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Primeira Guerra Sino-Japonesa

A Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) foi um conflito entre o Japão e a China, fundamentalmente pelo controle da C

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A Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) foi um conflito entre o Japão e a China, fundamentalmente pelo controle da Coreia. Em chinês, para distingui-la da Segunda Guerra Sino-Japonesa, é conhecida como "Guerra Jiawu" (甲午戰爭), já que ocorreu no ano chinês que leva esse nome.

Em Março de 1895, os dois países assinaram o tratado de Shimonoseki e a China aceitou a cessão de Taiwan, das Ilhas Pescadores e de Liaodong ao Japão.

No entanto, nesse mesmo ano, a Rússia, que via a expansão de Japão como um perigo aos seus interesses geopolíticos na zona, apoiada pela França e o Reino Unido, pressionaram o governo japonês para que amistosamente reconsiderasse as vantagens obtidas pelo Tratado de Shimonoseki.

O Japão, que era incapaz de enfrentar-se com a Rússia, cedeu e teve de renunciar aos direitos adquiridos sobre a península de Liaodong e a sua cobiçada praça estratégica de Port Arthur. Este fato, pese a conservação do resto dos ganhos territoriais e a influência sobre a Coreia fez com que os japoneses pensassem duas vezes antes de agir por conta própria.

Diferentemente dos demais vizinhos da China, o Japão cultivava uma forte tradição de isolamento. O distanciamento do continente dificultava contatos com estrangeiros e propiciou uma grande homogeneidade étnica e linguística naquele país. A ideologia oficial enfatizava uma suposta ancestralidade divina do povo japonês, que teria uma identidade única. Em ambos os países, o Imperador era uma espécie de divindadeː na China, os Imperadores eram os "Filhos do Céu", que tinham, portanto, um "Mandato Celestial". No Japão, eles seriam descendentes diretos da Deusa Sol. Até meados do Século XIX, o comércio do Japão com estrangeiros era restrito aos portos nas Ilhas Ryukyu (atualmente denominada Okinawa e ilhas menores vizinhas). Ambos os países foram forçados a sair do isolamento por pressão das potências ocidentaisː a China a partir da Guerra do Ópio, em 1839; e o Japão, a partir da chegada do comodoro Matthew Calbraith Perry, que pôs fim ao isolamento japonês.

Diferentemente da China, o Japão buscou o desenvolvimento tecnológico e renovou suas instituições. Em 1868, o Imperador Meiji declarou que o conhecimento deveria ser buscado no mundo todo.

Nos anos seguintes, com a Restauração Meiji de 1868 e a queda do Shogunato, o Japão transformou-se de uma sociedade feudal para um estado industrial moderno. O Japão havia enviado delegações e estudantes a todo o mundo, a fim de aprender e assimilar as artes e as ciências ocidentais, o que foi feito não só para evitar que o Japão caísse sob dominação estrangeira, mas também para permitir que o Japão competisse em igualdade com as potências ocidentais.

Em 1874, um navio japonês naufragou na costa sudeste de Taiwan e uma tribo local matou os marinheiros. O China rejeitou o pedido de indenização feito pelo Japão alegando que se tratava de uma tribo bárbara que não se sujeitava ao Imperador. O Japão então lançou uma expedição punitiva contra a ilha que a China não foi capaz de conter, e acabou sendo forçada a pagar a indenização.

A Coreia havia sido, tradicionalmente, um Estado tributário e continuou a sê-lo sob a influência da dinastia Qing na China, que exerceu grande influência sobre a Dinastia Joseon. No Século XIX a Coreia ainda era um Estado vassalo do Império Chinês, portanto, os reis coreanos, regularmente, enviavam tributos para Pequim. Além disso o confucionismo fazia parte de sua cultura e caracteres chineses também eram empregados na Coreia. Nas décadas de 1870 e 1880, o Japão e a China se envolveram em uma série de disputas pela influência da realeza em Seul. A opinião pública na Coreia estava dividida; conservadores queriam manter a tradicional relação subserviente com a China, enquanto os reformistas queriam estabelecer laços com o Japão e as nações ocidentais. Depois de duas Guerras do Ópio contra o Império Britânico e a Guerra Sino-Francesa, a China tornou-se fraca e foi incapaz de resistir a intervenção política e invasão territorial por parte das potências ocidentais. O Japão viu isso como uma oportunidade para substituir a influência chinesa na Coreia com a sua própria.

