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Programa espacial brasileiro

O Programa Espacial Brasileiro (PEB) é uma iniciativa nacional voltada à pesquisa e desenvolvimento das tecnologias de v

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O Programa Espacial Brasileiro (PEB) é uma iniciativa nacional voltada à pesquisa e desenvolvimento das tecnologias de veículos lançadores, de produção de satélites e da exploração espacial⁣ no Brasil. Surgiu com a criação do Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE) em 1961, durante o governo de Jânio Quadros, que marcou o início das atividades espaciais no país. Desde 1994, a Agência Espacial Brasileira (AEB) coordena o programa espacial nacional.

No Brasil, o uso de foguetes como armas de guerra foi precoce. Já em 1809, o almirante Sidney Smith organizou uma demonstração dos foguetes de Congreve na Quinta da Boa Vista, para o príncipe regente D. João VI. Infelizmente, o projétil se descontrolou (fato comum naqueles artefatos primitivos), e acabou explodindo nos jardins do palácio real, o que gerou um certo desinteresse por esse tipo de arma. Existem registros da fabricação local e uso desse tipo de foguete por volta de 1825, sem muito sucesso. Durante a Guerra da Cisplatina, o tenente Carl Siegener (1798-1827), veterano da Batalha de Waterloo e servindo no Exército Imperial Brasileiro, foi mortalmente ferido pela explosão acidental de foguetes que preparava para uma demonstração a seus superiores, morrendo três dias depois, em 10 de fevereiro de 1827. Carl Siegener é considerado o "pioneiro-mártir" do uso de foguetes militares no Brasil.

No início da década de 1850, alguns foguetes aperfeiçoados por William Hale, conhecidos também como foguetes rotativos (mais precisos que os de Congreve), foram adquiridos pelo governo brasileiro.

Durante a década de 1850, as forças armadas brasileiras passaram por um processo de reestruturação e modernização, inclusive na capacitação de pessoal. Em decorrência desse processo, foram adotados canhões obuses, fuzis raiados, artilharia Paixhans e fuzis de retrocarga. Um dos eventos mais importantes nesse processo foi a criação de um laboratório pirotécnico dedicado à fabricação de foguetes de desenho mais moderno. Nesse período, o Dr. Guilherme Schüch de Capanema conseguiu fabricar vários artefatos localmente, inclusive foguetes, usando de engenharia reversa. Várias experiências com alterações nesses foguetes foram conduzidas por Capanema e pelo tenente coronel José Mariano de Mattos em 1855, o que permitiu o domínio da teoria do sistema. O Brasil se tornou um dos maiores usuários mundiais de foguetes durante a Guerra do Paraguai, quando mais de 10 000 foguetes, fabricados localmente, foram entregues ao exército. Depois disso, com a evolução dos canhões na artilharia, os foguetes caíram em desuso mundialmente.

No seu pequeno livro "O que eu vi, o que nós veremos", de 1918, Santos Dumont, já demonstrava interesse e desejo de que o Brasil tivesse uma Escola Técnica de alto nível voltada para os estudos da aeronáutica. Nessa linha, o sonho de Santos Dumont começou a se materializar quando o Ministério da Aeronáutica (criado em 1941), sentiu necessidade de uma base técnica sólida para o seu efetivo, durante a Segunda Guerra Mundial, ou seja, locais de formação de pessoal especializado em técnicas de aviação e equipamentos. Para suprir essa necessidade, foi selecionado o Ten.-Cel.-Av.-Eng. Casimiro Montenegro Filho (depois Marechal-do-Ar), para executar um programa de desenvolvimento científico e tecnológico dentro do Ministério.

Em 1945, Montenegro embarcou para os Estados Unidos com um grupo de oficiais da FAB, onde visitaram diversas bases aéreas e também o Massachusetts Institute of Technology (MIT), de onde, com o apoio do professor/pesquisador Richard Harbert Smith, contratado pelo governo brasileiro, surgiu a ideia de criar um Centro Técnico, que se chamaria CTA. Já no ano seguinte, o Ministro da Aeronáutica criou a Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica (COCTA), que lançou o edital para as instalações do Centro Técnico de Aeronáutica em São José dos Campos”, em 1947. A construção iniciou-se em 1948, e o CTA foi considerado definitivamente organizado a partir de 1 de janeiro de 1954.

