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Portela (escola de samba)

Escola de Samba

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Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela (ou simplesmente Portela) é uma escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro. Adotando como símbolo a águia e as cores azul e branco, a Portela detém o posto de maior campeã do carnaval do Rio de Janeiro, com 22 títulos. Essa marca inclui um heptacampeonato e um tetracampeonato, respectivamente entre 1941-1947 e 1957-1960. É carinhosamente chamada de "A Majestade do Samba" e forma, juntamente com a Deixa Falar e a Mangueira, a tríade das escolas fundadoras do carnaval carioca.

A escola foi fundada oficialmente como um bloco carnavalesco, chamado Conjunto Oswaldo Cruz, em 11 de abril de 1923, no bairro de Oswaldo Cruz. Embora haja estudiosos que acreditam que a escola tenha sido fundada em 1926, o ano oficial de fundação é 1923, mesmo ano de criação do bloco "Baianinhas de Oswaldo Cruz", que já continha o embrião da primeira diretoria portelense, com Paulo da Portela, Alcides Dias Lopes (mais conhecido como "Malandro Histórico"), Heitor dos Prazeres, Antônio Caetano, Antônio Rufino, Manuel Bam Bam Bam, Natalino José do Nascimento (o "seu Natal"), Candinho e Cláudio Manuel. Mudou de nome por duas vezes - "Quem Nos Faz É O Capricho" e "Vai Como Pode" -, até assumir definitivamente a denominação Portela, em meados da década de 1930. Ao longo das primeiras décadas do carnaval carioca, a Portela tornou-se uma das principais escolas de samba do Rio de Janeiro, compondo ao lado de Mangueira e Beija-Flor, as três maiores campeãs do carnaval carioca.

A agremiação é responsável por algumas inovações nos desfiles de carnaval. Por exemplo, em 1935, foi a primeira escola a introduzir uma alegoria - um globo terrestre idealizado por Antônio Caetano. No carnaval de 1939 apresentou aquele que é considerado o primeiro samba de enredo, além de levar ao desfile fantasias totalmente enquadradas ao enredo. Também introduziu a comissão de frente e, mais tarde, a primeira escola a uniformizá-la.

Além da relevância para o carnaval carioca, a Portela firmou-se como um dos grandes celeiros de grandes compositores do samba, comprovado por sua ativa e tradicional Velha Guarda. Entre bambas portelenses ao longo de sua história, destacam-se além dos fundadores Paulo da Portela e Antônio Rufino, os sambistas Aniceto da Portela, Mijinha, Manacéia, Argemiro, Alberto Lonato, Chico Santana, Clara Nunes, Casquinha, Alcides Dias Lopes, Alvaiade, Colombo, Picolino, Candeia, Waldir 59, Zé Ketti, Wilson Moreira, Monarco, Noca da Portela, Paulinho da Viola, Marisa Monte entre outros - sem deixar de mencionar de importantes instrumentistas, como Jair do Cavaquinho e Jorge do Violão, a Portela tem uma participação importante na vida cultural do Rio de Janeiro. Prova desse reconhecimento foi a escola ser agraciada, em 2001, com a Ordem do Mérito Cultural. Em 2021 foi declarada como patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

Apesar da grande tradição no cenário do samba no Rio de Janeiro, a escola vivenciou muitos momentos de atrito, especialmente no relacionamento da diretoria da escola e sambistas. Desavenças culminaram com o afastamento, em 1941, do fundador Paulo da Portela. Durante a década de 1970, novos desentendimentos levaram sambistas como Candeia, Zé Ketti e Paulinho da Viola a deixarem a escola - embora os dois últimos tenham retornado anos depois. Já na década de 1980, uma nova rusga interna gerou uma dissidência, que resultou na criação de uma segunda escola, a Tradição.

A Portela teve origem no bairro de Oswaldo Cruz, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, mas também tem forte ligação com o bairro vizinho, Madureira. O primeiro bloco carnavalesco surgido em Oswaldo Cruz foi fundado por Paulo da Portela e se chamava "Ouro sobre azul". Era considerado um bloco de marcha-rancho. O samba chegou ao bairro através das festas religiosas na casa de Napoleão José do Nascimento, pai de Natal da Portela. As reuniões eram frequentadas pela Turma do Estácio, personalidades como Ismael Silva, Baiaco e Brancura, responsáveis por desenvolver o samba no bairro do Estácio. Através deste intercâmbio, o samba chegou à Oswaldo Cruz, e em pouco tempo, o bairro se tornou um dos redutos do novo ritmo carioca.

