Programa espacial soviético é a designação dada para o conjunto de projetos e missões executados pela antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) para exploração do espaço, tanto por meio de sondas e voos não tripulados, quanto com espaçonaves tripuladas, desde a década de 30 até a sua dissolução em 1991. Atualmente é coordenado pela agência espacial russa Roscosmos.
Ao longo dos seus sessenta anos de história, esse programa, originalmente militar e secreto, foi responsável por um grande número de metas pioneiras alcançadas na conquista do espaço, incluindo: o primeiro míssil balístico intercontinental, o primeiro satélite artificial (1957), o primeiro animal no espaço (1957), o primeiro homem no espaço (1961), a primeira mulher no espaço, a primeira caminhada no espaço, o primeiro veículo a entrar em órbita solar (1959), o primeiro impacto na Lua (1959), a primeira imagem do lado escuro da Lua (1959), o primeiro pouso suave na Lua (1966), o primeiro satélite artificial da Lua (1966), o primeiro rover na Lua (1970), a primeira estação espacial e a primeira sonda interplanetária a atingir a superfície de outro planeta. Estas iniciativas pioneiras acabaram comprovando que era possível enviar artefatos humanos para o espaço exterior e, mais importante, enviar seres humanos ao espaço.
O programa espacial e de foguetes da União Soviética, teve no seu início a ajuda de cientistas e principalmente, muitos engenheiros alemães (sendo Helmut Gröttrup o principal deles), que trabalharam no avançado programa alemão de foguetes, foi conduzido em sua maior parte por cientistas e engenheiros soviéticos depois de 1955, e era baseado em teorias únicas e exclusivas desenvolvidas desde o Império Russo, muitas delas derivadas do trabalho de Konstantin Tsiolkovsky, muitas vezes chamado de "pai da teoria aeroespacial". Sergei Korolev (também traduzido como Sergey Korolyov) foi o líder do principal grupo de projetistas. Seu título oficial era "desenhista chefe" (um título padrão para posições similares na URSS). Foi ele quem concebeu todo o programa e trabalhou para torna-lo realidade, convencendo a alta cúpula soviética, particularmente o líder Nikita Khrushchov, da importância da conquista do espaço. Diferente do seu competidor Norte americano na "corrida espacial", que tinha a NASA como única agência de coordenação, o programa da URSS era dividido entre vários grupos de projetistas liderados por Korolev, Mikhail Yangel, Valentin Glushko e Vladimir Chelomei.
Devido ao fato de o programa ser secreto, e por seu valor estratégico como propaganda, os anúncios dos resultados das missões eram adiados até que o sucesso fosse certo, e as falhas eram em geral mantidas em segredo. Devido à política de glasnost de Mikhail Gorbachev na década de 80, muitos fatos até então desconhecidos sobre o programa espacial foram divulgados. Entre os principais segredos que finalmente foram revelados, constam: as mortes de Korolev, Vladimir Komarov (na queda da Soyuz 1), e Yuri Gagarin (em treinamento de rotina num avião de caça) entre 1966 e 1968, além de falhas desastrosas com o enorme foguete foguete N1 que deveria ser usado na missão de pouso tripulado na Lua, que explodiram logo após o lançamento em cada um dos quatro testes não tripulados.
O programa espacial soviético foi descontinuado com a queda da União Soviética, com a Rússia e a Ucrânia se tornando os seus principais herdeiros. A Rússia criou a "Agência de Aviação e Espaço Russa", hoje conhecida como Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos), enquanto a Ucrânia criou a Agência Espacial do Estado da Ucrânia (NSAU).
A Rússia) continua a desenvolver um consistente programa espacial, que inclui experimentos de longa permanência no espaço, para determinar os efeitos da falta de gravidade sobre o organismo humano. Estas experiências tornaram-se a base do conhecimento que está sendo aplicado hoje na Estação Espacial Internacional.
A teoria da exploração espacial foi bem estabelecida no Império Russo antes da Primeira Guerra Mundial a partir dos escritos de Konstantin Tsiolkovsky, que publicou estudos pioneiros ao final do século XIX, início do século XX e em 1929 introduziu o conceito do foguete multi estágios. Os aspectos práticos de toda essa teoria foram estabelecidos pelos experimentos pioneiros conduzidos pelo Grupo de Estudo do Movimento à Reação (GIRD) nos anos 20 e 30, onde muitos pioneiros como Sergei Korolev e Friedrich Zander trabalharam.