Já o "renascimento dos foguetes" só ocorreria a partir de importantes publicações teóricas: "A Method of Reaching Extreme Altitudes" (Robert Goddard - 1919) e "Die Rakete zu den Planetenräumen" (Hermann Oberth - 1923). Com o envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial, e o consequente contato com armas mais modernas, reacendeu o movimento de pesquisas nessa área. Esta fase teve início na Escola Técnica do Exército (ETE), atual Instituto Militar de Engenharia (IME). Como projeto final do curso de autopropulsão, alunos da ETE, adotaram a construção de um foguete. Apesar de dificuldades de toda ordem, esse grupo de estudantes teve êxito em lançar o foguete em 1949.

Entre 1949 e 1972, trinta e seis projetos de foguetes movidos a combustível sólido foram desenvolvidos (33 deles foram produzidos e testados na prática). Alguns desses projetos tiveram relevância considerável: o lançador M108R, de 1952, que esteve em serviço nas décadas de 70 e 80, fabricado pela Avibras Aeroespacial, um foguete de dois estágios de 1957, com alcance de 30 km, e finalmente, o projeto de um foguete ainda maior o Sonda I (apelidado de Gato Félix, não confundir com o Sonda I da Aeronáutica), com apogeu previsto de 120 km com 30 kg de carga útil, teve seus componentes testados estaticamente, mas não foi lançado. O objetivo do Gato Félix era o de lançar o gato Flamengo ao espaço, mas o projeto foi impedido por considerações éticas.

Outro programa desse período ficou por conta da Marinha que, na década de 60, desenvolveu uma série de pequenos foguetes da série SOMMA (SOndagem Meteorológica da MArinha). Ainda dessa época, a Aeronáutica lançou um programa independente em 1955, que produziu o foguete SOMFA (SOndagem Meteorológica para a Força Aérea). Nenhum desses projetos foram tão sofisticados como os produzidos na ETE/IME, pois se destinavam a pequenas cargas úteis (5 kg) de partículas metalizadas para medir a velocidade dos ventos por radar. Apesar do grande potencial dos projetos do IME, a partir de 1961, a escolha foi concentrar a pesquisa espacial no Grupo de organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE), subordinado ao Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), onde a influência da Força Aérea era marcante.

Pode-se dizer que o moderno Programa Espacial Brasileiro teve início em 1956, quando técnicos brasileiros tiveram o primeiro contato com alguma forma de atividade na área espacial, com a montagem de uma estação de rastreio no arquipélago de Fernando de Noronha, por efeito de um acordo entre Brasil e Estados Unidos, para rastrear as transmissões das cargas úteis dos foguetes lançados de Cabo Canaveral. A criação da NASA em 1958 e o aumento da potência de transmissão dos engenhos espaciais tornaram a estação obsoleta e, depois de quatro anos de atividades, o programa foi encerrado em 1960.

Em 1961, ainda sob o impacto do lançamento do primeiro homem ao espaço e a subsequente visita de Iuri Gagarin ao Brasil, o presidente Jânio Quadros assinou em 3 de agosto de 1961 o decreto 51.133 que instituiu o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE). Os principais agentes do programa, no seu início, foram: o Ministério da Aeronáutica (criado em 1941), o Centro Técnico da Aeronáutica (criado em 1946), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (criado em 1950) e o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (criado em 1954).

Nos anos subsequentes, 1962, 1963 e 1964, observou-se uma divisão de tarefas entre os setores civil e militar, sendo na área civil, a evolução das atividades da CNAE, que mais tarde veio a se tornar o INPE, e na área militar, a criação do GTEPE em 1964, que mais tarde, veio a se tornar o IAE. No segundo semestre de 1964, alguns técnicos do GTEPE, estiveram em treinamento no campo de lançamentos da Força Aérea Argentina em Chamical, onde tiveram contato com o disparo de foguetes Belier Centaure franceses e Nike Cajun Norte americanos. A construção do CLBI teve início em outubro de 1964 com o nome de Projeto Victor.

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