Raul Belens Jungmann Pinto GCMD • GCMTGV • GOMM (Recife, 3 de abril de 1952 – Brasília, 18 de janeiro de 2026) foi um consultor empresarial brasileiro e político sem partido, anteriormente filiado ao Partido Popular Socialista (PPS, atual Cidadania). Foi ministro do Desenvolvimento Agrário e ministro extraordinário de Política Fundiária do Brasil durante o governo Fernando Henrique Cardoso, além de ministro da Defesa e ministro extraordinário da Segurança Pública do governo Temer. Por Pernambuco, foi deputado federal por três mandatos, além de vereador da capital Recife.
Nasceu no Recife, capital de Pernambuco, no dia 3 de abril de 1952, filho de Ivanise Belens Moreira e de Sylvio Jungmann da Silva Pinto, jornalista e servidor público. Pelo lado paterno, era bisneto do químico Georg Friedrich Hermann Jungmann, alemão de Görlitz, ex-combatente da Guerra Franco-Prussiana, pelo que recebeu a Cruz de Ferro. Georg Jungmann foi para Pernambuco junto à esposa Pauline Sakopf por razões profissionais, na década de 1880, e no estado se estabeleceu e fez família. Portanto, Raul Jungmann era também sobrinho-neto de Augusto Leite Jungmann, que foi procurador-geral de Goiás, e de João Jungmann, desembargador da antiga Corte de Apelação de Pernambuco, e irmão do músico André Jung, ex-baterista das bandas Titãs e Ira!.
Em 1976, ingressou no curso de Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), no Recife, mas não chegou a completar o curso.
Após se afastar da política, após o fim do governo Michel Temer, permaneceu ativo em organizações da sociedade civil. Em 2019, foi indicado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli como integrante do conselho consultivo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Foi membro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), think-tank sem fins lucrativos dedicado à política externa brasileira.
Em 2022, assumiu a presidência do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), organização privada e sem fins lucrativos que representa as empresas e instituições do setor mineral.
Participou ativamente do movimento Diretas Já, à época filiado ao MDB (1972/1994). Após a redemocratização, foi filiado ao Partido Comunista Brasileiro, e ajudou a fundar o Partido Popular Socialista (PPS), ao qual pertenceu até março de 2018.
Secretário de Estado de Planejamento do Governo de Pernambuco
Entre 1990 e 1991, Jungmann foi o secretário de planejamento da Gestão Miguel Arraes sob o Governo de Pernambuco.
Ministro extraordinário de Política Fundiária e do Desenvolvimento Agrário
No ano de 1993, foi secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, até 1994. Em 1996, foi nomeado ministro extraordinário de Política Fundiária por Fernando Henrique Cardoso. Admitido por FHC ainda em 1995 à Ordem do Mérito Militar no grau de Comendador especial, foi promovido pelo mesmo em março de 1999 ao grau de Grande-Oficial. Em novembro do mesmo ano, seu cargo foi normatizado como ministério, recebendo o nome de Ministério do Desenvolvimento Agrário, pelo qual exerceu até 2002.
Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
Raul Jungmann também foi o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) ainda no Governo Fernando Henrique Cardoso.
Em 2011, por indicação de Aécio Neves, passou a ocupar o cargo de conselheiro da Light S.A., empresa controlada pela estatal elétrica de Minas Gerais, Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG). Já por indicação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ocupou o cargo de conselheiro da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) e também da PRODAM/SP (Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo).
Em maio de 2016, Raul Jungmann foi nomeado pelo Presidente do Brasil, Michel Temer, para o cargo de Ministro da Defesa.
Em 18 de outubro de 2016 uma edição extra do Diário Oficial da União publicou o decreto de exoneração de Jungmann. Mas a exoneração foi por apenas por um dia para que assumisse o cargo de deputado federal. Em nota, Ministério da Defesa esclareceu, "que o ministro Raul Jungmann, suplente de Deputado Federal pelo Estado de Pernambuco, foi “exonerado” pelo presidente da República em exercício, deputado Rodrigo Maia, para reassumir o posto de Deputado Federal de acordo com o artigo 56 da Constituição Federal e artigo 241 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Isso ocorre porque, caso contrário, o ministro Raul Jungmann perderia a vaga de suplente do deputado federal José Mendonça Filho.
Em 27 de fevereiro de 2018 foi nomeado Ministro da Segurança Pública pelo então presidente Temer. A pasta criada passou a ser responsável pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, o Departamento Penitenciário Nacional, a Secretaria Nacional de Segurança Pública e os conselhos de Segurança Pública e de Política Criminal e Penitenciária. Ao assumir a presidência da República em janeiro de 2019, Jair Bolsonaro publicou a Medida Provisória 870/2019, que extinguiu sete ministérios. Com a MP, o Ministério da Segurança Pública e o Ministério da Justiça foram fundidos, formando o Ministério da Justiça e Segurança Pública, sendo nomeado para comandar a pasta o juiz federal Sergio Moro.
Raul Jungmann morreu em 18 de janeiro de 2026, aos 73 anos de idade, em decorrência de um câncer no pâncreas, em Brasília.