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Pier Paolo Pasolini

Cineasta, poeta e escritor italiano (1922-1975)

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Pier Paolo Pasolini (Bolonha, 5 de março de 1922 – Óstia, 2 de novembro de 1975) foi um cineasta, poeta, escritor, dramaturgo, crítico de arte e pintor italiano.

Em suas obras, Pasolini demonstrou uma versatilidade cultural única e extraordinária. Observador atento das mudanças na sociedade italiana desde o pós-guerra até meados da década de 1970, suscitou com frequência fortes polêmicas, pela radicalidade de suas opiniões, altamente críticas aos hábitos burgueses e à sociedade de consumo. Embora seus trabalhos continuem até hoje a gerar controvérsias, é considerado por muitos pensadores da cultura italiana como um dos maiores intelectuais do seu país no século XX.

Era filho de Carlo Alberto Pasolini (1892–1958), bolonhês, militar de carreira, e de Susanna Colussi (1891–1981), friulana, professora primária. Teve um irmão chamado Guidalberto "Guido" Pasolini (1925–1945), que morreu numa emboscada lutando na Segunda Guerra Mundial.

Em 1926, o pai de Pasolini foi preso por dívidas de jogo, e sua mãe mudou-se para a casa de sua família em Casarsa della Delizia, onde havia nascido.

Conforme podemos saber pelas cartas de Pier Paolo Pasolini aos 21 anos para o seu amigo Franco Farolfi, a entrada da Itália na II Guerra o deixou condolente com a juventude morta em combate, pesaroso com o destino de seu amigo de liceo, Hermes Parini, feito prisioneiro na Rússia, e angustiado pelo seu pai militar que se encontrava em serviço, e mais tarde, com o drama familiar de ter o seu pai, militar, prisioneiro no Quênia após o armistício de 8 de setembro de 1942. Na universidade, Pasolini se introduz aos grupos literários de estudantes, frequenta o curso de história da arte do professor Roberto Longhi e termina a formação com um trabalho de conclusão sobre Giovani Pascoli. Concluída a faculdade de letras da Universidade de Bolonha (1938-1942), Pasolini em setembro de 1943 se apresentou em Pisa ao exército. Ficou, entretanto, apenas uma semana, fugindo a pé de Livorno depois de desobedecer a ordem recebida de seu superior de entregar as suas armas às tropas alemãs que então passavam a ser inimigas. Pasolini fugiu em direção a Casarsa, pequena comuna materna de Friuli, onde ele veio a exercer a docência na scuola media local e teve contato de maior proximidade com as classes populares, principalmente o caso dos braccianti, apelido dado aos membros da liga camponesa que se opunha aos latifúndios da província de Friuli. A experiência com os camponeses foi com Pasolini associada à sua nova consciência intelectual sobre a sociedade italiana. Em Casarsa, Pasolini continuou os seus estudos formativos e entre 1943 e 1947 ele esteve dedicado a poesia dialetal friuliana, frequentando o curso de Gianfranco Contini e defendendo em 1945 a sua tese sobre Giovanni Pascoli. Neste mesmo ano de 1945, em 7 de fevereiro, um fato traumático atinge Pasolini: seu irmão, Guido, por quem tinha grande amizade e que era membro da resistenza, morre na guerra, vítima de um partisan iugoslavo.

Em 1947, Pasolini ingressou ao Pci (Partido Comunista Italiano), atuando com empenho e criatividade no Friuli, o que o levou a ser escolhido secretário da seção regional. Durante este período foi comum aos domingos ele utilizar muros do centro da comune de Valvasone para disseminar mensagens políticas em friuliano, criando um modelo de dialogismo entre partido e comune sugestível de nela assentar a raiz do uso que Pasolini futuramente faria de revistas, jornais, cinema e entrevistas como veículos para o confronto ético-ideológico com o público italiano, forma sua de interpelação que Andrea Zanzotto a definiu como “pedagogico apedagogico".

Foi no final da década de 1940 que Pasolini iniciou os seus estudos de Antonio Gramsci, autor recentemente acessível devido ao projeto do secretário-geral do Pci, Palmiro Togliatti, de publicar imediatamente os Cadernos do Cárcere, “eu estive com os camponeses peões. Depois eu li Marx e Gramsci" (tradução livre). Pasolini é levado ao posto de secretário da seção regional do Pci, onde ficará um breve período. Pouco depois ele foi perseguido publicamente no Friuli, acusado judicialmente em 1949 de cometer “atos indecentes” com dois adolescentes. Após a denúncia, ele rapidamente foi expulso da escola onde lecionava e dispensado da seção do Pci do Friuli. À desgraça pública que lhe caiu, ao qual se agregou a sua infelicidade doméstica vinda da agressividade, alcoolismo e a depressão de seu pai, Pasolini respondeu a ela se mudando de Casarsa, “fugi com minha mãe para Roma, tal como ele relatou autobiograficamente em Al lettore nuovo, prefácio de sua antologia Poesie (1970).