Em 18 de Agosto de 1933, o GIRD lançou o primeiro foguete soviético movido a combustível líquido, o GIRD-9, e em 25 de novembro de 1933, o primeiro foguete híbrido, o GIRD-X. Entre 1940 e 1941, um outro avanço no campo da propulsão reativa foi conquistado: o desenvolvimento e produção em série do lançador de foguetes Katyusha.
Durante os anos 30, a tecnologia de foguetes soviética era comparável à alemã, mas o "Grande Expurgo" de Stalin comprometeu seriamente esse progresso. Muitos dos principais engenheiros foram mortos, e Korolev e outros foram presos nos Gulags. Apesar da efetividade dos mísseis Katyusha na Frente Oriental da Segunda Guerra, os avanços do programa de foguetes alemão impressionaram muito os engenheiros soviéticos, que inspecionaram os seus restos em Peenemünde e Mittelwerk depois do fim da guerra. Apesar dos Norte americanos terem levado secretamente os mais importantes cientistas alemães e material para construir cerca de 100 foguetes V-2 para os Estados Unidos na Operação Paperclip, o programa soviético se beneficiou muito dos registros, centros de produção, cientistas remanescentes e uma boa quantidade de engenheiros e técnicos.
Após a Segunda Guerra Mundial, a URSS recrutou diversos engenheiros alemães que trabalharam na V-2. Pouco tempo depois a URSS já estava lançando os seus próprios foguetões. Este desenvolvimento inicial acabou resultando no desenvolvimento dos foguetes espaciais (e de misseis balísticos intercontinentais).
Sob a direção de Dimitri Ustinov, Korolev e outros inspecionaram os documentos alemães. Ajudados pelo engenheiro Helmut Gröttrup e outros técnicos alemães recrutados até o início dos anos 50, eles construíram uma réplica do V-2 chamado R-1, apesar do peso das bombas nucleares soviéticas da época, exigirem foguetes mais potentes. Devido a isso, o escritório de projetos Korolev, o OKB-1 se dedicou ao desenvolvimento de um foguete que atendesse a esse requisito, o que levou ao projeto do ICBM R-7 Semyorka, que foi testado com sucesso em agosto de 1957.
O programa espacial soviético começou com uma grande vantagem sobre o dos EUA. Devido a problemas técnicos para fabricar ogivas nucleares mais leves, os mísseis lançadores intercontinentais da URSS eram imensos e potentes se comparados com seus similares estadunidenses. Logo, os foguetes para seu programa espacial já estavam prontos como resultado do esforço militar soviético resultante da guerra fria. Assim, na época em que a Sputnik 1 foi lançada, a capacidade de lançamento da URSS era de 500 kg, enquanto a dos EUA era de 5 kg.
A base dos lançadores soviéticos (e a base para o desenvolvimento do lançador Proton usado até hoje pela Rússia) foi o míssil balístico intercontinental R.7 (ou "Sputnik"), desenvolvido pela equipe chefiada por Sergei Korolev. Foi usando um R.7 que a URSS realizou a façanha de enviar o satélite artificial Sputnik 1 para a orbita da Terra.
O treinamento dos cosmonautas soviéticos era rígido e bem planejado. Os soviéticos supunham que as condições de um voo espacial eram severas e que só "super-homens" poderiam suporta-la.
O programa espacial soviético, estava ligado aos seus planos quinquenais e desde o início recebia apoio dos militares. Apesar de Korolev ser motivado "por um sonho único de viagens espaciais", ele geralmente mantinha isso em segredo quando tratava de projetos militares. Depois do primeiro teste de bomba atômica na URSS em 1949, um míssil capaz de carregar uma ogiva daquele tamanho aos Estados Unidos se torna necessário, e com ele a disposição, Korolev e outros insistiam na ideia de satélites e naves tripuladas. Apesar disso, o primeiro foguete com animais a bordo foi lançado em 1951; os dois cães foram recuperados vivos depois de chegar a 101 km de altitude. Dois meses antes de os Estados Unidos efetuar um experimento semelhante. Esse e outros voos subsequentes, deram aos soviéticos uma valiosa experiência em medicina espacial.