Neste Dia

Pedro Petrone

Futebolista uruguaio

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Pedro Petrone Schiavone (Montevidéu, 11 de maio de 1904 - 13 de dezembro de 1964) foi um futebolista uruguaio que jogava como centroavante.

El Perucho fez parte da chamada Celeste Olímpica, conquistando, entre outros títulos, o bicampeonato olímpico em 1924 (em que foi artilheiro e autor do primeiro gol da final) e 1928. Petrone também brilhou na Copa América. Foi o primeiro jogador a ser artilheiro de mais de uma edição e ainda é o único artilheiro três vezes da competição, em 1923, 1924 (quando também foi eleito o melhor jogador) e 1927, sendo campeão nessas duas primeiras e vice na terceira. É o sexto maior artilheiro do torneio, com dez gols.

Também ganhou a primeira Copa do Mundo em 1930, mas com uma lesão permitindo-lhe jogar somente a estreia. Com uma posterior carreira de sucesso na Itália, com uma artilharia na Serie A, foi um primeiro exemplo de campeão de Copa do Mundo consagrado internacionalmente sem exatamente brilhar no torneio, como Pepe (1958 e 1962), Günter Netzer (1974), Franco Baresi (1982), Ricardo Bochini (1986), Raí (1994), Kaká (2002), Francesco Totti (2006) ou Fernando Torres (2010).

Petrone defendeu os dois clubes do Superclásico e em ambos conseguiu média de um gol por jogo ou superior: no Nacional, onde é considerado um dos maiores ídolos da história, foram 148 jogos em 130 partidas, enquanto em sua rápida passagem pelo Peñarol acumulou precisamente sete gols nos sete jogos que realizou.

Notável centroavante, artífice das grandes conquistas uruguaias da década de 1920, começou no terceiro quadro do pequeno Solferino, aos 16 anos, atuando como goleiro. Em 1923, passou ao Charley, ainda como goleiro, mas passando ao ataque quando o time necessitava. O clube não saía das últimas colocações, mas, após somente sete jogos pelo Charley, Petrone recebeu sua primeira convocação à seleção uruguaia, disputando a Copa América daquele ano.

Ainda como jogador do Charley, Petrone disputou também as Olimpíadas de 1924. Após a conquista olímpica, solicitou transferência ao Nacional, uma de suas vítimas pelo Charley.

O Nacional havia sido campeão uruguaio daquele 1923. Seu centroavante Ángel Barlocco era festejado e jogador de seleção, mas se veria ofuscado com a chegada de um jogador ainda mais fenomenal que era Petrone. Quando Petrone chegou, o clube comemorava as bodas de prata de sua fundação em 1899 e a vinda do reforço, que havia sido o artilheiro das Olimpíadas, foi considerada "o passe que revolucionaria" o campeonato, embora o Nacional tenha também naquele ano recebido Héctor Castro: na edição de 1924 do torneio uruguaio, iniciado ainda enquanto as Olimpíadas ocorria, Petrone jogou somente doze das 22 partidas e marcou vinte gols. Nas nove partidas prévias à sua estreia, o clube não conseguira somar mais de dois gols por jogo. Depois dela, a soma superior a dois gols veio em onze jogos. No único em que isso não ocorreu, contra o Rampla Juniors, foi de Perucho o gol da vitória de 1-0 fora de casa. Já a equipe do Charley, que não voltou a jogar a elite uruguaia após 1924, foi a única que ele não enfrentou,

No Nacional, desenvolveu parceria notável com Héctor Scarone, com a mídia uruguaia assegurando que eles foram os precursores da jogada conhecida como "tabela". "A Petrone só se tem que passar-lhe a bola e olhar o centro do campo: é gol", dizia Scarone. Dono de grande condição física, Petrone firmou-se com um centroavante de piques avassaladores e arremates potentes e precisos. Mudou também a concepção tática que predominava até então, a do ataque em leque, com os meias abertos e em dupla enquanto o centroavante se recuava para comandar o ataque. No ano de 1925, o clube faria uma excursão consagradora à Europa. No ano seguinte ao primeiro ouro olímpico do futebol uruguaio e sul-americano, a viagem confirmou o valor do futebol uruguaio. 700 mil pessoas viram o Nacional ao longo de 38 partidas. Foram 130 gols marcados, somente 30 sofridos, com 26 vitórias e somente cinco derrotas.