Como um país recém-emergente, o Japão voltou sua atenção para a Coreia. A fim de proteger seus próprios interesses e à segurança, o Japão queria anexar a Coreia antes que outro país o fizesse, ou pelo menos garantir a efetiva independência da Coreia, através do desenvolvimento dos seus recursos e reformar a sua administração. O conselheiro prussiano Klemens Meckel declarou ao exército Meiji que a Coreia era "um punhal apontado ao coração do Japão". O Japão sentiu que um outro poder com presença militar na península coreana seria prejudicial para a segurança nacional japonesa, e assim, o Japão resolveu acabar com séculos de soberania chinesa sobre a Coreia. Além disso, o Japão percebeu que tendo acesso a Coreia teriam carvão e minérios de ferro para a crescente base industrial do Japão.

Em 27 de fevereiro de 1876, após alguns incidentes e confrontos envolvendo isolacionistas coreanos e os japoneses, o Japão impôs o Tratado de Ganghwa na Coreia, obrigando a Coreia a abrir comércio com o Japão e aos estrangeiros, para proclamar sua independência da China, em suas relações externas.

Para reduzir a influência japonesa, a China recomendou que a Coreia fizesse laços com as potências ocidentais, especialmente com os Estados Unidos da América. Em outubro de 1879, Li Hongzhang, um importante diplomata chinês, mandou uma correspondência para um representante do governo coreano, na qual disse que:

Segundo Li, os inimigos mais perigosos seriam o Império do Japão e o Império Russo, que buscavam ganhos territoriais, ainda que o comércio com o ocidente trouxesse influências corruptas como o ópio e o cristianismo.

Em 1882, a península coreana sofreu uma grave seca que levou à escassez de alimentos, causando muito sofrimento e discórdia entre a população. A Coreia estava à beira da falência e o governo não foi capaz de pagar as suas dívidas, em especial para seus militares. Houve profundo ressentimento entre os soldados do exército coreano que não haviam sido pagos havia meses. Em 23 de julho, um motim militar e um tumulto eclodiu em Seul, as tropas, ajudadas pela população, saquearam os celeiros de arroz lá. Na manhã seguinte, o palácio real e quartéis foram atacados. A multidão, em seguida, tentou atacar a delegação japonesa. O pessoal da delegação japonesa conseguiu fugir para Jemulpo e depois Nagasaki, através do navio de pesquisa britânico Flying Fish.

Em resposta, os japoneses enviaram quatro navios de guerra e um batalhão de soldados para Seul para salvaguardar os interesses japoneses e exigir reparações. Os chineses também mobilizaram 4 500 soldados para combater os japoneses. As tensões diminuíram porém com o Tratado de Jemulpo, que foi assinado na noite de 30 de agosto de 1882 e que especificava que os conspiradores envolvidos seriam punidos e 50 000 ienes seriam pagos às famílias de japoneses mortos. O governo japonês também iria receber 500 000 ienes, um pedido formal de desculpas, e autorização para construir um quartel e tropas estacionadas em sua delegação diplomática em Seul.

Em 1884, um grupo de reformistas pró-japoneses momentaneamente derrubou o governo pró-conservador chinês coreano em um sangrento golpe de Estado. No entanto, a facção pró-chinesa, com a ajuda das tropas do general chinês Yuan Shikai, conseguiu recuperar o controle com um contra-golpe igualmente sangrento que resultou não só com a morte de um certo número de reformistas, mas também na queima da embaixada japonesa e as mortes de vários guardas da embaixada e cidadãos no processo. Isso causou um incidente entre o Japão e a China, mas acabou por ser resolvido pela Convenção Sino-Japonesa de Tientsin de 1885 em que os dois lados concordaram em retirar as suas forças da Coreia, simultaneamente, não enviar instrutores militares para a formação de militares coreanos, e notificar o outro lado de antemão que uma decisão de enviar tropas para a Coreia. Os japoneses, no entanto, foram frustrados por repetidas tentativas chinesas para minar a sua influência na Coreia.

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