Os protestos contra o governo Dilma Rousseff foram manifestações populares que ocorreram em diversas regiões do Brasil, no contexto da crise político-econômica iniciada em 2014, tendo como principais objetivos protestar contra o governo Dilma Rousseff e defender a Operação Lava Jato.
O movimento reuniu milhões de pessoas nos dias 15 de março, 12 de abril, 16 de agosto e 13 de dezembro de 2015 , e, segundo algumas estimativas, foram as maiores mobilizações populares no país desde o início da Nova República.
Manifestações populares voltaram a ocorrer em todas as regiões do Brasil no dia 13 de março de 2016. Foi o maior ato político na história do Brasil, superando as Diretas já. Após o impeachment, os grupos envolvidos continuaram a organizar manifestações, mas com outros motivos.
Em 26 de outubro de 2014, após a campanha mais acirrada desde a eleição de 1989, Dilma Rousseff foi reeleita presidente do Brasil com 51,6% dos votos válidos. Em relação ao pleito anterior, Dilma perdeu mais de 1,25 milhão de votos e venceu, sobretudo, devido à votação maciça que obteve no Nordeste — quase o triplo de votos que o candidato oposicionista Aécio Neves. Em dezembro, antes de anunciar um impopular ajuste fiscal que inclui mudanças nas regras de benefícios previdenciários, o governo gozava da aprovação de 52% da população. O ajuste fiscal visava combater a crise econômica iniciada em 2014.
Após os primeiros impactos do ajuste fiscal serem sentidos, em fevereiro de 2015, a aprovação de Dilma caiu para 23%. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a mudança na regra de concessão dos benefícios previdenciários atinge 49 milhões de pessoas no caso do seguro desemprego, 23 milhões de pessoas no caso do abono salarial e 600 mil pescadores no caso do seguro-defeso. Em meio a esse cenário econômico desfavorável, além de novos desdobramentos da Operação Lava Jato (o Supremo Tribunal Federal decidiu que seriam investigados cerca de 50 políticos supostamente envolvidos no esquema de corrupção, a maioria pertencente a partidos aliados do governo), grupos oposicionistas como Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados Online marcaram protestos contra a presidente no dia 15 de março de 2015, convocando os participantes através das redes sociais. Apesar de se dizerem apartidários, os protestos foram apoiados por partidos de oposição como PSDB, DEM, PPS e SD, que convocaram seus filiados para os atos.
À época dos protestos, pesquisas internas do governo, divulgadas tanto pela oposição à direita como pela "oposição à esquerda", indicaram quedas ainda maiores nos índices de aprovação do governo, para 7% (Veja) ou 10% (CartaCapital).
Dois dias antes da data marcada para a primeira das manifestações, em 13 de março, partidos de esquerda, centrais sindicais e movimentos sociais realizaram um ato em defesa da Petrobras e contra o ajuste fiscal em 24 estados e no Distrito Federal. Apesar de criticar as medidas de ajuste fiscal, os manifestantes se declararam contra o impeachment da presidente, sendo a defesa da democracia um dos motes do movimento. A CUT estimou que cem mil pessoas tenham participado do ato em cidade de São Paulo, número que, para a PM, foi de doze mil manifestantes.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o Movimento Brasil Livre (MBL) foi o principal responsável pela convocação das manifestações. O grupo é sediado em São Paulo e, segundo o The Economist, foi "fundado no último ano para promover as respostas do livre mercado para os problemas do país". Em manifesto publicado na internet, o MBL cita seus cinco objetivos: "imprensa livre e independente, liberdade econômica, separação de poderes, eleições livres e idôneas e fim de subsídios diretos e indiretos a ditaduras". Os coordenadores nacionais do MBL negaram que são financiados por grandes empresários e declararam que dependem de doações feitas pela internet.
