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Ramakrishna

Monge e filósofo hindu indiano

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Sri Ramakrishna Paramahamsa (Bengali: রামকৃষ্ণ পরমহংস), nascido Gadadhar Chattopadhyay (Bengali: গদাধর চট্টোপাধ্যায়), (Bengala, 18 de Fevereiro de 1836 – Calcutá, 16 de Agosto de 1886) foi um dos mais importantes líderes religiosos Hindus da Índia, e foi profundamente reverenciado por milhões de Hindus e não-Hindus como um mensageiro de Deus. Ramakrishna foi uma figura influente na Renascença Bengali do século XIX.

Swami Vivekananda, um dos seus maiores discípulos descreveu Ramakrishna Paramahamsa como: "Ele que foi Rama, Ele que foi Krishna, agora é Ramakrishna neste corpo."

Historicamente, na Índia, a ênfase dada aos ensinamentos dos santos é pouca, tanto em datas quanto em detalhes. No caso de Ramakrishna entretanto, nós temos um autêntico registro de sua vida e obra. Isto foi possível por causa do cuidado que seus discípulos tiveram em preservar apenas os fatos advindos de inúmeras fontes. O crédito principal por preservar estes fatos vai para o Swami Saradananda, um discipulo de Ramakrishna. Ele escreveu uma bibliografia autorizada para marcar a diferença entre os fatos e as histórias que cresciam em volta do nome de Ramakrishna. Um nova tradução em inglês da obra de Swami Chetanananda, hoje está disponível em livrarias.

Entretanto, o melhor registro dos ensinamentos de Sri Ramakrishna, em bengali, Kathamrita, foi escrito por Sri Mahendranath Gupta (Sri M.). A tradução desta obra para língua inglesa, O evangelho de Sri Ramakrishna de Swami Nikhilananda, é certamente o mais amplamente lido. No prefácio da tradução, Nikhilananda menciona: "Eu fiz um tradução literal, omitindo apenas algumas páginas, sem particular interesse para os leitores ingleses". Alguns dizem que destas omissões de Nikhilananda surgem problemas de interpretação do Kathamrita.

Gadadhar nasceu na vila de Kamarpukur, que é agora um distrito santificado de Bengali ocidental. Os pais de Gadadhar, Khudiram e Chandramani, eram pobres e sempre tinham grandes dificuldades. Gadadhar era conhecido como mascote da vila. Ele era considerado hábil com as mãos e tinha o dom natural para a arte. Ele, entretanto, não gostava de ir para escola, e não tinha interesse em ganhar dinheiro. Ele adorava a natureza e passava horas nos campos e jardins frutíferos fora da cidade com seus amigos. Ele era visto visitando os monges que faziam o trajeto para Puri. Ele os ajudava e escutava com atenção os debates religiosos que eles frequentemente discutiam. À época dos preparativos para Gadadhar, investido no caminho sagrado (Upanayana), ele declarou que teria sua primeira alma como Brahmin de uma certa mulher da etnia Sudra da vila (os hindus são extremamente precoceituosos e uma sudra é considerada uma intocável). Este foi um choque nos dias em que as tradições exigiam que a primeira alma fosse uma brahmin, mas ele foi inflexivel. Ele disse ter dado a sua palavra à mulher e se ele não mantivesse a sua palavra, que tipo de Brahmin ele poderia ser? Sem argumento, sem apelo, não importando as lágrimas para convencê-lo, ele ficou firme na sua posição. Finalmente, Ramkumar, seu irmão mais velho e cabeça da familia após a morte do seu pai, deu seu consentimento.

Enquanto isso, a condição financeira da familia piorava a cada dia. Ramkumar foi para uma escola de Sânscrito em Calcutá e também serviu como sacerdote purohit para algumas famílias. Nesta época, uma mulher rica de Calcutá, Rani Rashmoni, fundou um templo em Dakshineswar. Ela pediu para que Ramkumar servisse como sacerdote no templo de Kali e Ramkumar concordou. Após certa persuasão, Gadadhar concordou em decorar a deidade. Quando Ramkumar se afastou, Gadadhar tomou seu lugar como sacerdote.

