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Rede Manchete

Extinta rede de televisão brasileira

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A Rede Manchete (também conhecida como TV Manchete ou Manchete) foi uma rede de televisão comercial brasileira com sede no Rio de Janeiro fundada em 5 de junho de 1983 pelo empresário e jornalista Adolpho Bloch. Integrante do Grupo Bloch, a rede foi idealizada com uma proposta sofisticada, voltada ao público de classe alta e montada com os mais avançados equipamentos da época. Seu nome foi inspirado na revista homônima publicada pelo grupo.

Durante sua trajetória, a programação da Rede Manchete teve como destaques o jornalismo, a cobertura de grandes eventos — como Copas do Mundo, Jogos Olímpicos e o Carnaval carioca — e produções de teledramaturgia. Em 1990 alcançou um marco ao exibir Pantanal, primeira novela fora da TV Globo a liderar o horário nobre desde os anos 1970. A rede também foi pioneira na exibição de animes e tokusatsus, popularizando esses gêneros no Brasil.

Apesar dos sucessos artísticos, a Rede Manchete enfrentou recorrentes crises financeiras, agravadas por altos custos operacionais e má gestão. Nos anos 1990, com a morte de Bloch e o avanço da crise econômica, a rede viu sua audiência cair, perdeu afiliadas e reduziu drasticamente sua produção. Greves, demissões em massa e atrasos salariais marcaram o período final de sua existência.

Em 1999, após negociações frustradas e o arrendamento temporário à Igreja Renascer em Cristo, o Grupo Bloch vendeu as concessões da Rede Manchete ao grupo TeleTV, liderado por Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho. A rede deixou de ser identificada com o nome Manchete em 10 de maio de 1999 e deu lugar à RedeTV!, que estreou em novembro do mesmo ano. Uma decisão judicial posterior isentou a nova rede de assumir as dívidas herdadas da antecessora.

No final dos anos 1970, o empresário Adolpho Bloch se interessou pela televisão, o único meio de comunicação onde ainda não atuava. Até então, já tinha algumas emissoras de rádio no Rio de Janeiro. Bloch havia designado um grupo de diretores e funcionários da Bloch Editores para cuidar do projeto da TV Manchete. O empresário conta em seu depoimento: "Quando aqui cheguei [de volta ao Brasil após viagem aos Estados Unidos, em 1981], encontrei o projeto da televisão bastante adiantado. Eu não estava a par de quase nada. Era grato ao presidente Figueiredo, que nos concedeu os cinco canais depois da necessária licitação pública". Bloch ainda contou que investir em televisão não estava entre suas prioridades: "Pessoalmente, eu preferiria continuar investindo na editora, visitando exposições de gráficas, de livros, revistas e, com o tempo, concretizando o projeto de fabricar latas de alumínio, uma novidade no mercado brasileiro. [...] Relutei comigo mesmo e custou-me a ideia da televisão. Mas quando aderi, e seguindo o meu temperamento, foi para valer". Em junho de 1981, após vencer a licitação do governo para as concessões que originaram a Rede Manchete, Bloch afirmou que pretendia fazer televisão "para intelectuais, mas sem muita complicação".

Em 23 de julho de 1980, o governo federal anunciou a abertura da concorrência para duas novas redes de televisão, que surgiram das concessões das extintas Rede Tupi, TV Excelsior e TV Continental. Em 25 de março de 1981, o governo anunciou os vencedores da licitação. O presidente João Figueiredo concedeu as concessões aos grupos de Silvio Santos e Adolpho Bloch, respectivamente, nos decretos nº 85.841 e nº 85.842. Das nove emissoras cedidas, quatro ficaram com o Grupo Silvio Santos e as outras cinco com o Grupo Bloch, que correspondiam aos canais 6 do Rio de Janeiro (antiga TV Tupi Rio de Janeiro), 9 de São Paulo (antiga TV Excelsior), 4 de Belo Horizonte (antiga TV Itacolomi), 2 de Fortaleza (antiga TV Ceará) e 6 do Recife (antiga TV Rádio Clube). Em 19 de agosto de 1981, os empresários assinaram os contratos definitivos das concessões. O SBT foi lançado pelo Grupo Silvio Santos nesta data, enquanto o Grupo Bloch decidiu adiar o lançamento para poder preparar o projeto da nova rede, investindo 50 milhões de dólares em instalações, equipamentos e enlatados e contratando 800 profissionais. O sobrinho de Adolpho Bloch, Pedro Jack Kapeller seguiu para os Estados Unidos e Japão, trazendo os equipamentos mais modernos.