Outro grupo que ajudou a organizar os protestos foi o Revoltados Online, fundado em 2004 por Marcello Reis com o objetivo original de "rastrear pedófilos". Com quase 700 mil seguidores no Facebook, o Revoltados Online alimenta as redes sociais com publicações diárias contra o governo. O grupo tinha como referência Jair Bolsonaro e considerava o impeachment da presidente Dilma e do vice Michel Temer sua principal bandeira, além de defender a volta do voto de papel, a consolidação de um regime parlamentarista no Brasil e a existência de apenas cinco partidos no país — "um de centro, direita, extrema direita, esquerda e extrema esquerda". O Revoltados Online financiava-se através da venda de "kits pró-impeachment". Por fim, havia o Vem Pra Rua, considerado o grupo mais moderado ideologicamente entre os que organizaram os protestos, por não defender o impeachment ou uma intervenção militar. O grupo foi fundado em setembro de 2014 em apoio ao então candidato presidencial Aécio Neves. Para Renan Santos, do MBL, "os caras do Vem Pra Rua são mais velhos, mais ricos e têm o PSDB por trás".
Dentre os grupos regionais que participaram da organização do protesto, destacava-se o Movimento Endireita Brasil (MEB), tradicional organizador do Dia da Liberdade de Impostos em São Paulo. O MEB existia desde 2006 e sua página no Facebook tinha mais de 184 mil curtidas. A pauta do Movimento era a defesa do estado mínimo, da propriedade privada e das liberdades individuais, atuando nas manifestações em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Segundo Ricardo Salles, o líder do MEB à época, posteriormente Ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro, o "lugar do governo é fora da economia".
No dia 15 de março, ocorreram protestos em todos os estados brasileiros, em ao menos 160 cidades. Os estados de São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro registraram as maiores adesões, enquanto os estados do Norte e do Nordeste tiveram menor índice de participação. Em Palmas, por exemplo, não houve protesto contra Dilma. Também foram registrados protestos em seis cidades do exterior: Buenos Aires, Londres, Lisboa, Miami, Montreal e Nova York. As estimativas totais de participantes variam. Enquanto as polícias militares estimam entre 1 400 000 e 2 400 000, os organizadores afirmam que estiveram presentes 3 000 000 de pessoas.
Independente da fonte, o protesto ocorrido na cidade de São Paulo foi o maior de todos. Às 15h40, a Polícia Militar do Estado de São Paulo estimou que estavam presentes 1 000 000 de manifestantes na Avenida Paulista e ruas adjacentes. O Datafolha, usando metodologia própria, calculou em 210 mil o número de manifestantes, ressaltando que esta foi a maior manifestação política na capital paulista desde as Diretas Já. Segundo o instituto, que não considerou as pessoas presentes nas adjacências da Avenida Paulista, a aglomeração máxima nos 135,5 mil m² da Paulista é de 950 mil pessoas.
O discurso predominante entre os manifestantes pedia o impeachment da presidente Dilma e a responsabilização do Partido dos Trabalhadores (PT) pelo escândalo de corrupção na Petrobrás. Alguns manifestantes defendiam uma intervenção militar. A maioria dos manifestantes vestiam roupas com as cores da Bandeira do Brasil e camisetas da Seleção Brasileira de Futebol. O clima era festivo e muitos manifestantes aproveitaram para tirar selfies com policiais. Em determinado momento, um grupo de cerca de quarenta caminhoneiros também se juntou à manifestação na Avenida Paulista. Segundo o Comando Nacional do Transporte, não houve endosso da ação. Eles seguiram para a Avenida Paulista e posteriormente desceram a Avenida Consolação, paralisando parcialmente o trânsito.
O governo do Estado de São Paulo liberou, pela primeira vez em um protesto, as catracas do metrô de São Paulo para os manifestantes. Em outros protestos, como os de junho de 2013, a PM usou balas de borracha e bombas de efeito moral para impedir que manifestantes pulassem as catracas das estações de metrô. Durante certo tempo, os manifestantes puderam passar pelas catracas livremente sem a cobrança de passagem. Críticos ao protesto encararam isso como um apoio do governo de São Paulo, liderado pelo oposicionista Geraldo Alckmin, aos protestos. Vários artistas globais demonstraram seu apoio convocando manifestantes em suas redes sociais. Além disso, a Globo transmitiu, em caráter extraordinário, o informativo Globo Notícia a cada quarenta minutos com a cobertura das manifestações em todo o Brasil.