Neste Dia

Portugueses

Cidadãos ou residentes de Portugal

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Portugueses são um povo e grupo étnico da Península Ibérica, no sudoeste da Europa. O português é a sua língua, e o catolicismo a religião nominalmente predominante.

Geneticamente, os dados apontam que a população portuguesa foi formada pelos três principais grupos que povoaram o continente europeu: os caçadores-coletores ocidentais; os primeiros agricultores europeus vindos da Anatólia e os proto-indo-europeus vindos da Estepe pôntica (Cultura Yamna ou Yamnaya). De baixa incidência, houve alguma influência do Norte da África (Rife) e do Mediterrâneo Oriental. Pesquisas genéticas apontam que os primeiros agricultores europeus foram o grupo que teve maior importância para a composição genética do povo português. Essa população chegou a Portugal durante o Neolítico, por volta de 5 000 a.C., e foi a responsável por introduzir a agricultura na região. Os proto-indo-europeus vindos da Estepe pôntica também tiveram grande impacto genético. Eles chegaram à Península Ibérica por volta de 2 500 a.C. e, após algumas gerações, substituíram 100% do DNA do cromossomo Y (masculino) preexistente na Península. Atualmente, predomina entre os portugueses o haplogrupo R1b do cromossomo Y, o qual foi herdado desses homens vindos da Estepe pôntica, hoje territórios do oeste e sul da Rússia, Ucrânia, Georgia, Ásia Central Pôntica, entre os rios Danúbio, Volga e Ural.

Culturalmente, as presenças celta, lusitana, romana, germânica e moura foram significativas, bem como foram decisivas a vizinhança, as relações milenares com os restantes países europeus e as relações coloniais com África, o Brasil e o Índico a partir dos séculos XV e XVI (ver Cultura de Portugal).

No período moderno, os processos migratórios mais relevantes em Portugal deram-se nas últimas três décadas do século XX até ao presente, com a notável exceção da entrada de grupos ciganos ainda no século XV. Após 1974, o país torna-se um receptor significativo de populações migrantes como um resultado direto ou indireto da descolonização de África, ou como resultado da participação de Portugal na União Europeia. Portugal tem recebido em número crescente populações migrantes oriundas do Brasil (ex-colónia portuguesa), África (com maior relevância das ex-colónias), Ucrânia (e países do Leste Europeu em geral), além de uma multiplicidade demográfica menos significativa de outras origens, entre as quais avoluma a chinesa.

Portugal foi tradicionalmente uma terra de emigração, desde o período da expansão imperial e colonial, passando, por exemplo, pela emigração económica para o Brasil no século XIX e pela emigração económica, a partir de 1960, para alguns países da Europa Ocidental. Além dos cerca de dez milhões de portugueses residentes em Portugal, estima-se existirem milhões mais espalhados pelo mundo, incluindo recentes lusodescendentes, num total de milhões de pessoas com raízes portugueses.

Os portugueses, assim como os outros povos do sul da Europa e alguns mediterrânicos, são uma população maioritária, mas não exclusivamente morena.

Os portugueses são uma população sul europeia, predominantemente atlântico europeia e oeste-mediterrânica. Todos os europeus modernos são basicamente descendentes de três populações que povoaram o continente europeu: os caçadores-coletores ocidentais; os primeiros agricultores europeus vindos da Anatólia e os proto-indo-europeus vindos da Estepe pôntica (Cultura Yamna ou Yamnaya), com algumas populações atípicas apresentando mistura adicional com povos da Sibéria e do Oriente Próximo. A diferença entre o sul e o norte da Europa consiste no grau de influência de cada grupo: a ancestralidade relacionada com Yamnaya é menor no sul da Europa e maior no norte, ao passo que a ancestralidade dos agricultores da Anatólia é maior no sul e menor no norte. Os italianos da Sardenha são a população moderna com maior similaridade genética com os antigos povos agricultores neolíticos da Europa, com cerca de 85% da ancestralidade sarda sendo oriunda dos agricultores neolíticos. Por sua vez, a ancestralidade das estepes relacionada à cultura Yamnaya atinge seu pico nos noruegueses, lituanos e estonianos, que têm cerca de 50% da ancestralidade relacionada aos povos das estepes.

A população ibérica, na qual insere-se a portuguesa, também foi formada pelas três populações principais para o povoamento da Europa. A ancestralidade que predomina ainda hoje na população ibérica é dos primeiros agricultores europeus, que chegaram da Anatólia e se dispersaram pela Europa Mediterrânea, entre nove e sete mil anos atrás, miscigenando-se aos caçadores-coletores que ali habitavam. Outra grande influência genética nos portugueses atuais adveio das ondas dos pastores proto-indo-europeus, vindos da Estepe pôntica durante a Idade do Bronze. A predominância do haplogrupo R1b do cromossomo Y nos portugueses prova isso. Começando pelo menos no período romano, a diversidade genética da Península foi acrescida pelo fluxo genético do Norte de África e do Mediterrâneo oriental.

A imagem abaixo mostra as migrações que formaram a composição genética da população ibérica:

Desenvolvimentos recentes das metodologias para definição das estruturas populacionais levaram a um estudo de 2006 que concluiu verificar-se uma clara e consistente divisão entre grupos populacionais sul e norte europeus. Um estudo adicional de 2007 posiciona as populações ibéricas algo afastadas de outros grupos continentais, incluindo outros grupos sul-europeus, dando fundamento à hipótese que a Península Ibérica alberga as populações com a origem mais antiga de toda a Europa. Neste estudo, a mais importante diferenciação genética europeia atravessa o continente de norte para sudeste, acompanhada de um outro eixo de diferenciação este-oeste (diferenciando o sul do norte), ao mesmo tempo que se verificou, apesar destas linhas de demarcação relativa, a homogeneidade e proximidade genética de todas as populações europeias.

Um estudo genético de 2019, que analisou o DNA de habitantes da Península Ibérica, dos últimos 8 000 anos, sugere que a população portuguesa e espanhola foi formada pelas seguintes ondas migratórias:

Mesolítico (c. 8 000 a.C.): há um influxo inicial de caçadores-coletores da Europa Central, que migraram para o noroeste da Península Ibérica;

Início do Neolítico (c. 5 000 a.C.): agricultores neolíticos mudam-se para a Península Ibérica, introduzindo a ancestralidade da Anatólia;

Médio Neolítico (c. 4 000 a.C.): influxo adicional de caçadores-coletores da Europa Central;

Idade do Cobre (c. 3 000 a.C.): algum influxo de genes pelo contato esporádico com o Norte da África;

Idade do Bronze (c. 2 000 a.C.): fluxo génico adicional do Centro e do Norte da Europa;

Idade do Ferro (c. 1 000 a.C.): mais fluxo génico do Centro e do Norte da Europa. A partir desse momento, a composição genética dos bascos permanece praticamente intacta até os dias atuais;

Período Romano (c. ano 0): influxo genético do Mediterrâneo central e oriental. Algum influxo adicional de genes norte-africanos, no sul da Península Ibérica;

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