Neste Dia

Pierre A. Riffard

Filósofo francês

Anúncio

Pierre A. Riffard é um filósofo francês e especialista do esoterismo. Nascido em Toulouse (França), é professor na Universidade Antilhas Francesas-Guiana Francesa, em pedagogia e filosofia.

Professor no estrangeiro ou além-mar: Ásia, Oceania, África, América do Sul

Para Pierre A. Riffard, o esoterismo seria "um ensinamento oculto, doutrina ou teoria, técnica ou procedimento, de expressão simbólica, de ordem metafísica, com uma intenção iniciática. O druidismo, o ‘Compagnonnage’ (associação de operários que visa a instrução profissional e a ajuda mútua - não confundir com companheirismo da Franco-maçonaria) e a alquimia, todos eles são esoterismos".

Pierre A. Riffard defendeu uma tese de 3º ciclo em filosofia sobre a fórmula grega Έν καì Πãν [“Um e Todo”] e, em seguida, uma tese de doutoramento sobre L'Idée d'ésotérisme [“A ideia de esoterismo”] (Paris 1 Sorbonne, 1987), depois de efectuar investigação sobre o ocultismo.

Autor de um Dictionnaire de l'ésotérisme (1983 : Dicionário do esoterismo, 1994), autoridade neste domínio, escreveu dois grandes volumes para a colecção “Bouquins” das edições Robert Laffont, um dos quais consagrado ao esoterismo em geral (L'ésotérisme. Qu'est-ce que l'ésotérisme ? , 1990 : O esoterismo. O que é o esoterismo? , 1996), o outro aos esoterismos não-ocidentais (Ésoterismes d'ailleurs [“Esoterismos de outro lado”], 1997). Riffard propõe nove invariantes para definir um esoterismoː

a disciplina do arcano (guardar o segredo). Evangelho: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem”;

a impessoalidade do autor (marcar o aspecto sobrehumano da mensagem);

a oposição entre o esotérico e o exotérico (distinguir o iniciado do não-iniciado, o oculto do manifesto);

o sutil (admitir planos de realidade invisíveis, superiores: aura, corpo etéreo, influências astrais, ondas telúricas, anjo da guarda...);

as analogias e correspondências (colocar todas as partes do universo em ressonância: macrocosmo e microcosmo, gengivas e dedos, sangue e seiva, cores e órgãos, animais e virtudes....);

o número formal (escolher a aritmética simbólica como chave por excelência: proporção áurea, ciclos cósmicos, cabala da guematria, métrica em poesia, ritmos na música...). Pitágoras : “Coisas são números.”;

as ciências ocultas (pensar a interpretação espiritual dos textos, a leitura do “Livro da Natureza” ou “Registos akáshicos”, a teosofia, os estudos sobre a vida após a morte...);

as artes ocultas (utilizar alquimia, astrologia, adivinhação, magia, medicina oculta);

por fim e sobretudo, a iniciação (entrar em busca de aperfeiçoamento, de liberação espiritual pelos outros, por si, ou antes pelo EU).

“Um esoterismo é um ensinamento que toma a forma de uma doutrina secreta ou de uma organização iniciática, de uma prática espiritual ou de uma arte oculta”.

Na forma, um esoterismo tem o seu segredo: a preterição (apophasis: “mencionar não mencionando”); pretende não dizer nada, contudo, desinteressadamente, revela (“não direi nada da natureza sagrada da sexualidade”: está dito); por exemplo, símbolos como a maçã ou a serpente enroscada são abundantes em indícios e chaves sobre a sexualidade, porém, parecem obscurecer o discurso ou a imagem.

Na sua base, o esoterismo também tem o seu segredo: a reversão; reverte as ideias ordinárias, revira os comportamentos banais, inverte as emoções comuns para voltar à origem; por exemplo, o kundalinî-yoga faz subir a energia sexual ao cérebro, o alquimista regressa à matéria primordial, quando tudo se torna possível e poderoso.

Quanto ao sentido, o esoterismo não tem segredo, apenas adopta um modo de vida, o qual privilegia o interior das coisas; por exemplo, no amor prefere um estado de consciência superior à fruição sexual, em alquimia prende-se à imagem solar do ouro em detrimento do seu valor comercial. “A abordagem de Riffard pode então ser caracterizada como universalista, religionista e trans-histórica” (“Riffard's approach may thus be characterized as universalist, religionistic, and trans-historical”) -Wouter J. Hanegraaff.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium