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Primeira Coligação

A Primeira Coligação, também chamada de Primeira Coalizão, foi um esforço conjunto de diversas monarquias europeias cont

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A Primeira Coligação, também chamada de Primeira Coalizão, foi um esforço conjunto de diversas monarquias europeias contra a França revolucionária. A República Francesa formalmente declarou guerra contra a monarquia de Habsburgo em 20 de abril de 1792. A Prússia aliou-se aos austríacos algumas semanas mais tarde.

Estas potências lançaram uma série de campanhas militares de invasão ao território francês por terra e mar, com os prussianos e a Áustria atacando pelos Países Baixos Austríacos e pelo rio Reno, enquanto o Reino Unido apoiava as revoltas na França provincial e também lançava um cerco contra a cidade de Toulon.

A França sofreu diversos revéses nos campos de batalha inicialmente, enquanto lidava com problemas internos com os contra-revolucionários (Guerra da Vendeia) e respondeu então com medidas extremas: o Comitê de Salvação Pública foi formado em 6 de abril de 1793 e o levée en masse foi invocado (agosto de 1793), convocando assim todos os homens entre idade de 18 e 25 anos para a luta. O novo exército francês então contra-atacou, repeliu os invasores e lançou ofensivas além de seus territórios. Na então fronteira austríaca, na região central da Alemanha, a França estabeleceu diversos estados satélites, como a República Batava.

Em 1796, ao norte dos Alpes, Carlos, Duque de Teschen tentou corrigir a situação na Itália e mudar a guerra em seu favor, mas o general francês Napoleão Bonaparte conseguiu forçar os austríacos a uma retirada da região, o que culminaria com o tratado de Leoben e o acordo de Campo Formio (outubro de 1797). A primeira coligação entrou em colapso, deixando assim apenas a Inglaterra em estado formal de guerra contra a França.

A Revolução Francesa estava a tomar um caminho cada vez mais radical. As incompatibilidades crescentes entre os princípios defendidos por Luís XVI e as decisões da Assembleia Nacional Constituinte, levaram a que o rei fugisse de Paris com a sua família e alguns colaboradores, com a finalidade de procurar abrigo em local seguro onde pudesse organizar um movimento de contra-revolução. Frustrada a fuga e localizado o rei, no dia 21 de junho, em Varennes, este foi obrigado a regressar a Paris. Este incidente fez com que se tornasse mais acentuada a hostilidade popular contra a monarquia francesa e, desta forma, contra a própria família real. A ideia da abolição da monarquia e instauração de uma república ganhou mais adeptos. Houve tumultos graves e acções de repressão que agravaram ainda mais a já frágil situação da monarquia.

Após o regresso forçado de Luís XVI e Maria Antonieta a Paris, o que Leopoldo II considerou ser uma situação de prisão da família real, o imperador propôs uma aliança entre várias potências europeias contra a Revolução Francesa. O Imperador Leopold II da Áustria, irmão de Maria Antonieta, deu vários passos no sentido de organizar uma coligação de potências europeias, a que se juntaria um corpo militar de emigrées, destinada a invadir a França e pôr fim à Revolução. Para este efeito foi enviada a Circular de Pádua, de 6 de Julho de 1791. Com esta circular, Leopoldo II propunha aos reis de Espanha, Grã-Bretanha, Prússia, Nápoles e Sardenha, assim como à imperatriz da Rússia, uma reunião destinada definir as medidas necessárias para restaurar a liberdade e honra de Luís XVI e sua família e limitar os extremismos perigosos da Revolução Francesa. Acrescentava ainda um projecto de declaração comum em que o texto era uma manifestação da vontade de as potências destinatárias da circular exigirem a restauração dos poderes de Luís XVI. Espanha, Nápoles e Sardenha apoiaram a declaração mas os soberanos da Prússia e da Rússia mantiveram-se afastados, sem no entanto a recusar, pois estavam mais preocupados com a partilha da Polónia. A Grã-Bretanha recusou claramente envolver-se.

Em agosto de 1791, Leopoldo II e o rei da Prússia, Frederico Guilherme II, reuniram-se no castelo de Pillnitz, na Alemanha, para discutir, entre outros assuntos, as questões apresentadas na Circular de Pádua. Nesta reunião estiveram também presentes o eleitor da Saxónia e o conde de Artois, irmão de Luís XVI, líder dos nobres emigrées. Este aproveitou a ocasião para pressionar os soberanos no sentido de agirem em apoio ao rei de França. Foi então redigida uma declaração - a Declaração de Pillnitz de 27 de agosto de 1791 - em que os signatários reconheciam que a restauração da ordem em França era um assunto de todos os soberanos europeus e, assim, convidavam as potências a unirem-se para apoiarem Luís XVI a estabelecer um sistema monárquico compatível com os direitos dos soberanos e com o bem-estar da Nação Francesa. A declaração mencionava ainda que as potências que concordassem com esta política deviam tomar de imediato medidas para implementá-la.

Na realidade, não se tratava apenas de salvaguardar a pessoa do rei ou o regime. Após uma fase inicial em que a revolução mereceu alguma simpatia de muitos sectores nas próprias monarquias absolutistas, até algum entusiasmo da parte dos correspondentes diplomáticos, seguiu-se uma fase de desilusão e temor sobre a expansão das ideias revolucionárias (desde janeiro de 1790). "O horror, o delírio e a anarquia passam a ser os traços fortes da imagem da Revolução, ...". Estes receios acentuavam-se onde existiam mais entusiastas da Revolução, onde a opinião pública não era em geral contrária aos Franceses.

Em França, a declaração de Pillnitz foi encarada como uma declaração de guerra e começaram a ser tomadas medidas nesse sentido. Mas os apelos do imperador austríaco e do rei da Prússia não tiveram respostas favoráveis das principais potências. A Grã-Bretanha não pretendia que a França fosse de tal forma enfraquecida que daí resultasse a hegemonia austríaca. A Rússia estava mais preocupada com a partilha da Polónia e não pretendia fazer concessões aos Austríacos.

Em Setembro foi aprovada a Constituição francesa e, no dia 1 de outubro, realizou-se a primeira reunião da Assembleia Legislativa. Os atritos entre Luís XVI e a Assembleia começaram logo de seguida. Luís XVI vetou decisões da Assembleia o que fez aumentar o mal-estar entre esta e o rei e, por conseguinte, com o povo de Paris em geral. Os emigrées continuavam a incitar as cortes europeias a intervir contra a Revolução. Em França, os partidários do rei defendiam a guerra como um meio para restaurar o anterior regime pois, para Luís XVI, apenas seria possível readquirir o seu anterior poder se os exércitos franceses, desorganizados pelos acontecimentos da Revolução, fossem derrotados pelas forças das potências que se opunham à França. Por seu lado, os Girondinos, que pretendiam levar a revolução aos outros povos, esperavam que a guerra unisse a nação à sua causa. Os Jacobinos contavam que a guerra poria a descoberto um acordo secreto entre Luís XVI e os soberanos estrangeiros, nomeadamente o seu sogro Leopoldo II, para Luís XVI.

Em dezembro de 1791, os preparativos para a guerra eram já visíveis embora não houvesse qualquer declaração nesse sentido. Ao longo da fronteira com os Países Baixos Austríacos e com os Estados Alemães começaram a ser colocadas as forças pertencentes a três exércitos franceses: Exército do Norte, Exército do Centro e Exército do Reno. Estes foram os três primeiros exércitos organizados pela Revolução Francesa. A guerra teve início por iniciativa francesa. Na Primavera de 1792, o Comité Executivo da Assembleia Legislativa, dominado pelos Girondinos, adoptou uma atitude mais agressiva relativamente à Áustria. Justificavam esta atitude com a necessidade de a França se antecipar a uma invasão do seu território mas também pela vontade de levar a Revolução ao resto da Europa. A declaração de guerra teria de ser feita nos termos da Constituição. Assim, teria de ser o rei a declarar guerra, o que aconteceu a 20 de abril de 1792, sob o pretexto de o Imperador Francisco II do Sacro Império Romano Germânico se recusar a dispersar os grupos de emigrées, ameaçadores para a França. Foi decidido declarar a guerra ao rei da Boémia e da Hungria e não ao imperador, embora se tratasse da mesma pessoa. Desta forma, esperava-se manter fora do conflito muitas das numerosas unidades políticas alemãs onde existia um número considerável de simpatizantes da Revolução.

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