Raúl Ricardo Alfonsín Foulkes (Chascomús, 12 de março de 1927 – Buenos Aires, 31 de março de 2009) foi um advogado e político argentino que exerceu o cargo de presidente da Argentina entre 1983 e 1989. Nascido em uma cidade da Província de Buenos Aires, iniciou seus estudos de Direito na Universidade Nacional de La Plata e graduou-se pela Universidade de Buenos Aires. Filiado ao partido União Cívica Radical (UCR), juntou-se a facção de Ricardo Balbín após a cisão do UCR.
Alfonsín foi eleito deputado na Legislatura da Província de Buenos Aires em 1958, e deputado nacional em 1963. Ele se opôs a ambos os lados da Guerra Suja, e entrou várias vezes com pedidos de Habeas corpus solicitando a liberdade para vítimas de desaparecimentos forçados, ocorridos durante o Processo de Reorganização Nacional. Denunciou os crimes cometidos pelas ditaduras militares de outros países, e também se opôs as ações de ambos os lados na Guerra das Malvinas. Após a morte de Balbín, tornou-se líder da UCR e foi o candidato do partido à presidência argentina na eleição de 1983, na qual saiu vitorioso.
Quando tornou-se presidente, enviou um projeto de lei ao Congresso para revogar a lei de autoanistia estabelecida pelos militares. Ele estabeleceu a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas para investigar os crimes cometidos pelos militares, que resultou na condenação dos chefes do antigo regime. O descontentamento entre os militares gerou os motins dos Carapintadas, levando Alfonsín a apaziguá-los com a Lei de Ponto Final e a Lei de Obediência Devida. Também teve conflitos com os sindicatos, que eram controlados pelo oposicionista Partido Justicialista. Alfonsín resolveu o Conflito de Beagle, aumentou o comércio com o Brasil, propôs a criação do grupo de apoio Contadora para mediar o conflito entre os Estados Unidos e os Contra da Nicarágua, e sancionou a primeira lei permitindo o divórcio. Ele iniciou o plano Austral para melhorar a economia nacional, mas esse plano, bem como o Plano Primavera, falhou. A hiperinflação e os distúrbios resultaram na derrota de seu partido na eleição presidencial de 1989, vencida pelo peronista Carlos Menem.
Alfonsín permaneceu como líder da UCR, e se opôs ao governo de Carlos Menem. Junto com Menem, iniciou o Pacto de Olivos, a fim de negociar as condições para uma reforma constitucional em 1994. Fernando de la Rúa liderou uma facção da UCR que se opôs ao pacto, e tornou-se presidente em 1999. De la Rúa renunciou durante os protestos de dezembro de 2001, e a facção de Alfonsín forneceu o apoio necessário para o peronista Eduardo Duhalde ser nomeado presidente pelo Congresso. Alfonsín morreu de câncer de pulmão em 31 de março de 2009, aos 82 anos de idade, sendo velado em um grande funeral de Estado.
Raúl Alfonsín nasceu em 12 de março de 1927, na cidade de Chascomús, a 123 quilômetros ao sul de Buenos Aires. Seus pais eram Serafín Raúl Alfonsín Ochoa e Ana María Foulkes. Serafín era de ascendência galega e alemã, e Ana María era filha do imigrante galês Ricardo Foulkes e da insular de Falkland María Elena Ford. Após concluir sua escolaridade elementar, Raúl Alfonsín matriculou-se no Liceu Militar General San Martín, formando-se depois de cinco anos como segundo tenente. Não seguiu uma carreira militar e começou a estudar Direito. Começou seus estudos na Universidade Nacional de La Plata e completou-os na Universidade de Buenos Aires, formando-se aos 23 anos. Em 1949, se casou com María Lorenza Barreneche, que conheceu na década de 1940 em um baile de máscaras. Eles se mudaram para Mendoza, La Plata, e voltaram para Chascomús. Tiveram seis filhos, dos quais apenas Ricardo Alfonsín também seguiu uma carreira política.
