durante esses conflitos, e apesar de contar apenas onze anos de idade, Paulo serviu pela primeira vez como cadete da marinha helênica.
A Primeira Guerra Mundial e suas consequências
O "Cisma Nacional" e a queda de Constantino I
Ao assumir o trono após o assassinato de Jorge I em 1913, o pai de Paulo procurou manter a Grécia em posição de neutralidade durante a Primeira Guerra Mundial. O novo monarca considerava que seu país não estava preparado para participar de um novo conflito apenas um ano após o término da Segunda Guerra Balcânica. Entretanto, sua ligação com o kaiser Guilherme II - seu cunhado - e seu treinamento na Alemanha levaram os opositores de Constantino a acusá-lo de apoiar as potências centrais e de desejar a derrota dos Aliados. Logo o soberano rompe com o primeiro-ministro Eleftherios Venizelos, que está convencido da necessidade de apoiar os países da Tríplice Entente para unir as minorias gregas do Império Otomano e dos Balcãs ao reino grego. Protegido pelos países da Entente - em particular pela França -, o político cretense formou em outubro de 1916 um governo paralelo ao do monarca em Tessalônica. O centro da Grécia foi então ocupado pelas forças aliadas, levando o país à beira de uma guerra civil: o "Cisma nacional". Apesar dessas dificuldades, agravadas pelos problemas de saúde do soberano, Constantino I recusou-se a mudar sua política e enfrentou a oposição cada vez mais clara da Entente e dos venizelistas.
Finalmente, em 10 de junho de 1917, Charles Jonnart, o Alto Comissário da Entente na Grécia, ordenou ao rei que deixasse o poder. Sob a ameaça de um desembarque de aliados no Pireu, o soberano concordou em seguir para o exílio sem abdicar oficialmente. Como o acordo não visava estabelecer uma república na Grécia, um dos membros de sua família deveria sucedê-lo. Por sua vez, o príncipe herdeiro Jorge também foi considerado excessivamente germanófilo por, assim como seu pai, ter feito seu treinamento militar na Alemanha. O príncipe também era considerado um tanto flexível, apesar de ser exatamente um soberano fantoche que os inimigos de Constantino queriam levar ao trono. Após alguma hesitação, Venizelos e a Entente finalmente decidiram pelo outro irmão de Paulo, o príncipe Alexandre, como o novo rei dos helenos.