Képler Laveran de Lima Ferreira ComM, mais conhecido como Pepe (Maceió, 26 de fevereiro de 1983), é um ex-futebolista luso-brasileiro que atuava como defesa central.
Formado nas categorias de base do Corinthians Alagoano, com dezessete anos deixou Alagoas, terra onde nasceu, em busca de oportunidades para uma vida melhor em Portugal.
Recebeu em 2001 a oportunidade de jogar pelo Marítimo B. Se destacou no Marítimo, e na temporada 2004–2005, após duas boas temporadas nos Leões da Madeira, transferiu-se para o Porto em 2004. Em 2007, obteve a cidadania portuguesa.
No dia 10 de julho de 2007, foi contratado pelo Real Madrid por cinco temporadas.
De acordo com o próprio defensor, o Real Madrid "era um cemitério de zagueiros" quando ele chegou na Espanha. Os centrais anteriores ainda não tinha conseguido se firmar de maneira positiva no Santiago Bernabéu, mas, assim que Pepe pôde performar frequentemente no clube Merengue, as coisas mudaram. Ele e Sergio Ramos, que era um lateral direito até Vanderlei Luxemburgo firmá-lo no meio da defesa, formaram uma das duplas mais memoráveis da história do time da capital espanhola.
A estreia do zagueiro aconteceu no dia 11 de agosto de 2007, na Supercopa da Espanha daquele ano. Nos dois jogos, o time de Madrid perdeu para o Sevilla, tendo, no jogo final, Pepe recebido seu primeiro cartão vermelho em solo espanhol. Futuramente, Képler iria receber mais cinco somente enquanto defendia o Real Madrid.
Pepe teve a oportunidade de disputar a Supercopa da Espanha novamente em 2008, 2011, 2012 e 2014. Vencendo em 2008, ao derrotarem o Valencia pelo placar agregado de 6 a 5, e em 2012, no El Clássico.
Na competição, Pepe não marcou gols, mas pôde dar três assistências para seus companheiros estufarem as redes de Víctor Valdés nos jogos marcantes contra o Barcelona.
Seu primeiro troféu oficial com a equipe aconteceu na La Liga de 2007–08, justamente em seu debut como defensor na equipe. Nessa edição, Képler ficou algumas partidas sem entrar em campo no início da época, tendo feito apenas 19 jogos ao todo, mas se firmou na metade do Campeonato e ajudou o seu time a conquistar o troféu.
Pela La Liga, foi um atleta de destaque, apesar de nem todos serem positivos. Pepe ficou marcado como um dos melhores zagueiros de sua geração, tendo sido muito efetivo em suas dez edições jogadas pelo Campeonato Espanhol. Porém, apesar de todo seu prestígio como defensor, era acometido muitas vezes por lesão, que o impediam de fazer mais jogos, e incentivaram o Real Madrid buscar opções viáveis para o centro de defesa. Fabio Cannavaro, Nacho, Ezequiel Garay, Raúl Albiol e Raphaël Varane foram algumas das opções frequentemente usadas por diversos treinadores nas ausências de Képler no time branco.
Pepe também se ausentou do time espanhol por suspensões. O atleta, por conta de seu estilo de jogo baseado no corpo, recebia cartões amarelos e vermelhos em variadas partidas, mas sua suspensão mais forte aconteceu em 2009, quando derrubou um jogador do Getafe na 32ª rodada da La Liga. O adversário estava no chão, e Képler o chutou, e o juiz da partida deu-lhe o cartão carmesim; o português socou outro jogador do time que ele enfrentava na sequência e ofendeu o árbitro da partida no mesmo instante. Todos esses acontecimentos acarretaram em uma suspensão por dez jogos: uma pele falta que causou o pênalti, quatro pela agressão a Casquero quando estava no chão, quatro pela agressão a Albín e uma pelos insultos contra a arbitragem.
Pouco após o seu retorno aos gramados do Campeonato Espanhol, Pepe marcou seu primeiro tento com a camisa do Real naquela competição. Em uma partida diante o Sevilla, Guti cobrou um escanteio e coube ao zagueiro cabecear para dentro das redes de Andrés Palop. O jogo, porém, terminou com a vitória do time adversário, pois eles marcaram dois gols na partida.
Seu momento, no entanto, foi novamente interrompido. Esta era sua segunda partida desde a volta da suspensão, e Képler demorou apenas mais nove partidas até sofrer uma forte lesão na rotura do ligamento cruzado anterior do joelho direito. Isso fizera com que ele perdesse toda temporada, retornando só na segunda rodada da próxima edição da La Liga.
No segundo jogo após retorno, bem como no passado, marcou novamente um gol. Cristiano Ronaldo cobrou uma falta e o zagueiro, novamente de cabeça, estufou as redes de Claudio Bravo, quando ele defendia a Real Sociedad. A partida terminou 2 a 1 para os Merengues, mas a temporada daquela Liga terminou, novamente, sem troféu para ele. Mesmo não obtendo mais um título de Campeonato, o contrato de Pepe foi renovado em 2011.
Na La Liga de 2011–12, Pepe fizera seu maior número de jogos até aquele momento. Com 29 partidas, ele foi um consistente zagueiro que ajudou no título do Campeonato que viera no fim da época. A equipe, comandada por José Mourinho, fez história ao alcançar os 100 pontos, além de ter marcado 121 tentos. Pepe foi responsável por balançar as redes uma vez em um 7 a 1 diante o Osasuna em 6 de novembro de 2011. Este foi o terceiro gol do jogo, e segundo do Real Madrid.
Apesar de ainda ser um defensor frequente no plantel Merengue, Pepe só viria a levantar seu terceiro, e último, troféu de Campeonato Espanhol em 2017. O time de Zinédine Zidane chegou aos 93 pontos, superando em três a equipe Culé comandada por Luis Enrique, e garantiu a última conquista espanhola de Képler. Nesse momento, o português já estava lesionado há algum tempo e não jogou as últimas oito partidas. Seu contrato, que havia sido estendido em 2015 até o fim da época, estava acabando e ele tivera de deixar a equipe que outrora foi capitão em determinadas oportunidades.
Pepe foi um defensor pouco constante nas partidas de Copa del Rey. Na maior parte das temporadas, o zagueiro foi utilizado uma ou duas vezes, tendo superado esse número em três oportunidades. A primeira, durante a temporada 2010–11, fez quatro jogos e chegou até a final da competição. No trajeto até a decisão contra o Barcelona, Képler só deixou de receber um cartão amarelo no jogo de abertura. Disputando a final, o time de Lionel Messi não conseguiu conquistar a vitória e o argentino viu o seu "grande rival" fazer o único gol do jogo com uma cabeçada na prorrogação.
Na época seguinte, onde fez cinco jogos, viu o Barcelona eliminá-los nas quartas de final. Uma edição depois, quando Képler fizera somente dois jogos, o time conseguiu chegar até a decisão, mas o Atlético de Madrid conseguiu superar o seu rival fazendo 2 a 1 na prorrogação.