Neste Dia

Regina Casé

Atriz e apresentadora brasileira

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Regina Maria Barreto Casé (Rio de Janeiro, 25 de fevereiro de 1954) é uma atriz e apresentadora brasileira. Tornou-se conhecida ao integrar o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone na década de 1970, onde fez seus principais trabalhos no teatro, e mais tarde ganhou projeção no cinema e televisão, sobretudo nas comédias. Os prêmios de Casé incluem dois Prêmios Grande Otelo, quatro Prêmios APCA, dois Prêmios Guarani e três Troféus Imprensa. Ela foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural em 2012.

A carreira de Regina teve início nos palcos do teatro e ganhou notoriedade com as montagens do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, o qual foi uma das fundadoras. Seu primeiro trabalho profissional foi na peça O Inspetor Geral (1972), pela qual recebeu o Prêmio Governador do Estado. Posteriormente, apareceu em diversas obras do grupo, trabalhando como atriz e criadora, como em Trate-me Leão (1976), que lhe valera o Prêmio Molière, Aquela Coisa Toda (1980) e A Farra da Terra (1983). Ao mesmo tempo, construiu uma carreira no cinema, com estreia no aclamado Chuvas de Verão (1978), de Cacá Diegues, e na televisão, com aparições em programas humorísticos. Sua primeira personagem de projeção nacional foi na novela Cambalacho (1986) ao interpretar a icônica Tina Pepper, uma aspirante a cantora sem noção que a tornou um sucesso. Neste mesmo ano, recebia elogios da crítica com o filme Areias Escaldantes, que lhe rendeu um Prêmio APCA. A consolidação como artista popular ocorrera ao estrelar o programa humorístico TV Pirata (1988–90), considerado um marco na televisão brasileira, e que lhe valera o segundo APCA da carreira. Os trabalhos seguintes de Casé foram diversificados e ela fez sua estreia como apresentadora, destacando-se na linha de comédia da TV Globo com atrações como Programa Legal (1991), Brasil Legal (1995–97), Muvuca (1998–00) e Um Pé de Quê (2001–11). Ela também apresentou uma série de quadros dentro do Fantástico na década de 2000.

Casé alcançou um novo patamar em sua carreira ao estrelar o filme Eu, Tu, Eles (2000), que lhe rendeu aclamação crítica nacional e internacional. O The New York Times comparou sua interpretação com Sophia Loren e Ana Magnani. O filme lhe rendeu seus primeiros prêmios Grande Otelo e Guarani como melhor atriz de cinema, além de premiações em festivais internacionais. A carreira cinematográfica da atriz foi consolidada com o aclamado drama Que Horas Ela Volta? (2015), novamente com projeção internacional, onde interpretou a doméstica Val. Além dos tradicionais Grande Otelo, Guarani e APCA, Casé foi premiada no Festival Sundance de Cinema, nos Estados Unidos. Ela também conquistou a crítica na comédia dramática Três Verões (2020), sendo indicada ao Prêmio Platino de Melhor Atriz.

Na televisão, Regina teve um grande momento ao ser lançada ao posto de protagonista de novela das nove em Amor de Mãe (2019–21), onde mais uma vez teve sua interpretação aclamada pela crítica e pelo público. Pelo papel de uma mãe em busca do filho desaparecido, ela recebeu o Troféu Imprensa de Melhor Atriz e o público a escolheu como Melhor Atriz de Novela no Melhores do Ano. O trabalho seguinte de Casé em telenovelas continuou rendendo elogios por fugir dos estereótipos como a vilã perversa de Todas as Flores (2022), que ganhou o público pelo carisma e bom humor.

Nascida em 25 de fevereiro de 1954, Regina Maria Barreto Casé nasceu e foi criada em uma família de classe média no bairro carioca de Botafogo, filha do escritor Geraldo Casé e da dona de casa Heleida Barreto. Seus avós parternos eram Graziela Casé e o radialista pernambucano Ademar Casé. O seu avô foi um dos pioneiros na chegada do rádio ao Brasil. Os pais de Regina se separaram em 1964, e Geralda casou-se novamente, indo morar em São Paulo. Regina continuou no Rio de Janeiro ao lado de sua mãe e suas duas irmãs, Patrícia, nascida em 9 de janeiro de 1958 e Virgínia, nascida em 2 de janeiro de 1959. Ela é a filha mais velha e, em entrevistas, contou que sentia ciúmes das irmãs ainda pequenas. Alguns anos mais tarde, sua mãe casou-se novamente com um português de Lisboa, que era comandante da Linhas Aéreas Portuguesas (TAP). Regina, já adolescente, não queria afastar-se de seus amigos e familiares e quis ficar no Rio de Janeiro. Sua mãe, o padrasto e as irmãs se mudaram para Portugal, instalando-se na cidade de Sintra.

