José Macia (Santos, 25 de fevereiro de 1935), mais conhecido como Pepe, é um ex-futebolista e ex-treinador brasileiro.
Como jogador, atuou como ponta-esquerda e é considerado um dos maiores ídolos da história do Santos, única equipe em que defendeu de 1954 a 1969. É o vice-artilheiro da história do clube, com 405 gols, atrás apenas de Pelé, que marcou 1096 gols. Na história santista, Pepe também só fica atrás de Pelé em número de jogos (750) e gols (405).
Maior vencedor de Campeonatos Paulistas, com 13 títulos conquistados (11 como jogador do Santos, um como técnico do Santos e um como técnico da Inter de Limeira), é também o maior vencedor de Campeonatos Brasileiros, com sete títulos conquistados — seis como jogador do Santos e um como técnico do São Paulo.
Foi campeão de duas Copas do Mundo pela Seleção Brasileira: em 1958 e 1962.
Filho dos imigrantes espanhóis José Macía Vega e Clotilde Arias Yáñez, ambos galegos da vila de Mandín no concelho de Verim, Pepe veio ao mundo em uma segunda-feira de Carnaval em sua própria residência, na rua João Pessoa, 255, às 20 horas, no Centro de Santos — mesma rua, na época chamada de Rua do Rosário, em que o Alvinegro da Vila tinha sido fundado 23 anos antes.
Aos sete anos de idade, em 1942, Pepinho mudou-se com a família para a cidade vizinha de São Vicente. Com seu irmão, Mário, começou a praticar futebol nas equipes do bairro onde morava, o Comercial FC e o Mota Lima.
Aos dezesseis anos, Pepe ainda jogava no infantil do São Vicente AC quando Cobrinha, o goleiro do time que também defendia o infantil do Santos, o convidou para realizar um teste no Alvinegro. No dia 4 de maio de 1951, Pepe pisou pela primeira vez no gramado de Vila Belmiro, e foi aprovado pelo técnico Salu.
Em entrevista ao Museu da Pessoa, Pepe disse que seus dois ídolos crescendo eram Canhotinho, ponta-esquerda do Palmeiras, "porque o meu futebol se assemelhava muito ao dele", e Antoninho, do Santos, que chegou a ser seu treinador.
Entre os anos de 1952 e 1953 Pepe já estava sob o comando do treinador Lula, nos juvenis do Peixe. E em 1954, aos 19 anos, teve sua primeira chance na equipe principal. Estreou no dia 23 de maio, em partida diante do Fluminense, no Pacaembu, pelo Torneio Rio-São Paulo. A equipe santista perdeu por 2–1, e Pepe entrou no segundo tempo no lugar de Boca, que já havia entrado no lugar de Del Vecchio.
Seu primeiro grande momento como atleta profissional foi no Campeonato Paulista de 1955. Na última partida do certame, Pepe marcou o gol do triunfo diante do Taubaté, na Vila Belmiro, e com a vitória o Santos sagrou-se Campeão Paulista pela segunda vez, exatamente 20 anos depois do nascimento do seu jovem ponta-esquerda.
Com 403 gols marcados em 750 partidas, Pepe é o segundo maior artilheiro da história do Santos. Em 15 anos de clube (1954–1969), ganhou o apelido de "Canhão da Vila", por seu fortíssimo chute de esquerda. A bola chegava a atingir uma velocidade de 122km/h.
Mesmo jogando com artilheiros natos como Pelé e Coutinho, conseguiu marcar muitos gols com a camisa do Santos. Além de Pelé, apenas três jogadores marcaram mais gols que Pepe por um único clube brasileiro: Roberto Dinamite, pelo Vasco da Gama, marcou 513 gols, Carlitos, pelo Internacional, que marcou 487 gols, e Zico, pelo Flamengo, que marcou 403 gols — Zico esta à frente pela média de gols ser maior.
Um dos pontos fortes de Pepe eram suas cobranças de falta. Exímio cobrador, ficou conhecido por derrubar seus adversários que se arriscavam formando barreiras. Na Copa Intercontinental de 1963 contra o Milan, marcou duas vezes em tiros livres no segundo jogo da decisão.
O jogador teve um ano bastante vitorioso em 1962, com o Santos conquistando a sua primeira Libertadores depois de vencer o então campeão Peñarol pelo placar agregado de 7–4. A final foi decidida em três jogos, sendo dois de ida e volta e um de desempate. Na primeira partida, realizada no dia 28 de julho, no Estádio Centenario, no Uruguai, o Peixe ganhou por 2–1 com dois gols de Coutinho. Já no jogo de volta, que aconteceu na Vila Belmiro, no dia 2 de agosto, os uruguaios venceram o Santos por 3–2 e empataram o placar agregado em 4–4. Titular na partida, Pepe não balançou as redes, mas viu Dorval e Mengálvio marcarem para o time brasileiro. A partida de desempate foi realizada no dia 30 de agosto, no Monumental de Núñez, na Argentina. O Alvinegro Praiano contou com o retorno de Pelé, recuperado de lesão, venceu o Peñarol por 3–0 e levantou o troféu continental pela primeira vez. Meses depois, numa chuvosa noite de quarta-feira, no dia 5 de dezembro, o Santos sagrou-se campeão paulista pela sétima vez ao golear a equipe do São Paulo por 5–2, no Pacaembu. Neste jogo, Pepe completava 500 jogos com a camisa do Peixe.
No dia 21 de setembro de 1967, Pepe conquistou o Prêmio Belfort Duarte, um reconhecimento pela sua extrema esportividade. A medalha de prata era conferida ao jogador profissional que passasse dez anos, e no mínimo 200 partidas, sem ser expulso de campo. Pepe conseguiu mais do que isso. Ele acumulou um total de 776 partidas, sendo 750 pelo Santos e 40 pela Seleção Brasileira sem deixar o campo por um ato punitivo.
Foi titular absoluto da ponta-esquerda santista até 1965, quando chegou aos 30 anos. A partir dessa data, até 1969, ano em que encerrou a carreira, passou a revezar a titularidade com o jovem Abel, contratado do America do Rio de Janeiro, e, desde 1966, com Edu, oriundo das categorias de base do Santos.
A última vez em que Pepe atuou pelo Santos foi no estádio Urbano Caldeira, em 19 de março de 1969, uma quarta-feira, pelo Campeonato Paulista. O Canhão da Vila substituiu o atacante Douglas na vitória diante do América de São José do Rio Preto por 2–1, com dois gols de Edu. No dia 3 de maio, diante de um público de 22 810 espectadores, Pepe deu adeus à carreira de jogador ao se despedir da torcida santista com uma volta olímpica no gramado de Vila Belmiro antes da partida entre Santos e Palmeiras, vencida pelo visitante por 1–0. Nesse dia histórico, em que se despediu da torcida sem atuar, o jogador foi homenageado pela diretoria ao receber do presidente Athiê Jorge Coury uma placa alusiva à sua passagem pelo clube, onde estava escrito: “Muito obrigado do Santos, da torcida e de todos os esportistas do Brasil”.
Como atleta do Santos, Pepe conquistou 25 títulos oficiais, sendo 11 Campeonatos Paulistas, seis Campeonatos Brasileiros, duas Taças Libertadores da América, dois Mundiais Interclubes e quatro Torneios Rio-São Paulo, tornando-se o jogador com mais títulos por um único clube. E isso sem contar os inúmeros torneios conquistados pelo mundo.