Pedro Froilaz de Trava (Laxe, c. 1075 - 1128), conde de Traba, foi um personagem fundamental na história da Galiza, por lhe ter sido encomendada a educação do futuro rei Afonso VII e pela sua colaboração com o bispo Diego Gelmírez na política galega da época.
Foi filho de Froila Bermúdez e Elvira de Faro Criou-se na corte do Rei Afonso VI e casou pela vez primeira antes de 1088 com Urraca Froilaz filha do conde Froila Arias e de Ardiu Didaci, descente do conde galego Menendo González, o tutor do rei Afonso V, que ademais era neto de Hermenegildo Guterres e sobrinho de São Rosendo. Os domínios do casal incluíam um extenso território entre Noia e Ortigueira, basicamente a parte da província da Corunha entre o rio Tambre e o mar, o qual origina o nome de Conde de Trastâmara. Fizeram numerosas doações à igreja e a ordens religiosas.
Pedro Froilaz descendia de uma linhagem com vocação de domínio na Galiza e de enorme influência na corte de Leão. Por sua vez, Urraca Froilaz pertencia a uma família não menos importante, ainda que dois acontecimentos trocassem a posição hegemônica desta família:
O encarceramento de D. Garcia da Galiza, a quem Froila Bermúdez apoiara, por parte de Afonso V;
A derrota do conde galego rebelde Rodrigo Ovéquiz também por Afonso VI de Leão.
Isto obrigou a família magnatícia dos Trava a recompor seu rol de influência no espaço político galaico. Deste jeito, D. Pedro Froilaz sabe que para mantê-lo tem que se erigir no sustentador e homem de confiança do conde Raimundo de Borgonha, a quem Afonso VI cedera o governo do reino da Galiza. O grau de independência deste conde e o seu poder militar davam possibilidades de progresso social e político aos Trava, máxime quando o âmbito de intervenção de Raimundo, para além da própria Galiza, o ia tornando no mais sério candidato à sucessão de Afonso VI.
Os amplos domínios de Pedro a Norte do rio Tambre (o condado de Trastâmara) garantiam a Raimundo fidelidade de todas as vilas desde o porto de Noia até ao golfo Ártabro.
No território da Galiza, aparece co-assinando os documentos de Raimundo: em 1095 colocou a sua assinatura na concessão de um salvo-conduto aos mercadores de Santiago de Compostela. Em 1096 fez o mesmo numa concessão de Raimundo em prol de bispado de Mondoñedo. Em 1096 aparece numa permuta de vilas entre Raimundo e o mosteiro de Carboeiro. Em 1107, participa numa escritura de doação de Raimundo à Igreja de Santiago. Assim mesmo, dá justiça no nome do rei mesmo fora da Galiza.
A sua posição proeminente ficou plenamente demonstrada quando, em 1105, Raimundo de Borgonha e sua mulher Urraca I, filha de Afonso VI, lhe confiam a educação do seu filho Afonso Reimúndez, o futuro Afonso VII, passando a ser o seu aio.
Em 1107, já agonizante, Raimundo chamou os que lhe eram leais, confirmou a tutoria do seu filho ao seu principal valedor, Pedro, e solicitou deles a máxima lealdade para quem deveria ser o novo soberano da Galiza.
Nesse momento a liderança da Galiza por Pedro Froilaz é total e sem intermediários. A partir de 1107 assina como conde da Galiza. Em 1108 assina uma doação ao mosteiro de Caaveiro como principis Gallecie.
Urraca, falecido também seu pai, olhava já pelos seus destinos à frente de todos os territórios da coroa de Leão e, precisada de apoios, casava com Afonso I de Aragão e Navarra. Este se fez dono de Castela e Leão, provocando a imediata reação de Pedro Froilaz. Aglutinando ao mais granado da nobreza galega, proclamou como rei da Galiza a Afonso Raimúndez, seu protegido em 1109. Apoiava-se no testamento de Afonso VI. Nele garantia-se a soberania do seu neto sobre Galiza no caso de Urraca voltar a casar, tal como acontecera.
Tropas castelãs, leonesas e aragonesas mandadas por Afonso o Batalhador invadiram Galiza, e venceram em Monterroso ao exército galego do conde Pedro. A violência das tropas do aragonês restaram-lhe apoios na Galiza. Isto permitiu a Pedro Froilaz recuperar-se e, em três meses, voltar a ficar com o controlo da Galiza (Abril de 1110) e expulsar as forças invasoras.
Pactuou com Henrique de Borgonha, conde de Portugal, uma aliança contra o novo soberano de Leão e Castela. Iniciou uma ação de encarceramento dos nobres que não reconheciam ao seu protegido. Só Arias Pérez conseguiu uma importante liberdade de movimentos até o ponto de raptar o rei menino e encerrá-lo em Pena Corneira. Arias Pérez, porém, estava só e teve que pactuar a libertação do seu cativo em troca da sua própria liberdade.
Vistos os riscos que se corriam, Pedro Froilaz chegou a travar uma aliança com o poderoso bispo de Santiago Diego Gelmírez com o objetivo de coroar solenemente a Afonso Raimundez e consolidar sua soberania sobre o Reino da Galiza. Em efeito, a 17 de Setembro de 1111 o rei menino era coroado com toda a honra de um novo monarca na catedral compostelana, em presença submissa de todos os magnatas do Reino da Galiza.
Pedro Froilaz passou, pois, de aio a mordomo real; e dada a curta idade do novo monarca, a regente dos destinos da Galiza. Nesse momento, entrava em crise o matrimônio entre Urraca e Afonso de Aragão, pelo qual Pedro Froilaz pôs-se à frente das suas tropas para levar seu protegido à cidade de Leão. Mas o aragonês saiu à altura de Astorga ao encontro da expedição e derrotou as tropas galegas na encarniçada batalha de Viandangos. Pedro Froilaz foi feito prisioneiro e deve pagar um resgate pela sua liberdade. Urraca voltaria a se reconciliar com o seu homem. Gelmírez e Pedro Froilaz compreenderam que era preciso um entendimento com a rainha para manter suas ânsias e seu predomínio na Galiza.
Urraca quis fazer patente que Galiza, quando menos teoricamente, continua sendo uns dos seus reinos e para isto procurou tal reconhecimento sem despertar oposição nos senhores da mesma: em 1112, assinou um diploma doando a Pedro Froilaz importantes posses a Sul do Tambre (no vale do Deza e no Salnés).
Pedro Froilaz nesse momento aparecia como defensor de Urraca no quadro de um novo desencontro desta com o seu homem. Foram as tropas galegas as que protagonizaram o sítio deste em Carrión, e as que puseram as terras leonesas sob comando da rainha. Mas esta não tardaria em voltar aos braços do batalhador. Volveram a rainha leonesa e o rei aragonês a inimizar-se e, uma vez mais, Diego Gelmírez e Pedro Froilaz capitaneiam um exército que persegue a Afonso o Batalhador em Atapuerca e derrotam-no em Burgos (ano 1113), compensando, segundo a História Compostelana, a covardia das tropas castelhanas, submissas e espantadiças frente à violência do aragonês.