Voyager é um programa norte-americano de pesquisa espacial da NASA iniciado em 1977 com o lançamento de duas missões, a Voyager 1 e Voyager 2, com o objetivo inicial de estudar os planetas Júpiter e Saturno e suas respectivas luas. Posteriormente foi ampliado com a inclusão das primeiras explorações de Urano e Netuno e o estudo do espaço após a orbita de Plutão. Em 1990, com seus objetivos no sistema solar atingidos, iniciou-se um novo programa chamado Missão Interestelar Voyager. Em 2004 a Voyager 1 e em 2007 a Voyager 2 saíram da Heliosfera, entrando em uma região conhecida como Heliosheath, que é a fronteira do sistema solar com o espaço interestelar.
Com seus sistemas eletrônicos alimentados por pequenos geradores nucleares, as sondas Voyager poderão continuar em funcionamento até aproximadamente à década de 2020.
Em 9 de agosto de 2020, a Voyager 1 estava a cerca de 22 394 729 898 km de distância da Terra, e a Voyager 2 estava a 18 533 353 836 km da Terra.
As sondas Voyager originaram-se do Programa Mariner, sendo inicialmente designadas Mariner 11 e Mariner 12. Por apresentarem grandes diferenças com o projeto inicial, seu programa foi inicialmente chamado Mariner Jupiter-Saturn sendo posteriormente renomeado Programa Voyager e as sondas como Voyager 1 e Voyager 2.
O Programa Voyager é uma versão, reduzida por cortes orçamentários, do programa Planetary Grand Tour que entre os anos de 1960 e 1970 tinha por objetivo explorar todos os planetas exteriores. Ao término do programa em 1989, as Voyager cumprem todos os objetivos com exceção de Plutão que na época também era considerado um planeta pela UAI.
As Voyagers foram lançadas por um foguete Titan III – Centaur, o qual possuía 50 metros de altura e pesava 635 toneladas das quais cerca de 500 eram combustível. Essa quantidade de combustível foi necessária para que as naves atingissem uma velocidade de cerca de 45 000 km/h suficiente apenas para que as Voyager chegassem até Júpiter.
A Voyager 2 foi a primeira a ser lançada, tendo sua trajetória calculada para tirar vantagem de um raro alinhamento planetário que possibilitou a inclusão de Urano e Netuno (incluindo um estudo detalhado de Tritão) em sua missão. A Voyager 1 foi lançada em seguida em uma trajetória que lhe permitiu chegar em menor tempo a Júpiter e Saturno e incluindo suas luas Io e Titã, o que impediria um voo aos planetas externos e a Plutão.
Na missão foi aplicado o recurso chamado assistência gravitacional que consiste na utilização do movimento relativo e da gravidade de um planeta ou outro corpo celestial objetivando a alteração da trajetória e da velocidade de uma espaçonave. Assim Júpiter impulsionou a Voyager 1 até o planeta Saturno e o mesmo método foi usado para impulsionar a Voyager 2 de Saturno até Urano e de Urano até Netuno.
Com todos os objetivos previstos alcançados a missão ganhou um novo financiamento, após a Voyager 2 passar por Netuno em 1989, dando início a Missão Interestelar Voyager. As sondas estão a sair do Sistema Solar com velocidades de 17 km/s (Voyager 1) e 15 km/s (Voyager 2) alcançando em 2012 distâncias aproximadas de 121UA e 98UA do Sol. Estas continuam em funcionamento com vários instrumentos coletando preciosas informações sobre a heliosfera e a Heliosheath e se aproximam do espaço interestelar.
A Voyager 1 levará 40 000 anos para passar a uma distância de 1,6 anos-luz da estrela AC+79 3888, na constelação de Camelopardalis. Já a Voyager 2, daqui a 296 000 anos irá passar a 4,3 anos-luz de Sirius, a estrela mais brilhante do céu. Mas quando isso acontecer, as naves não estarão mais em funcionamento, uma vez que por volta do ano 2020 os geradores não serão mais capazes de produzir energia elétrica para alimentar os instrumentos das naves.
Entretanto, ainda que silenciosas, as Voyager realizarão a sua última missão que é levar mensagens da Terra para os confins da Via Láctea. O disco, de cobre e banhado a ouro, contém a localização da Terra em relação a 14 pulsares, instruções de como tocá-lo de forma a recuperar 115 imagens da Terra, saudações em 55 idiomas, sons de trovões, pássaros, músicas, etc.
Todas as funções das espaçonaves Voyager foram agrupadas em três sistemas que possuem computadores funcionando aos pares, sendo um principal e um reserva. Estes sistemas são denominados "Computer Command System"(CCS), "Flight Data System"(FDS) e "Attitude and Articulation Control System" (AACS).
O Computer Command System (CCS) é o módulo central de comando. É o responsável pelo cumprimento das instruções recebidas da Terra, controlando os outros dois sistemas e fazendo a detecção e correção de falhas de forma autônoma.
O Flight Data System (FDS) controla, coleta e formata os dados obtidos pelos instrumentos científicos para armazenamento e/ou transmissão em tempo real. Este módulo é responsável pela geração do "clock" responsável pelo sincronismo de todos os subsistemas da nave, sendo utilizado pelo sistema de telemetria e posteriormente convertido em terra para o horário padrão de Greenwich.
O Attitude and Articulation Control System (AACS) é o sistema de manobra da nave que realiza as correções de trajetória, o direcionamento dos instrumentos de pesquisa e da antena de alto ganho que faz a comunicação com a Terra. Para realizar as correções na trajetória e para manter a orientação, cada nave possui um tanque de hidrazina, do qual saem 16 canais, que é utilizado quando há necessidade de correções em sua trajetória.
Como as naves Voyager atuariam longe do Sol, não seria possível a utilização de painéis solares para a geração de energia elétrica. Assim foram projetadas para utilizarem três pequenos geradores termoelétricos de radioisótopos, que utilizam o decaimento radioativo do plutônio para aquecer termopares que fornecem a corrente elétrica que alimenta os instrumentos da nave. Cada gerador possui 39 kg e 51 cm de altura.
As Voyagers possuem "cobertores", feitos com uma espécie de polímero, que as protegem tanto termicamente como também de correntes estáticas e de radiação.
Para manterem contato com as Voyagers, os cientistas da NASA utilizam a Deep Space Network (ou DSN), um complexo de antenas, com 26, 34 e 70 metros de diâmetro, localizadas na Califórnia (EUA), na Espanha e na Austrália. Esta distribuição permite o contato com as sondas 24 horas por dia.