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Pinhais

Município brasileiro do estado do Paraná

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Pinhais é um município brasileiro do estado do Paraná, localizado na Região Metropolitana de Curitiba. Limita-se com a capital paranaense, Colombo, Quatro Barras, São José dos Pinhais e Piraquara, sendo esse último o município do qual Pinhais se emancipou em 1992. Apesar de ser considerada uma cidade jovem, a história pinhaiense está intrínseca à curitibana e remonta o período colonial, quando seu território foi utilizado como rota de bandeirantes e tropeiros; por sua vez, a fundação e povoamento da região se iniciou efetivamente a partir do final do século XIX, após a construção da estação ferroviária e da indústria Cerâmica de Pinhais, se consolidando a partir das décadas de 1960 e 1970 com o êxodo rural no estado e metropolização de Curitiba. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, Pinhais é formado por um território de 60,871 km² (menor município do Paraná em extensão), uma população composta por 127 019 habitantes e densidade demográfica de 2 086,7 hab./km², o configurando como o segundo município mais povoado do estado.

O município está situado no Primeiro Planalto Paranaense, a uma altitude de 893 m acima do nível do mar. Suas características físicas como as temperaturas amenas de clima oceânico temperado (Cfb) e existência de rios afluentes da bacia hidrográfica do Rio Iguaçu, capões de floresta ombrófila mista e relevo com planícies intercaladas por colinas se integram de forma homogênea às de Curitiba. Apesar de ser definido como 100% urbano, Pinhais apresenta paisagens periurbanas e seu plano de zoneamento, de certa forma, é estabelecido como forma de equilibrar a urbanização com políticas de preservação. Parte do seu território compõe a Área de Proteção Ambiental do Iraí, que circunda a barragem responsável pelo seu abastecimento hídrico e de outros seis municípios das imediações.

Em relação aos dados econômicos, Pinhais possui o décimo primeiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná, avaliado em R$ 9,85 bilhões em 2023, e o quadragésimo quarto maior PIB per capita, R$ 77 567,93; suas atividades econômicas são baseadas principalmente nos setores terciário e secundário. Quanto aos aspectos socioeconômicos, seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) foi avaliado com nota 0,751 em 2010, indicando bom padrão de vida e acessibilidade aos serviços de saúde e educação. No cenário regional, o município se destaca pela presença de atrações turísticas e culturais como o centro de convenções Expotrade, o extinto Autódromo Internacional de Curitiba, o Parque da Ciência Newton Freire Maia e o Parque das Águas.

O nome "Pinhais" provém etimologicamente do termo "pinho" (em latim, "pinus"), como forma de denotar a madeira de pinheiro, sobretudo aquela do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). Essa espécie arbórea compõe a floresta ombrófila mista, formação vegetal que se estendia de modo predominante na Região Sul até a metade do século XX e vigorou no imaginário paranista construído como movimento identitário a partir da década de 1920. Para além da apropriação moderna, algumas representações de araucárias são encontradas em artes rupestres e o pinhão, semente dessa espécie, constituiu a base alimentar de culturas indígenas do tronco linguístico macro-jê, estabelecidas no Primeiro Planalto Paranaense há 4 mil anos. Todavia, o nome do município está associado de maneira histórica a São José dos Pinhais, visto que a Estação Ferroviária de Pinhais (primeira menção ao termo), construída no final do século XIX, era referenciada com o nome da cidade vizinha num primeiro momento e servia como posto de escoamento exclusivo dos produtos são-joseenses.

Os símbolos de Pinhais são definidos pela Lei Ordinária Municipal nº 6/1993 e incluem o brasão e a bandeira oficial, idealizados por Douglas Macarthur de Oliveira Boechat. O brasão pinhaiense foi baseado na Enciclopédia Simbológica Municipalista Paranaense (ESIMPAR) e apresenta uma heráldica portuguesa tripartida: no campo superior em azul celeste figura o sol nascente amarelo iluminando três araucárias assimétricas, em referência ao topônimo da cidade; na área inferior, à esquerda e em amarelo, a flor-de-lis branca corresponde à padroeira municipal, Nossa Senhora da Boa Esperança, comemorada em 13 de maio; à direita, o campo verde ostenta uma engrenagem amarela em tributo às atividades industriais que moldaram a história e economia local. A insígnia é encimada por uma coroa mural e posicionada acima de um listel azul, no qual estão inscritos o nome de Pinhais e seu aniversário. A bandeira do município é dividida em dois triângulos retângulos congruentes nas cores azul cobalto e verde, separados na diagonal por uma linha amarelo-dourada sobre a qual se figura o brasão.