Alfonsín comprou um jornal local, o El Imparcial. Se juntou à União Cívica Radical (UCR) em 1946, como membro do Movimento de Renovação e Intransigência, uma facção do partido que se opôs à incorporação da UCR na coalizão da União Democrática. Foi nomeado presidente do comitê do partido em Chascomús em 1951, e eleito para o conselho da cidade em 1954. Durante a reação do governo de Juan Perón ao bombardeio da Plaza de Mayo, foi detido por um breve período. A Revolução Libertadora depôs Perón do governo nacional; Alfonsín foi novamente detido brevemente e forçado a deixar seu cargo no conselho da cidade. A UCR dividiu-se em dois partidos: a União Cívica Radical Intansigente (UCRI), liderado por Arturo Frondizi, e a União Cívica Radical do Povo (UCRP), liderado por Ricardo Balbín e Crisólogo Larralde. Alfonsin não gostou da divisão, mas o optou por seguir o UCRP.
Alfonsín foi eleito deputado para a legislatura da Província de Buenos Aires em 1958, na chapa do UCRP, e foi reeleito em 1962. Mudou-se para La Plata, capital da Província, durante seu mandato. O presidente Frondizi foi derrubado por um golpe militar em 29 de março de 1962, que também encerrou a legislatura provincial. Com isso, voltou para Chascomús. O UCRP prevaleceu sobre a UCRI no ano seguinte, levando Arturo Illia à presidência do país. Alfonsín foi eleito deputado nacional e depois vice-presidente do bloco UCRP no congresso. Em 1963, foi nomeado presidente do comitê do partido para a Província de Buenos Aires.
Illia foi deposto por um novo golpe militar em junho de 1966, chamado de a "Revolução Argentina". Alfonsín foi detido enquanto tentava realizar uma manifestação política em La Plata, e outra vez quando tentou reabrir o comitê do UCRP. Foi forçado a renunciar como deputado em novembro de 1966, sendo detido pela terceira vez em 1968 após uma manifestação política em La Plata. Também escrevia artigos de opinião para jornais, sob os pseudônimos Alfonso Carrido Lura e Serafín Feijó. A Guerra Suja começou durante esta época, uma vez que muitos grupos guerrilheiros rejeitaram a ditadura militar de direita e os governos civis, preferindo uma ditadura de esquerda alinhada com a União Soviética, como na Revolução Cubana. Alfonsín esclareceu em seus artigos que rejeitava a ditadura militar e a guerrilha, e pediu por eleições livres. O UCRP tornou-se o UCR mais uma vez e a UCRI foi transformada no Partido Intransigente. Alfonsín criou o Movimento para Renovação e Mudança dentro da UCR para desafiar a liderança de Balbín do partido. A ditadura militar finalmente convocou eleições livres, permitindo que o peronismo (que havia sido banido desde 1955) participasse delas. Balbín derrotou Alfonsín na eleição primária, mas perdeu na principal. Alfonsín foi eleito deputado uma vez mais.
Illia foi convidado em 1975 para uma missão diplomática para a União Soviética; ele declinou e, em vez disso, propôs Alfonsín. Após seu retorno, Alfonsín tornou-se um dos membros fundadores da Assembleia Permanente para os Direitos Humanos. Foi o advogado de defesa de Mario Roberto Santucho, líder dos guerrilheiros do ERP, mas apenas para realizar o devido processo legal, e não por causa de um genuíno desejo de apoiá-lo. O golpe de Estado argentino de 1976 contra a presidente Isabel Martínez de Perón iniciou o Processo de Reorganização Nacional. Alfonsín apresentou vários pedidos de Habeas corpus, solicitando liberdade para as vítimas de desaparecimentos forçados. Visitou outros países, denunciando os desaparecimentos e violações dos direitos humanos. Em 1976, estabeleceu a revista Propuesta y control, uma das poucas revistas que criticaram a ditadura militar durante seus primeiros estágios. A revista foi publicada até 1978. Seus editoriais foram coletados em 1980 no livro La cuestión argentina. Não apoiou a Guerra das Malvinas de 1982 e criticou o ataque argentino e o contra-ataque britânico. A derrota argentina na guerra marcou o declínio da ditadura militar. Os principais partidos políticos uniram-se na Multipartidaria, emitindo um pedido conjunto à ditadura para que convocasse eleições. Alfonsín propôs a nomeação de Arturo Illia como chefe de Estado de um governo de transição, semelhante ao Metapolitefsi na Grécia. O Movimento de Renovação e Mudança assumiu o controle da UCR; Balbín morreu em 1981.