Flávio Anício Petrônio Máximo Augusto (português brasileiro) ou Flávio Anício Petrónio Máximo Augusto (português europeu) (em latim: Flavius Anicius Petronius Maximus Augustus; Roma, c. 396 – Roma, 31 de maio de 455), mais conhecido apenas como Petrônio Máximo, foi um Imperador Romano do Ocidente, que governou por dois meses e meio em 455. Senador rico e aristocrata proeminente, foi fundamental nos assassinatos de Flávio Aécio e Valentiniano III (r. 425–455).
Máximo tomou posse do trono no dia seguinte à morte de Valentiniano, garantindo o apoio do senado e subornando os funcionários do palácio. Fortaleceu sua posição forçando a viúva de Valentiniano a se casar consigo e forçando a filha de Valentiniano a se casar com seu filho. Cancelou o noivado da filha de sua nova esposa com Hunerico, filho do rei vândalo Genserico. Isso enfureceu sua enteada e Genserico, que enviou uma frota para Roma. Máximo não conseguiu obter tropas dos visigodos e fugiu quando os vândalos chegaram, se separou de sua comitiva e guarda-costas durante a confusão e foi morto. Os vândalos saquearam Roma completamente.
Petrônio Máximo nasceu em cerca de 396. Embora fosse de origem obscura, acredita-se que pertencia à família Anícia. Relacionado com o imperador Olíbrio, Máximo era filho de Anício Probino, e neto de Anícia Faltônia Proba e Sexto Cláudio Petrônio Probo, que foi prefeito de Ilíria em 364, prefeito de Gália em 366, prefeito da Itália em 368-755 e novamente em 383 e cônsul em 371.
Máximo teve uma carreira notável no início. Seu primeiro cargo conhecido foi o de pretor, realizado em cerca de 411; por volta de 415, serviu como tribuno e notário, que era uma posição de entrada na burocracia imperial, que o levou a servir como conde das sagradas liberalidades entre 416 e 419. De janeiro ou fevereiro de 420 a agosto ou setembro de 421, foi o prefeito urbano de Roma, o que significava que tinha autoridade executiva para grande parte da administração municipal de Roma; ocupou o cargo novamente algum tempo antes de 439. Como prefeito, restaurou a Antiga Basílica de São Pedro. Também foi nomeado prefeito pretoriano, uma posição militar e judicial de liderança, entre 421 e 439. Foi durante o exercício deste cargo ou durante sua segunda prefeitura urbana que foi nomeado cônsul para o ano 433. Tornar-se cônsul era considerado a mais alta honra do estado romano. De agosto de 439 a fevereiro de 441, ocupou a posição de prefeito da prefeitura pretoriana da Itália, a posição não-imperial administrativa e judicial mais importante do Império Romano do Ocidente. Ocupou um segundo consulado em 443. Em 445, recebeu o título de patrício e, juntamente com seus dois consulados, se tornaria o mais poderoso de todos os senadores romanos. Entre 443 e 445, Máximo construiu um fórum em Roma, no monte Célio, entre a Via Labicana e a Basílica de São Clemente.
Assassinato de Valentiniano III e ascensão de Máximo
Segundo um relato de João de Antioquia, Valentiniano III e Máximo participaram num jogo em que este último perdeu uma aposta. Incapaz de pagar de imediato a dívida, Máximo teria deixado o seu anel como garantia. De acordo com a mesma narrativa, Valentiniano utilizou o anel para convocar Lucina, esposa de Máximo, à corte. Convencida de que respondia a um pedido do marido, Lucina compareceu no palácio, onde, segundo a fonte, foi vítima de violação por parte do imperador. Após regressar a casa, acusou Máximo de cumplicidade no sucedido, por acreditar que este a tinha entregue a Valentiniano. O episódio levou Máximo a procurar vingança contra o imperador. A sua oposição a Valentiniano teria sido igualmente motivada por ambições políticas e pelo desejo de substituir aquele que considerava um «rival detestável e desprezível», o que o levou a conspirar contra Valentiniano.
Ainda segundo João de Antioquia (frag. 200–201), Máximo terá procurado influenciar o imperador contra Flávio Aécio, o que conduziu ao assassinato deste último por ordem de Valentiniano. De acordo com esta narrativa, Máximo teria considerado que, enquanto Aécio permanecesse vivo, não poderia executar os seus objetivos de vingança contra Valentiniano, sendo por isso necessária a eliminação do mestre dos soldados. Neste contexto, associou-se ao eunuco imperial Heráclio, um antigo opositor de Aécio, na tentativa de aumentar a sua influência junto do imperador. Ambos terão persuadido Valentiniano de que Aécio planeava assassiná-lo, levando o imperador a ordenar a sua morte durante uma audiência, o que terá ocorrido em 21 de setembro de 454, com a participação de Heráclio.
[[Imagem.svg|thumb|esquerda|Império Romano do Ocidente por volta desse período]]
Após a morte de Aécio, Máximo solicitou a Valentiniano a atribuição do cargo anteriormente ocupado pelo general, mas o pedido foi recusado pelo imperador. Heráclio terá aconselhado Valentiniano a não conceder a ninguém a posição de influência anteriormente detida por Aécio. Segundo João de Antioquia, a recusa imperial terá levado Máximo a decidir conspirar contra Valentiniano. Para esse efeito, associou-se a Optila e Traustila, dois guerreiros de origem cita que tinham servido sob o comando de Aécio e que, após a sua morte, foram integrados na escolta do imperador.
Máximo os convenceu facilmente de que Valentiniano era o único responsável pela morte de Aécio, e que os dois soldados deveriam vingar seu antigo comandante, ao mesmo tempo em que prometia uma recompensa pela traição do imperador. Em 16 de março de 455, Valentiniano, que estava em Roma, foi ao Campo de Marte com alguns guardas, acompanhados por Optila, Traustila e seus homens. Assim que o imperador desmontou para praticar com o arco, Optila subiu com seus homens e o esfaqueou na têmpora. Quando Valentiniano se virou para olhar para o atacante, Optila o matou com outro golpe de sua lâmina. No mesmo momento, Traustila matou Heráclio. Os dois citas pegaram o diadema imperial e o manto e os trouxeram a Máximo.
A morte súbita e violenta de Valentiniano III deixou o Império Romano do Ocidente sem um óbvio sucessor ao trono. Vários candidatos foram apoiados por vários grupos da burocracia imperial e militar. Em particular, o apoio do exército divididiu-se entre três candidatos principais: Maximiano, o antigo doméstico (guarda-costas) de Aécio, filho de um comerciante egípcio chamado Domnino, que se tornara rico na Itália; o futuro imperador Majoriano, que comandou o exército após a morte de Aécio e que teve o apoio da imperatriz Licínia Eudóxia; e o próprio Máximo, que tinha o apoio do senado romano e que garantiu o trono em 17 de março de 455, distribuindo dinheiro aos funcionários do palácio imperial.
Depois de ganhar o controle do palácio, Máximo consolidou seu poder ao se casar imediatamente com Licínia Eudóxia, a viúva de Valentiniano. Ela se casou com relutância, suspeitando que estivesse envolvido no assassinato de seu falecido marido; e, de fato, Máximo tratou os assassinos de Valentiniano com considerável benevolência. A corte oriental de Constantinopla se recusou a reconhecer sua ascensão. Para garantir ainda mais sua posição, Máximo rapidamente nomeou Ávito como mestre dos soldados e o enviou em uma missão a Tolosa para obter o apoio dos visigodos. Também cancelou o noivado da filha de Licínia, Eudócia, com Hunerico, filho do rei vândalo Genserico, e casou-a com seu próprio filho. Mais uma vez, antecipou que isso promoveria as credenciais imperiais dele e de sua família. Esse repúdio enfureceu o rei dos vândalos, que só precisava da desculpa do apelo desesperado de Licínia à corte vândala para iniciar os preparativos para a invasão da Itália.
Em maio, dois meses depois de Máximo conquistar o trono, chegaram a Roma notícias de que Genserico estava navegando para a Itália. À medida que as notícias se espalhavam, o pânico tomou conta da cidade e muitos de seus habitantes fugiram. O imperador, ciente de que Ávito ainda não havia retornado com a ajuda visigótica esperada, decidiu que era inútil montar uma defesa contra os vândalos. Então, tentou organizar sua fuga, pedindo que o senado o acompanhasse. No entanto, em meio ao pânico, Petrônio Máximo foi abandonado por sua comitiva e guarda-costas e deixado para se defender sozinho.