Arthur Peter Mutharika (Chisoka, 18 de julho de 1940) é um político e advogado malauiano que é o atual presidente do Malawi, desde 4 de outubro de 2025, tendo vencido as eleições presidenciais de 2025 como candidato do Partido Democrático Progressista (DPP). Foi o quinto presidente do Malawi de 2014 a 2020. É o irmão mais novo do terceiro presidente do Malawi, Bingu wa Mutharika, falecido em 2012.
Mutharika trabalhou na área da justiça internacional, especializando-se em direito econômico internacional, direito internacional e direito constitucional comparado. Durante a presidência de seu irmão mais velho, ele serviu como conselheiro informal em questões de política externa e interna e ocupou cargos como Ministro da Justiça, Ministro da Educação, Ciência e Tecnologia e Ministro das Relações Exteriores.
Mutharika foi encarregado de ajudar a estreitar as relações entre o Malawi e o Reino Unido devido à deterioração da diplomacia pública entre as duas nações após a controvérsia Cochrane-Dyet. Candidato do Partido Democrático Progressista (DPP), Mutharika foi eleito presidente do Malawi nas eleições de 2014.
Ele perdeu a reeleição para Lazarus Chakwera após uma votação em 2019 que foi anulada e repetida no ano seguinte. Ele se tornou presidente eleito novamente após derrotar Chakwera nas eleições de 2025.
Arthur Peter Mutharika nasceu em 18 de julho de 1940 em Thyolo. Seus pais eram professores e ele frequentou o ensino primário em várias instituições, incluindo a Escola Primária da Missão Mulanje, antes de passar para a Escola Secundária Dedza.
Mutharika recebeu seu diploma de bacharel em direito ela Universidade de Londres em 1965. Ele então recebeu seus diplomas mestrado em direito pela Universidade de Yale em 1966 e 1969, respectivamente. Mutharika foi admitido na Ordem dos Advogados da Tanzânia como advogado profissional desde 1971. Como professor, ele lecionou na Universidade de Dar es Salaam (Tanzânia), Universidade Haile Selassie (Etiópia), Universidade Rutgers (EUA), Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa para Oficiais do Serviço Exterior da África e Ásia na Universidade Makerere (Uganda) e por 37 anos na Universidade de Washington em St. Louis, e atuou como Visitante Acadêmico na London School of Economics. Ele também atuou como consultor da iniciativa do Estado de Direito da American Bar Association para a África.
Auxiliou como conselheiro na campanha de seu irmão, Bingu wa Mutharika, para a reeleição como presidente em 2009. Em 1995, defendeu a limitação dos poderes presidenciais no Malawi. Ele então entrou na política do Malawi, onde se tornou ministro em um gabinete que ajudou a criar. Ele também continuou a servir como conselheiro do presidente até a morte do presidente em 2012 em questões de política externa e interna.
Tribunal de Arbitragem do ICSID
Mutharika fazia parte de um tribunal de três homens que arbitrava casos internacionais. Em agosto de 2011, Mutharika decidiu renunciar a dois processos judiciais internacionais com o Centro Internacional para Resolução de Disputas de Investimentos, que ele estava arbitrando no Zimbábue, onde investidores estrangeiros processaram o governo zimbabuense por violações de tratados bilaterais de investimento. Isso se deveu a preocupações com sua imparcialidade devido às estreitas associações de Bingu Mutharika com o governo de Mugabe.
Primeira presidência (2014–2020)
Peter Mutharika foi eleito presidente nas eleições de 2014. Foi empossado como presidente em 31 de maio de 2014 e nomeou seu gabinete em junho. Ele nomeou o economista veterano Goodall Gondwe como Ministro das Finanças e nomeou um dos candidatos presidenciais derrotados, Atupele Muluzi, como Ministro de Recursos Naturais, Energia e Mineração.
Em Junho de 2014, ele apoiou a diversificação da agricultura do Malawi para outras culturas além do tabaco.