Outro bloco da localidade, "Quem fala de nós come mosca", foi fundado por Esther Maria Rodrigues e seu marido Euzébio Rosas. Os dois eram porta-bandeira e mestre-sala do cordão Estrela Solitária, de Madureira, antes de romperem com a agremiação e se mudarem para Oswaldo Cruz. A casa de Dona Esther, na Rua Adelaide Badajós, número 36, recebia a visita de personalidade como Donga, Pixinguinha, Roberto Silva e Candeia, que teve o primeiro contato com o samba durante uma das reuniões.

Em 1922, uma dissidência do "Quem fala de nós come mosca" decidiu fundar outro bloco para rivalizar com o de Dona Esther. Galdino Marcelino dos Santos, Antônio Rufino dos Reis, Antônio da Silva Caetano e Paulo Benjamim de Oliveira (conhecido como Paulo da Portela por morar na Estrada do Portela), fundaram o “Baianinhas de Osvaldo Cruz”. No ano seguinte, o bloco montou uma diretoria e adotou um estatuto. Porém, após desentendimentos internos, integrantes do "Baianinhas" decidiram se desligar e fundar um novo bloco carnavalesco.

A versão adotada como oficial pela Portela é que no dia 11 de abril 1923, reunidos numa casa, onde também funcionava o Bar do Nozinho, na Estrada do Portela, número 412, Paulo da Portela, Antônio Rufino e Antônio Caetano fundaram o Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz, que mais tarde, como escola de samba, receberia o nome de Portela. O bloco foi fundado com o preceito de brincar o carnaval com paz e alegria, evitando os confrontos entre blocos, característicos da época. Paulo da Portela foi escolhido o primeiro presidente.

Algumas fontes afirmam que a fundação do Conjunto Oswaldo Cruz ocorreu no ano de 1926, e que a data adotada pela Portela seria a de criação do Bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz, considerado o embrião da agremiação por ter os mesmos fundadores.

A Portela foi fundada como "Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz" (em 1923); depois renomeado para "Quem nos faz é o capricho" (em 1930) e "Vai Como Pode" (em 1931); até receber seu nome definitivo em 1 de maio de 1935. No momento de renovar a licença da escola de samba para o desfile de 1936, o delegado Dulcídio Gonçalves considerou o nome "Vai Como Pode" como chulo e determinou que a escola só conseguiria a licença caso trocasse de nome. Após uma longa discussão entre Paulo da Portela e seus amigos, o próprio delegado sugeriu o nome Portela, em referência à Estrada do Portela, onde ficava a sede da agremiação.

A escola tem como cores o azul e o branco, instituídas por Antônio Caetano em referência às cores do manto de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da escola.

O símbolo da agremiação é a águia. A ave escolhida por Caetano teria sido um condor, por sua imponência e por voar mais alto. Porém, as pessoas teriam interpretado o desenho como sendo o de uma águia e a ave teve que ser adotada como símbolo. Um dos momentos mais aguardados dos desfiles da Portela é saber como virá representada a águia. Entre as mais lembradas estão a águia fantasiada de 1995 e a "águia redentora" de 2015. Também são comuns citações à águia nos sambas da escola: 2001 ("Vai voar, minha águia, meu bem querer"); 2009 ("Lá vem minha águia no céu da paixão! / O azul que faz pulsar meu coração!"); 2010 ("Minha águia guerreira / Vai voar... Viajar!"); 2016 ("Eu sou a Águia, fale de mim quem quiser / Mas é melhor respeitar, sou a Portela"); entre outros.

A Portela é chamada de "A Majestade de Samba", apelido também citado em diversos composições da agremiação. Os torcedores da agremiação são chamados de portelenses.

Nossa Senhora da Conceição e São Sebastião são os padroeiros da Portela. Os santos foram escolhidos por Dona Martinha, baiana ligada ao candomblé, que batizou o Conjunto Osvaldo Cruz, logo após sua fundação, sendo escolhida por Paulo da Portela para ser a madrinha do bloco.

A primeira bandeira da escola foi desenhada por Heitor dos Prazeres em 1929, quando ainda tinha o nome de "Quem nos faz é o capricho". Consistia num retângulo azul, com um globo rosa ao centro; e ao lado esquerdo, o desenho de uma meia-lua cor de palha de seda.

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