Por sua vez, o hino municipal, composição de Valdir Pereira de Araújo, foi instituído a partir da Lei Ordinária Municipal nº 133/1995 e reforça positivamente os atributos naturais presentes no território, referido pelos títulos de "terra dos mananciais" e "terra dos pinheirais". A gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), ave símbolo do Paraná conforme a Lei Ordinária Estadual nº 7957/1984, é mencionada na ode em decorrência de seu importante papel ecológico na disseminação da araucária. Outra ave emblemática, o macuquinho-da-várzea (Scytalopus iraiensis), é considerada mascote pinhaiense pelo fato da espécie ter sido descrita em 1998 a partir de avistamentos nos arredores do Rio Iraí, na divisa do município com Quatro Barras, constituindo a fauna local.

Vestígios arqueológicos apontam para a chegada de paleoameríndios nômades no atual território paranaense há 15 mil anos, com rastros da passagem de caçadores-coletores por São José dos Pinhais estimados em 13 mil anos. A ocupação indígena no Primeiro Planalto Paranaense, de fato, se desenvolveu a partir de 4 mil anos atrás com o estabelecimento de culturas ceramistas do tronco linguístico macro-jê, após mudanças climáticas propiciarem melhores condições de subsistência na região. Essas populações eram de tradição Itararé-Taquara (ancestrais dos caingangues e xoclengues) que partiram do Planalto Central Brasileiro e se assentaram nas áreas campestres elevadas da Região Sul, onde se miscigenaram com caçadores-coletores locais, incorporaram a prática da agricultura e exerceram influência na disseminação da Araucaria angustifolia. Os jês habitaram o planalto curitibano com exclusividade durante 2 mil anos, até as ondas migratórias dos povos de línguas tupi-guaranis, provenientes da Amazônia, inserirem estes na região pelo noroeste até o litoral paranaense, difundindo consigo o cultivo agrícola de mandioca e o consumo de infusões de erva-mate. Ambas as etnias indígenas, a despeito de suas distinções, eram caracterizadas por se alojar em aldeias sazonais e, ocasionalmente, cruzavam a Serra do Mar através dos pré-caminhos do Itupava e do Arraial em busca de novas terras férteis, transitando por territórios equivalentes a Quatro Barras, São José dos Pinhais e Morretes do contexto atual. Sugere-se que, em Pinhais, a presença dessas populações originárias no passado esteja atrelada às características geográficas como, por exemplo, a existência de planícies e mananciais que garantiam sua instalação e sobrevivência.

No período colonial, o fluxo de bandeirantes no encalço de ouro e escravizados nativos pelo solo paranaense se deu através de trilhas e caminhos abertos pelos indígenas locais ao longo dos séculos, dentre eles, o Caminho do Peabiru que conectava a costa Atlântica aos Andes. Muitos nomes de origem tupi-guarani e jê empregados a essas vias rudimentares, aos cursos de água e às localidades foram assimilados pelos exploradores e permanecem até a contemporaneidade. De acordo com a tradição histórica, o sertanista Eleodoro Ébano Pereira, ao empreender sua expedição de Paranaguá rumo ao planalto curitibano, encontrou em 1648 um povoado de colonizadores situado às margens do Rio Atuba (atual Parque Histórico da Vilinha, divisa de Curitiba com Pinhais) que, posteriormente, foi realocado para o local correspondente à Praça Tiradentes. Apesar da narrativa, em sua totalidade, apresentar alguns elementos mitológicos e detalhes inconsistentes, seu escopo verossímil serve como base comum à história dos dois municípios. Ainda nesse período, em 1674, há registro de que o capitão Antônio Martins Leme, filho do bandeirante Mateus Martins Leme, requereu uma sesmaria entre os rios Atuba e Palmital, possivelmente em território pinhaiense. As infrutíferas descobertas de ouro de aluvião no Primeiro Planalto entre os séculos XVI e XVII, somadas à suposta falta de conhecimento dos portugueses e paulistas sobre as técnicas de lavras efetivas, não condisseram com as expectativas econômicas da época e esmoreceram novas incursões pelas redondezas com essa finalidade, contudo, desencadearam o processo aurisedento que culminaria no ciclo do ouro brasileiro.

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