Neste Dia

Rapto Lindbergh

O rapto de Charles Augustus Lindbergh, Jr., o filho mais velho do aviador norte-americano Charles Lindbergh e Anne Morro

Anúncio

O rapto de Charles Augustus Lindbergh, Jr., o filho mais velho do aviador norte-americano Charles Lindbergh e Anne Morrow Lindbergh, foi um dos mais publicitados crimes do século XX. A criança de 20 meses foi raptada da sua casa de família, em Highfields, em East Amwell, Nova Jersey, na tarde de 1 de março de 1932. O caso teve notória divulgação, pois Charles Lindbergh era considerado um héroi nacional por alcançar a proeza de ser o primeiro a atravessar o Oceano Atlântico em um voo solitário, durante 33 horas.

Cerca de 2 meses depois, a 12 de maio de 1932, o seu corpo foi descoberto a uma curta distância da casa de Lindbergh, na vizinhança de Hopewell Township. Uma examinação médica determinou que a causa da morte foi fratura massiva do crânio.

Depois de uma investigação que demorou mais de dois anos, Richard Hauptmann foi preso e acusado pelo crime. Num julgamento, realizado entre 2 de Janeiro e 3 de Fevereiro de 1935, Hauptmann foi dado como culpado do assassinato em primeiro grau e sentenciado à morte. Foi executado na cadeira eléctrica, na Prisão Estatal de Nova Jersey, em 3 de Abril de 1936. Hauptmann proclamou a sua inocência até ao fim e muitos historiadores questionam a sua culpa.

O escritor de jornais H. L. Mencken chamou ao rapto e consequente julgamento "a maior história desde a Ressurreição". O crime estimulou o Congresso a criar uma lei federal contra sequestros, chamada popularmente de "Lei Lindbergh", que tornava o transporte de uma vítima raptada para fora das divisas estaduais em um crime federal.

No dia 1 de março, às 20h, a enfermeira da família, Betty Gow, colocou Charles Lindbergh, Jr., de 20 meses, a dormir no seu berço. Ela aconchegou a criança num cobertor e fixou-o com dois grandes pinos para prevenir que ele se movesse durante o sono. Por volta das 21h30, Charles Lindbergh, o pai do bebê, ouviu um barulho que o fez pensar que as ripas do caixote cheio de laranjas na cozinha se tinham partido e caído. Sua esposa, Anne Lindbergh, também ouve um som estranho enquanto toma seu banho. Contudo, às 22h, Betty Gow voltou ao quarto do bebê para descobrir que ele não estava no berço. A enfermeira perguntou a Anne Lindbergh, que tinha acabado de sair do seu banho, se o bebê estava com ela. Posteriormente, no julgamento, a mãe de Lindbergh Jr. afirma: “Fechamos as portas de todas as janelas, exceto da janela que dava para sudeste, pois era impossível trancá-la. Deixamos também entreaberta a janela da sacada para o bebê ter um pouco de ar puro”.

Não encontrando a criança com a sua mãe, a enfermeira desceu ao andar de baixo para falar com Lindbergh, que estava na biblioteca logo abaixo do quarto do bebê no canto sudeste da casa. Ele foi imediatamente ao quarto do bebê para ver por ele mesmo que o bebê tinha desaparecido. Enquanto procurava no quarto, encontrou uma nota num envelope branco no parapeito da janela acima do aquecedor.

Lindbergh pegou na sua arma e percorreu a casa procurando por intrusos. Em 20 minutos a polícia local estava a caminho, bem como a imprensa e o advogado da família. Mais tarde nessa noite uma impressão de pneu foi encontrada na lama causada pelo tempo chuvoso mais cedo naquele dia. Pouco depois da polícia ter começado a procurar no perímetro, encontraram três peças de uma escada num arbusto próximo, que parecia inteligentemente desenhada, mas fracamente construída.

O primeiro no local foi o Chefe Harry Wolfe, da polícia de Hopewell Borough. Wolfe juntou-se logo aos oficiais da polícia estatal de Nova Jérsia, que fizeram buscas por quilômetros.