Bloch teria sido escolhido porque a revista Manchete elogiava o governo e porque seu sobrinho, Oscar Siegelman, era amigo do general Otávio Medeiros, do Serviço Nacional de Informações. Mas quase não a ganhou por causa da maneira como a revista cobria o carnaval: "Assim eu não vou dar a televisão para vocês", disse Figueiredo a Oscar Siegelman. "Eu estive vendo a Manchete, é uma vergonha. Só dá bicha e mulher pelada e vocês vão colocar isso na televisão". O presidente mudou de opinião depois que o jornalista Alexandre Garcia, seu ex-assessor de imprensa, disse que seria o diretor do Departamento de Jornalismo da emissora e não permitiria que cenas consideradas impróprias fossem ao ar. Em 20 de março de 1981, o Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo divulgou uma nota oficial lamentando a decisão do Ministério das Comunicações em ceder duas concessões aos grupos de Adolpho Bloch e Silvio Santos, afirmando-se "de luto" e considerando que "foram ganhadoras as duas piores propostas, pois o Sr. Adolpho Bloch já fala numa rede para exibir filmes enquanto o Sr Sílvio Santos está preocupado com o seu Baú da Felicidade para a venda de carnês". Em relação a Adolpho Bloch, o sindicato se referiu ao empresário como "proprietário de uma não muito promissora editora de revistas".

Em janeiro de 1982, a nova rede já tinha encomendado cerca de 35 milhões de dólares em equipamentos (americanos, japoneses e ingleses), mais da metade do orçamento total estimado em 50 milhões. Todas as instalações físicas da emissora estavam prontas à espera dos equipamentos. Enquanto isso, o arquiteto Oscar Niemeyer trabalhava no projeto do centro de produção nacional que funcionaria num terreno de 100 mil m² na Barra da Tijuca (e que anos depois, foi erguido no bairro de Irajá). A previsão, até então, era que a Manchete entraria no ar entre setembro e novembro de 1982. Em relação à futura programação, era dito que seria dirigida a "um público inteligente que assiste ou não à televisão ("classe A e B") e que, com certeza, estará voltada para temas brasileiros, dentro de um padrão que mais se aproxima do europeu. Mais sério, menos apelativo e menos eletrônico". A direção explicou: "Em televisão tudo é muito veloz. O que se planeja muda muito rápido. Quem sabe se até lá a TVS não será a campeã de audiência?", adiantando que a "Rede Manchete de Televisão será alegre, extrovertida, jovial, mas também séria e o menos eletrônica possível". Novamente, a estreia foi adiada para março de 1983: "A gente não tem pressa: o Adolpho Bloch quer fazer tudo direito, como manda o figurino. Sem dúvida vai ser a TV mais moderna do mundo porque, além dos equipamentos ultrassofisticados, vai ser a primeira rede que já começa com tudo pronto", afirmava Rubens Furtado, diretor-geral. Finalmente, em maio de 1983, foi anunciado que em 15 dias, em 5 de junho, às 19h, a Manchete iria iniciar suas transmissões em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde estava a sua primeira afiliada, a TV Pampa de Porto Alegre. A expectativa em torno da inauguração foi crescendo desde a primeira transmissão experimental da emissora às 15h27 do dia 13 de maio, uma sexta-feira.

Como previsto, a Rede Manchete foi ao ar às 19h do dia 5 de junho de 1983, um domingo. Foi colocada no ar uma contagem regressiva futurística de 8 segundos para um informe da Petrobras anunciando o lubrificante Lubrax e dando boas-vindas à nova emissora brasileira. Seguiu-se um discurso no ar de Adolpho Bloch na redação de jornalismo da emissora, primeiramente sem som, devido a um problema técnico. Um slide com o logotipo da emissora entrou no ar e a fita foi então rebobinada para o início, transcorrendo normalmente a partir de então, com a contagem, o comercial e o discurso de Bloch, que declarou:

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