Quissamã é um município brasileiro do estado do Rio de Janeiro, situado na região Norte Fluminense.
Ocupando uma área de 715,877 km², é limitado a oeste pelos municípios de Carapebus e Conceição de Macabu, ao norte e a leste por Campos dos Goytacazes, e ao sul pelo Oceano Atlântico. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2021, era de 25 535 habitantes.
A região de Quissamã era dominada pelos índios Goitacazes na época da chegada dos europeus no Brasil.
No primórdio da colonização portuguesa, suas terras fizeram parte da Capitania de São Tomé, mas a região de Quissamã não foi ocupada pelos portugueses. Como a capitania foi abandonada pelo seu donatário, sete capitães portugueses solicitaram as terras da região como pagamento pelos serviços militares por eles prestados nos combates contra os piratas franceses que infestavam o norte do Rio de Janeiro e nas guerras com os holandeses. O governador da capitania do Rio de Janeiro, Martim Correa de Sá, concedeu-lhes, em 9 de agosto de 1627, uma sesmaria que se estendia do rio Macaé e até o cabo de São Tomé e que incluía o território atual de Quissamã.
Os índios Goitacazes da região foram atacados em 1630 pelos índios tupinambás cristianizados da Aldeia de São Pedro e, em seguida, dizimados por expedições militares de portugueses do Espírito Santo (estado). A região ficou praticamente vazia, o que facilitou sua colonização posterior.
Entre os anos 1632 e 1634, os sete capitães fizeram várias expedições de exploração da sesmaria que tinham recebido, e conseguiram firmar acordos com as esparsas populações locais, formadas por índios, mamelucos e náufragos. As suas aventuras foram relatados pelo seu líder Miguel Aires Maldonado na obra denominada "Roteiro dos Sete Capitães".
A ocupação da região começou com o estabelecimento de fazendas de criação de gado bovino em caráter semi-nômade, utilizando mão-de-obra indígena. A carne do gado abatido era salgada e vendida no Rio de Janeiro. Miguel Aires Maldonado, o líder dos sete capitães, ergueu currais e começou a criar gado no sudeste da Lagoa Feia na região próxima da atual "Barra do Furado". A região, cercada pelo mar, lagoas, canais naturais e brejos, era considerada uma ilha.
As terras de Miguel Aires Maldonado foram herdadas pelo capitão José de Barcellos Machado que, em 1688, abriu nas suas terras um canal artificial ligando a Lagoa Feia e o mar, que ficou conhecido como canal do Furado (atualmente, corresponde, grosso modo, ao Canal das Flexas).
O filho do capitão José de Barcellos Machado, capitão Luís de Barcelos Machado fundou, em julho de 1694, a capela de Nossa Senhora do Desterro na "ilha" do Furado. Logo depois, o Bispo do Rio de Janeiro erigiu a capela em sede de uma Capelania Curada a qual deviam obediência todos os povos até o rio Macaé. Surgiu então a povoação mais antiga da região entre Quissamã e Macaé.
Freguesia de Nossa Senhora do Desterro
No ano de 1732, o alcaide-mor Caetano de Barcelos Machado, neto do capitão Luís de Barcelos Machado, transferiu a sede de sua fazenda do Furado para Capivari, já totalmente dentro da área do atual município de Quissamã. Ali fundou uma nova capela com a mesma prerrogativa da anterior.
Em 1749, a capela foi promovida a igreja-matriz. A freguesia de Nossa Senhora do Desterro do Capivari foi criada por alvará de 12 janeiro de 1755, subordinada à então Vila de São Salvador de Campos dos Goytacazes.
Estando em processo de ruínas, a igreja-matriz de Nossa Senhora do Desterro foi, em 1795, transferida provisoriamente para a capela situada no interior da Casa da Fazenda Mato de Pipa de propriedade do capitão Manuel Carneiro da Silva.
Perto da Casa da Fazenda Mato de Pipa e da fazenda Quissamã começava a se formar uma nova povoação. O Brigadeiro José Caetano de Barcelos Coutinho, neto do alcaide-mor Caetano de Barcelos Machado, cumprindo uma promessa religiosa de cura de uma paralisia que o acometia, edificou a partir de 1805 uma nova igreja-matriz, que só foi concluída em 1815 pelos seus sobrinhos José Carneiro da Silva, futuro primeiro visconde de Araruama, e João Carneiro da Silva, futuro primeiro barão de Ururaí, assim como pelas suas irmãs Maria Isabel de Velasco e Ana Joaquim de Velasco. Esta primeira igreja-matriz foi erguida no mesmo local onde se encontra a atual, cuja construção terminou em 1924. Surgiu então a freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Quissamã, o segundo mais antigo núcleo de povoamento da região, e cujo desenvolvimento deu origem ao atual centro urbano de Quissamã.
Desde o início da colonização, a administração política e religiosa de Quissamã foi subordinada às autoridades da vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes. Devido a distância entre a vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes e as freguesias de Nossa Senhora do Desterro de Quissamã e de Nossa Senhora das Neves (atual região serrana de Macaé, o Bispo do Rio de Janeiro decidiu, em 1802, erigir a freguesia de Quissamã em Cabeça de Comarca, com a freguesia de Nossa Senhora das Neves subordinada a esta. Logo depois, em 1812), a Cabeça de Comarca passa ser a freguesia de São João de Macaé.
Criação da Vila de São João de Macaé
Um alvará real de 29 de julho de 1813 criou a vila de São João de Macaé desmembrada da cidade de Nossa Senhora da Assunção de Cabo Frio e incorporando a freguesia de Quissamã, que foi desmembrada da vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes.
A nova vila foi instalado em 25 de janeiro de 1814. Quissamã deixou assim de ser parte de Campos dos Goytacazes e continuará como freguesia de Macaé durante todo o Império, e depois como um distrito durante a República, até a emancipação.