Ramakrishna começou a vida religiosa como devoto de Deus no seu aspecto feminino, através da forma da Grande Mãe indiana Kali ou Durga, celebrada num grande festival ou Pudja. Quando Gadadhar começou a adorar a divindade Bhavatarini, questionava se estava adorando um pedaço de pedra ou uma deusa. Se ele estava adorando um ser vivo, por que ela não respondia à sua adoração? Esta questão o perturbava dia e noite. Então, ele começou a rezar para Kali: "Mãe, você deu tantas dádivas aos seus devotos no passado e se revelou a eles. Por que não quer se revelar a mim também? Eu não sou também seu filho?"

Ele era conhecido por chorar de forma encarniçada e às vezes ruidosamente enquanto a adorava. Em uma noite, ele foi para um floresta próxima e passou toda a noite rezando. Conta-se que um dia ele estava tão impaciente para ver a mãe Kali que decidiu terminar com a sua vida. Com este intuito, ele pegou uma espada que ficava pendurada na parede e ia usá-la contra si mesmo quando viu uma luz em forma de ondas saindo da imagem da deusa, e foi envolvido por estas ondas, caindo no chão inconsciente.

Gadadhar, insaciável, rezou ainda mais para a Mãe Kali para poder experimentar outras experiências religiosas. Ele queria sobretudo conhecer o que as outras religiões ensinavam de verdadeiro. Estranhamente, estes professores vieram a ele quando foi necessário e ensinaram a ele como trilhar diferentes caminhos espirituais, sendo que, ao praticá-los, ele acabava por alcançar os mesmos êxtases e experiências que tinha ao adorar Kali. Assim, rapidamente ele ficou conhecido e pessoas de todos os locais, posições e religiões começaram a vir ao seu encontro em busca de conselhos sobre a vida espiritual.

Ramakrishna foi iniciado em Advaita Vedanta por um monge peregrino chamado Totapuri, na cidade de Dakshineswar. Totapuri era "um professor viril de aparência severa e feições ásperas, e uma voz forte". Ramakrishna logo afetuosamente apelidou o monge de Nangta ("homem nu"), por ele ser um sannyasin (renunciante), ele não usava roupas.

"Eu [Ramakrishna] disse a Totapuri em desespero: 'Isto não é bom. Eu nunca serei capaz de libertar o meu espírito para um estado incondicionado e estar face a face com o Atman.' Ele [Totapuri] repreendeu severamente: 'O que você quer dizer com não pode? Você deve!'. Olhando então para ele, ele achou um pedaço de vidro. Ele pegou e bateu num ponto entre as minhas sobrancelhas e disse: 'Concentre sua mente neste ponto.' [...] A última barreira desaparecerá e meu espírito imediatamente precipitou-se para além do plano de condicionamento. Eu me perdi em samadhi.

Após a partida de Totapuri, Ramakrihsna permaneceu por seis meses em estado de contemplação: "Por seis meses, eu [Ramakrishna] permaneci em um estado do qual homens normais nunca voltaram; geralmente o corpo despenca, após três semanas, como uma casca vazia. Eu não tinha consciência do dia e da noite. Moscas entravam em minha boca e nariz como se eu fosse um corpo morto, mas eu não os sentia. Meu cabelo ficou emaranhado com poeira."

Rumores de que Ramakrishna havia ficado louco em consequência do excesso de exercícios espirituais se espalharam por Kamarpukur. Os vizinhos, alarmados, aconselharam a mãe de Ramakrishna que ele deveria se casar, de modo que estaria mais ciente de suas responsabilidades para com sua família. Longe de opor-se ao casamento, o próprio Ramakrishna indicou Jayrambati, três milhas ao noroeste de Kamarpukur, como a aldeia onde sua noiva podia ser achada, na casa de um Mukherjee de Ramchandra. A noiva de seis anos, Sri Sarada, foi achada e o casamento foi devidamente realizado.

Sri Devi Sarada foi a primeira discípula de Ramakrishna. Ele tentou ensinar à sua esposa tudo que aprendeu com seus vários Gurus. Acredita-se que ela tenha dominado cada segredo religioso com a mesma rapidez que Ramakrishna. Impressionado por seu potencial religioso, ele começou a tratá-la como a Mãe Universal e executou um Puja considerando Sarada como verdadeira Tripura Sundari Devi. Disse, "considero você como a própria Mãe, a Mãe que está no templo". Os ensinamentos de Ramakrishna impressionaram sobremaneira Sarada Devi, de modo que ela posteriormente tornou-se como uma mãe para seus discípulos mais jovens, e também para a humanidade inteira. No começo, Devi Sarada era tímida sobre este papel, mas lentamente, encheu-se com coragem.

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