Casé fez o maternal no Colégio Ofélia de Agostini e depois estudou o primário e o ginásio no colégio de freiras Sacre-Couer de Marie, no Rio de Janeiro, onde teve seus primeiros contatos com o teatro. Quando sua mãe mudou-se para Portugal, Regina foi morar com sua melhor amiga, que também era sua vizinha em Botafogo. Depois de seis meses, decidiu se mudar para a casa de suas tias-avós Maria Amélia e Julinha, em Copacabana. Regina sempre foi muito próxima as suas tias-avós, em especial Julinha, tendo sido criada por elas até ficar adulta. Regina fez o maternal no Colégio Ofélia de Agostini, e depois o primário e o ginásio no Colégio Sacre-Coeur de Marie, tradicional escola de freiras em Copacabana. Não gostava de ir a escola na infância, mas conta que apesar da rigidez disciplinar, tirava boas notas e sempre amou ter sido educada em um colégio religioso. O atual ensino médio, na época chamado de ensino secundário, cursou no Colégio Rio de Janeiro, tendo concluído em 1973. No ano seguinte passou em Comunicação Social para a UFF e também foi aprovada para a PUC, mas preferiu se dedicar ao teatro.

Asdrúbal Trouxe o Trombone e sucesso inicial (1970—1984)

Com apenas 16 anos, em 1970, Regina ingressou no curso de teatro coordenado por Sérgio Britto e conheceu o ator Hamilton Vaz Pereira, que viria a ser seu primeiro marido. Ao lado de Hamilton, Jorge Alberto Soares, Luiz Arthur Peixoto e Daniel Dantas fundou um grupo teatral, o qual batizaram de Asdrúbal Trouxe o Trombone, que tornou-se um grande sucesso e movimentou o cenário cultural carioca no final dos anos 1970. O primeiro trabalho do grupo foi a destacada adaptação de O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, realizada em 1974. Nesta sátira política, o grupo de atores conquistou o público e a crítica, rendendo à Regina o Prêmio Governador do Estado de Melhor Atriz Revelação em Teatro. Posteriormente, montaram a peça Ubu, em 1975, e voltaram a ter sucesso crítico em Trate-me Leão, montagem original que representou o maior êxito do grupo, em 1977. A peça abordava vários problemas, vivências e o cotidiano da juventude do Rio de Janeiro, e ela interpretou diversos personagens. Por esse trabalho, Casé recebeu o importante Prêmio Molière de Melhor Atriz, considerado o Óscar do teatro nacional.

Já conhecida pelo público carioca pelo sucesso no teatro, fez sua estreia no cinema participando de dois filmes em 1978. Ela foi dirigida por Cacá Diegues em seu filme de estreia, Chuvas de Verão, onde ela fez uma participação especial como uma funcionária da repartição. Mas o papel de projeção foi em Tudo Bem, de Arnaldo Jabor, onde ela interpretou uma oportunista preocupada em encontrar um marido. Contracenou com Paulo Gracindo, Fernanda Montenegro, Zezé Motta e Luiz Fernando Guimarães no núcleo principal do filme. Ambos os filmes de estreia de sua carreira foram listados entre os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, o que demonstra a sua aprovação crítica também no cinema. Em 1980, atuou no filme Os Sete Gatinhos, adaptação da peça de mesmo nome de Nelson Rodrigues, sendo dirigida por Neville D'Almeida nesta comédia dramática sobre uma família disfuncional.

Em 1980, ainda, Regina estreou na televisão com papéis em programas humorísticos da TV Globo. Neste ano, ela fez uma participação especial no infantil Sítio do Picapau Amarelo, que na época era dirigido por seu pai, e participou do humorístico Os Trapalhões. Atua ainda no Asdrúbal Trouxe o Trombone em Aquela Coisa Toda, texto de Hamilton Vaz Pereira, em 1980, e em A Farra da Terra, também de Hamilton, em 1983, quinta e última peça do grupo. No ano seguinte, o grupo encerra suas atividades. Em 1982, foi escalada para integrar o humorístico Chico Anysio Show, onde contracenou com seu ídolo Chico Anysio. Casé participou da atração por dois anos, até 1984, e interpretou diversos personagens. Entre os quadros de destaque, está o que a personagem Neide Taubaté, uma entrevistadora vivida por Anysio, entrevistava personalidades variadas, todas interpretadas por Casé. "Ele grava muito, ele grava tudo de primeira, e era um dia só para gravar. Então, às vezes, num mesmo dia, eu fazia oito personagens: fazia uma gaúcha, uma francesa, uma revolucionária, um jogador de futebol, uma velhinha, um padre, e ia lá e voltava, ia lá e voltava. Parecia até que eu é que era o Chico Anysio", contou Casé sobre o trabalho em depoimento ao Memória Globo.

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