Seu primeiro mandato foi marcado por forte descontentamento popular, devido à corrupção, escassez de alimentos e cortes de energia. Em 2018, milhares de pessoas foram às ruas em várias cidades do país para denunciar escândalos de corrupção. Mutharika foi acusado de envolvimento em um caso de suborno, suspeito de ter recebido mais de 200 mil dólares de um empresário que havia obtido um contrato multimilionário com a polícia. O Escritório Anticorrupção do Malawi (EAM) inocentou Muthatika das alegações do contrato de racionamento de alimentos do Serviço de Polícia do Malawi. O EAM declarou que as investigações sobre o contrato de racionamento de alimentos do Serviço de Polícia do Malawi (SPM) revelaram que o presidente Peter Mutharika não se beneficiou pessoalmente dos 200 mil dólares depositados na conta bancária do Partido Democrático Progressista.
Em 21 de maio de 2019, o Malawi realizou eleições para eleger um novo presidente, membros do parlamento e conselheiros do governo local. Mutharika foi nomeado e endossado como candidato presidencial do DPP. Seu principal concorrente era Lazarus Chakwera, do Partido do Congresso do Malawi (MCP). Saulos Chilima, que era vice-presidente de Mutharika desde 2014, também apresentou um forte desafio contra Mutharika desde que os dois se separaram em abril de 2018. A eleição foi marcada por controvérsias e alegações de fraude eleitoral pelo DPP de Mutharika. Em alguns distritos, como Nsanje e Chikwawa, no extremo sul do Malawi, a equipe da Comissão Eleitoral do Malawi que gerenciava as pesquisas foi acusada de trocar os resultados presidenciais de Chakwera para Mutharika. Um funcionário eleitoral distrital de Nsanje, Fred Thomas, foi preso por ter sido flagrado adulterando as folhas de resultados da eleição. Problemas semelhantes de fraude e ameaças a monitores de partidos políticos da oposição pelo DPP foram relatados em outros distritos, como Zomba, Thyolo, Mulanje, Lilongwe e Nkhotakota. Muitas folhas de resultados também foram afetadas pela adulteração por "tippexing". Bandidos políticos, que se acredita serem do DPP, obtiveram os resultados e alteraram os números "apagando" os números originais aplicando marca Tippex de corretivo líquido. Isso levou à eleição a ser conhecida como "a Eleição Tippex" e à subsequente eleição de Mutharika como "o Presidente Tippex". Em 27 de maio de 2019, e apesar de todas as irregularidades, a presidente da Comissão Eleitoral do Malawi, juíza da Suprema Corte, Jane Ansah, anunciou Mutharika como o vencedor das eleições controversas com 1.940.709 votos contra 1.781.740 do concorrente mais próximo, Dr. Lazarus Chakwera, do MCP. Saulos Chilima, que representou o UTM, obteve 1.018.369 votos. Mutharika foi posteriormente empossado em 28 de maio de 2019 para um novo mandato de cinco anos. O partido de oposição MCP e o UTM recorreram então ao Tribunal Superior do Malawi para anular os resultados das eleições e realizar outra eleição. Entretanto, os apoiantes da oposição continuaram a realizar manifestações desde então contra a realização das eleições. A Coligação dos Defensores dos Direitos Humanos (HRDC), então liderada por Timothy Mtambo, liderou uma onda de protestos contra o regime de Mutharika, acusando o seu governo de nepotismo e exigindo a demissão de Jane Ansah.
Em 3 de fevereiro de 2020, os juízes do Tribunal Constitucional chegaram ao tribunal de Lilongwe para dar uma decisão há muito esperada sobre aquela disputada eleição presidencial, viajando em um veículo militar sob forte escolta policial. Os juízes se revezaram para ler a decisão de 500 páginas ao longo de mais de sete horas. O Tribunal Constitucional do Malawi decidiu anular a eleição de 21 de maio de 2019, citando irregularidades da Comissão Eleitoral do Malawi. Além disso, ordenou que novas eleições fossem realizadas em 150 dias. A anulação foi sem precedentes no Malawi, e apenas a segunda ocorrência de tal na África, a outra sendo a decisão da Suprema Corte do Quênia sobre a eleição presidencial queniana de 2017.
Mutharika foi derrotado por Lazarus Chakwera na repetição das eleições de 2020, tendo obtido apenas cerca de 40% dos votos.
Primeiro período pós-presidencial (2020–presente)