Depois da meia-noite, um especialista em impressões digitais chegou para examinar a nota deixada no parapeito da janela e a escada. A escada tinha 400 impressões digitais parciais e algumas pegadas. Contudo, muitas não tinham valor para a investigação devido ao grande número de profissionais da imprensa e policiais, que estiveram presentes nos primeiros 30 a 60 minutos depois da primeira chamada de ajuda. Durante o processo de descoberta, nenhuma impressão digital de adulto foi encontrada no quarto, incluindo em áreas em que as testemunhas-chave admitiam ter tocado, como a possível janela de entrada. Impressões digitais do bebê foram encontradas em área baixa do quarto. A nota de resgate que foi encontrada por Lindbergh foi aberta e lida pela polícia depois de terem chegado. A curta carta manuscrita foi escrita com erros ortográficos e irregularidades gramaticais: "Caro Senhor

Arranje 50 000 dólares; 25 000 em notas de 20 dólares, 15 000 em notas de 10 dólares e 10 000 em notas de 5 dólares. Dentro de dois a quatro dias, indicar-lhe-emos o local onde deve deixar o dinheiro. Recomendamos-lhes que não avise a polícia, nem fale a ninguém no assunto. A criança está em boas mãos".

Existiam dois círculos azuis ligados em volta de um círculo vermelho por baixo da mensagem, com um buraco no meio do círculo vermelho e dois outros buracos ao lado dos outros círculos.

Os comentários sobre um rapto espalharam-se rapidamente, e, junto com a polícia, os bem-nascidos e bem-intencionados chegaram à residência de Lindbergh. Eram coronéis militares oferecendo a sua ajuda, apesar de apenas um ter conhecimentos de imposição da lei: Herbert Norman Schwarzkopf, superintendente da Polícia Estatal de Nova Jersey. Os outros coronéis eram Henry Skillman Breckinridge, um advogado de Wall Street; William J. Donovan (também conhecido como "Wild Bill" Donovan, um herói da Primeira Guerra Mundial que mais tarde liderou a OSS). Lindbergh e estes homens acreditavam que o rapto tinha sido orquestrado por figuras do crime organizado. A carta, pensaram eles, parecia ter sido escrita por alguém que falava alemão como língua nativa. Charles Lindbergh, por esta altura, usou a sua influência para controlar a direção da investigação.

Eles contataram Mickey Rosner, um indivíduo que se dizia acompanhar mafiosos. Rosner, em resposta, falou em dois donos de bares que vendiam bebidas ilegalmente: Salvatore "Salvy" Spitale e Irving Bitz. Lindbergh rapidamente confirmou os dois e enviou os seus intermediários para tratarem com o mafioso. Várias figuras do crime organizado - notavelmente Al Capone, Willie Moretti, Joe Adonis e Longy Zwillman - falaram da prisão, oferecendo ajuda para recuperar o bebê em troca de dinheiro e favores legais. Especificamente, Capone ofereceu ajuda em troca de ser libertado da prisão com a justificativa de que a sua ajuda seria mais eficaz. Isto foi rapidamente negado pelas autoridades.

Na manhã depois do rapto, o presidente dos Estados Unidos da América, Herbert Hoover foi notificado do crime. Apesar do crime não parecer ter bases para um envolvimento federal (rapto era classificado na altura como crime local), Hoover declarou que ia "mover o Céu e a Terra" para recuperar a criança desaparecida.

O Bureau of Investigation (na altura ainda não era chamado de FBI) foi autorizado a investigar o caso, enquanto a Guarda Costeira dos Estados Unidos, o Serviço de Costumes dos Estados Unidos, o Serviço de Imigração dos Estados Unidos e a polícia de Washington, D. C., receberam a notificação que os seus serviços seriam necessários. Os oficiais de Nova Jersey anunciaram uma recompensa de US$ 50 000 para devolveram a salvo o "Pequeno Lindy". A família Lindbergh ofereceu uma recompensa adicional de US$ 50 000 por eles mesmos. A recompensa total de US$ 75 000 foi tornada mais significativa pelo fato de a oferta ter sido feita durante os primeiros dias da Grande Depressão.

Durante este tempo, Lindbergh voou até ao Aeroporto de Round Hill para investigar uma pista que especificava a localização do seu filho num barco nas Ilhas Elizabeth.

Alguns dias depois do rapto, uma nova carta de resgate chegou à casa de Lindbergh por correio. Registada em Brooklyn, a carta era verdadeira, trazendo as marcas vermelhas e azuis perfuradas.

Uma segunda nota de resgate chegou por correio, também registada em Brooklyn. Depois, uma terceira carta foi enviada. Também vinha de Brooklyn. Esta carta avisava que, uma vez que a polícia estava agora envolvida no caso, o resgate tinha subido para US$ 70 000.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Rapto Lindbergh | World in Stories