Em Roma ele e sua mãe se instalaram na periferia, entre o bairro “pobre” borgate Portico D’Ottavia e a prigione Rebibbia. Desempregado, conta em prefácio de antologia poética de 1970, “Al lettore nuovo”, que se arranjou com pequenos trabalhos de redação, e que depois de dois anos em Roma ele conseguiu voltar para a docência, lecionando em uma scuola media de Ciampino, um posto da periferia romana.

Entre 1950 e 1954, aos poucos Pasolini se inseriu nos círculos intelectuais de Roma, passando a ter acesso a publicações de resenhas, capítulos e poemas em revistas. Sua sorte definitivamente mudou com a oferta da editora Garzanti de uma remuneração fixa para a escrita de um romance e com o cargo de assistente cinematográfico por convite de G. Bassani, em 1953. Superadas as dificuldades de jovem escritor, a década de 1950 rendeu a ele a publicação de três coletâneas de poesias, La meglio giuventù (1954), Le ceneri di Gramsci (1957) e L'usignolo della Chiesa Cattolica (1958).

Em 1955 Pasolini voltou a ser centro de uma denúncia espúria. Desta vez, o seu romance Ragazze di vita, financiado por Livio Garzanti desde que ele publicara um primeiro capítulo em 1953 na revista Paragoni, foi alvo de investigação e processado criminalmente por “conteúdo pornográfico”. Neste romance, Pasolini narrou com estilo naturalista a vida de rapazes que se prostituíam na periferia de Roma, reunindo implicitamente na narrativa a sua experiência autêntica com a periferia com o conhecimento sociológico e psicológico próprio do autor Pasolini que narra.

1955 também é o ano em que, segundo Enzo Siciliano, Alberto Moravia recebeu de Elsa Morante uma cópia do poema “Le ceneri di Gramsci” e decidiu publicá-lo no número seguinte da revista Nuovi Argomenti (n. 17-18, nov.-fev., 1955). Ainda neste ano, Pasolini lançou com Francesco Leonetti e Roberto Roversi a revista Officina (doze números entre 1955-1958), retornando neste ato a associação do grupo de redação da revista Eredi, projeto do período universitário que não chegou a ser publicado. Integraram o comitê editorial da Officina Gianni Scalia, Franco Fortini e Angelo Romanò e a revista no seu transcurso veio a ser lugar de experimentalismo e da corrente realista da literatura italiana.

Em 26 de janeiro de 1947, Pasolini escreveu uma declaração polêmica para a primeira página do jornal Libertà: "Em nossa opinião, pensamos que, atualmente, só o comunismo é capaz de fornecer uma nova cultura". A controvérsia foi parcialmente devido ao fato de ele ainda não ser um membro do Partido Comunista Italiano, PCI. Após sua adesão ao PCI, participou de várias manifestações, e, em meados de 1949, participou do Congresso da Paz, em Paris. Observando as lutas dos trabalhadores e camponeses, e vendo os confrontos dos manifestantes com a polícia italiana, ele começou a criar seu primeiro romance. No entanto, em outubro do mesmo ano, Pasolini foi acusado de corrupção de menores e atos obscenos em lugares públicos. Como resultado, foi expulso pela seção de Udine do Partido Comunista e perdeu seu emprego de professor que tinha obtido no ano anterior em Valvasone, ficando em uma situação difícil.

Em janeiro de 1950 Pasolini mudou-se para Roma com sua mãe.

Realizou estudos para filmes sobre a Índia, a Palestina e sobre a Oréstia, de Ésquilo, que pretendia filmar na África (Apontamento para uma Oréstia Africana). Seus filmes são muito conhecidos por criticarem a estrutura do governo italiano (na época fortemente ligado à igreja católica), que promovia a alienação e hábitos conservadores na sociedade. Além disso, seu cinema foi marcado por uma constante ligação com o arcaísmo prevalecente no homem moderno. Prova disso é a obra Teorema, em que um indivíduo entra na vida de uma família e a desestrutura por inteiro (cada membro da família representa uma instituição da sociedade).

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