Petrone era a grande sensação, com quinze gols em seis jogos, mas rompeu os meniscos contra o Barcelona,com quem os tricolores empataram em 2-2. Enquanto pôde jogar, Petrone destacou-se sobretudo ao marcar os cinco gols de um 5-0 no combinado da Normandia. Também causou primeira impressão em solo italiano, onde futuramente se destacaria, com um gol na vitória por 3-0 em Gênova sobre o Genoa, dono de dois títulos italianos nas três temporadas anteriores e maior campeão do calcio naquela época.

A séria lesão fez com que Petrone só se recompusesse no ano de 1927, ainda perigoso, mas com rendimento ligeiramente menor, já não sendo capaz de cronometrar onze segundos em um pique de cem metros. Por causa dela, o colega Héctor Scarone, que armava-lhe o jogo, assumiu maior responsabilidade goleadora. No ano seguinte, Petrone pôde ir às Olimpíadas de 1928 e enfrentou novamente o Barcelona, dessa vez no estádio Gran Parque Central. Marcou o segundo gol na vitória por 3-0.

Desde a lesão de Petrone, em 1925, o Nacional não conseguia o título uruguaio, ficando sem ganha-lo entre 1924 e 1933, ainda que não houvesse campeonato em 1930 em função de realização, no país, da primeira Copa do Mundo. O Nacional era a base da seleção, incluindo Petrone. Uma lesão na estreia o impediu que se sobressaísse na campanha vitoriosa. Mas ele ainda pôde voltar a jogar em 1930, defendendo o Nacional até 2 de novembro daquele ano.

No primeiro semestre de 1931, apesar da identificação com o Nacional, Petrone reforçou o arquirrival Peñarol, ainda que somente em amistosos. Foram sete partidas, entre 22 de março e 18 de julho, e exatamente sete gols marcados como jogador aurinegro. Para o segundo semestre, o atacante então seguiu carreira na Fiorentina.

Fundada em 1926, a equipe violeta participava pela primeira vez da elite do campeonato italiano e a contratação do uruguaio foi a primeira de um estrangeiro na história do clube. Petrone foi também o autor do primeiro gol do estádio Artemio Franchi, na época ainda nomeado Giovanni Berta. Sua estreia foi em amistoso no qual marcou os onze gols em vitória por 11-0. O time estreante ficou em um honroso quarto lugar e Petrone foi o artilheiro do torneio, com 25 gols (apenas um de pênalti) em 27 jogos, ao lado de Angelo Schiavio. Foi o primeiro uruguaio a se destacar largamente no calcio. Os 25 gols lhe foram por oitenta anos um recorde exclusivo para um uruguaio em uma só temporada na Itália, até serem igualados em 2011 por Edinson Cavani.

Em sua segunda temporada, Petrone foi deslocado de centroavante para meia-direita pelo técnico Hermann Felsner. Ainda assim, marcou doze vezes. Mas, embora amado em Florença, o jogador estava repleto de insatisfações, desde ao ambiente político do país a saudades da terra natal, como também à mudança de posição, desentendendo-se com o técnico Felsner. Foi multado com um mês sem salário e afastado do elenco. Resolveu então sair à força da Fiorentina, voltando ao Nacional em 1933.

Suspensão e aposentadoria como campeão na volta ao Uruguai

Petrone chegou aos tricolores juntamente com José Nasazzi e Domingos da Guia. A campanha encerrou jejum tricolor que perdurava desde 1924. Perucho foi o artilheiro do elenco, com 17 gols, ainda que não pudesse disputar o campeonato até o fim. Aquela edição do campeonato uruguaio foi a mais longa da história, com Nacional e Peñarol terminando empatados na temporada regular, forçando a realização já no ano de 1934 de diversas finais empatadas, até o Nacional enfim vencer por 3-2 o quarto jogo-extra, já em novembro, enquanto o campeonato próprio pelo ano de 1934 já estava em andamento desde julho.

Petrone havia sido suspenso pela FIFA no início de 1934 após denúncia da Fiorentina pelo abandono irregular do centroavante antes do fim do contrato. Com isso, ficou todo aquele ano sem defender o Nacional: sua penúltima partida como tricolor ocorrera em 17 de dezembro de 1933, voltando ele a campo para um jogo final em 13 de janeiro de 1935, em amistoso contra a equipe argentina do Gimnasia La Plata. Ainda assim, batizou de Fiorentina o haras que montou após passar a dedicar-se ao turfe, sua outra paixão, compartilhada com o amigo Carlos Gardel. No Nacional, foram 148 gols em 130 jogos. Na Fiorentina, 37 gols em 44 partidas.

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