Neste Dia

Regina Duarte

Atriz brasileira e ex-Secretária Especial de Cultura do Brasil

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Regina Blois Duarte (Franca, 5 de fevereiro de 1947) é uma atriz e diretora de teatro brasileira. Iniciou sua trajetória ainda jovem na TV Excelsior, alcançando projeção na televisão a partir da década de 1960, período em que passou a integrar o elenco de importantes produções televisivas. Ao longo dos anos, construiu uma carreira marcada por papéis de grande apelo popular, tornando-se conhecida como a “namoradinha do Brasil”, apelido que refletia sua forte identificação com o público. Tornou-se protagonista de novelas como Anjo Marcado (1966), O Terceiro Pecado (1968) e Legião dos Esquecidos (1968–1969). Em 1969, devido a crise financeira na emissora que a levou à falência pouco tempo depois, transferiu-se para a TV Globo e fez dezenas de personagens marcantes, como em Irmãos Coragem (1970–1971), Selva de Pedra (1972), Sétimo Sentido (1982), Roque Santeiro (1985), Vale Tudo (1988) e Rainha da Sucata (1990), além da popular série Malu Mulher (1979–1980), considerada um dos primeiros projetos feministas da TV brasileira e marcado por sua linguagem inovadora e por tratar de questões então consideradas sensíveis, como divórcio, sexualidade, relações de gênero e emancipação feminina. A imagem de Duarte também se popularizou ao interpretar a trilogia das Helenas em obras de Manoel Carlos – História de Amor (1995), Por Amor (1997–1998) e Páginas da Vida (2006). Além da televisão, atuou no cinema e no teatro, participando de diversas produções e ampliando sua presença no cenário cultural brasileiro. Sua trajetória artística é frequentemente associada à consolidação da telenovela como um dos principais formatos de entretenimento no Brasil, exercendo influência significativa sobre gerações de atores e espectadores.

Atriz mais indicada ao Troféu Imprensa, 14 no total, ela recebeu cinco estatuetas (1967, 1970, 1972, 1973 e 1985), empatada com Fernanda Montenegro como as maiores vencedoras, sendo que em 1973 ela entregou o troféu para Eva Wilma, afirmando "Agradeço, mas este troféu não é meu, e sim da Eva Wilma, pela novela Mulheres de Areia", o assunto foi muito comentado na época. Regina também ganhou três Prêmio APCA de Televisão de melhor atriz (1979, 1980 e 1985).

Assumiu a pasta da Secretaria Especial da Cultura no governo de Jair Bolsonaro em 4 de março de 2020, cargo que exerceu até 20 de maio do mesmo ano. No vídeo em que comunica a saída de Regina da Secretaria Especial, o Presidente Jair Bolsonaro anunciou que ela passaria a assumir o comando da Cinemateca Brasileira, em São Paulo. No entanto, a nomeação para a Cinemateca nunca se concretizou.

Filha mais velha do tenente reformado do Exército Jesus Duarte, natural de Santana do Cariri, Ceará, e da dona de casa Dulce Blois, natural de Pelotas, Rio Grande do Sul, Regina Duarte nasceu na cidade de Franca, estado de São Paulo. Tem cinco irmãos: Maria Lúcia, Cláudio, José, Flávio e Teresa.

Viveu dos seis aos dezoito anos em Campinas. Sua carreira teve início aos quatorze anos de idade, como atriz amadora no grupo TEC (Teatro do Estudante de Campinas). Estreou interpretando a Compadecida em A Compadecida, de Ariano Suassuna. Participou da montagem de Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, Rapunzel, Natal na Praça e O Tempo e os Conways, de Priestley, e Via Sacra, de Ghéon. Em 1964 apareceu em cartazes para uma campanha de sorvetes. Atuou também em vários comerciais de televisão - de xampu e dentifrício até refrigeradores. Sua formação inclui aulas de balé clássico, com Mozart Xavier, e de declamação, com Maria Sylvia Ferraz e Silva, em Campinas. Fez também um curso de três meses com Eugênio Kusnet, sobre o método Stanislavski.

Aprovada no vestibular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) em 1968, abandonou o curso no ano seguinte, depois de receber o convite da TV Globo para protagonizar o folhetim Véu de Noiva, de Janete Clair, fazendo par romântico com o ator Cláudio Marzo (1940-2015).

Regina estreou em 1965 na TV Excelsior, atuando na telenovela A Deusa Vencida, de Ivani Ribeiro, interpretando a espevitada Malu, sob a direção de Walter Avancini, e no teatro, no mesmo ano, sob a direção de Antunes Filho na montagem de "A Megera Domada", de Shakespeare. Durante sua carreira na TV Excelsior (1965-1969), interpretou personagens marcantes, como a jovem Inesita, sua primeira protagonista, em As Minas de Prata (1966); a dócil e ingênua Carolina em O Terceiro Pecado (1968); ou a extraterrestre Melissa em Os Estranhos (1969), seu penúltimo papel na emissora, onde atuou ao lado de Pelé. Em 1969, devido uma grave crise financeira, a TV Excelsior foi obrigada a dispensar diversos atores, incluindo Regina, sendo que a emissora faliu meses depois. Naquele mesmo ano a atriz assinou com a Rede Globo para protagonizar Véu de Noiva, sob a direção de Daniel Filho, considerada até hoje um marco por romper com o estigma das novelas globais até aquele momento, consideradas surreais. Em seguida, em meados de 1970, interpretou a doce Ritinha, em Irmãos Coragem, um outro marco em sua carreira, por ser uma das tramas mais clássicas da teledramaturgia.[carece de fontes?]

Regina Duarte era chamada de Namoradinha do Brasil desde 1967, quando foi ficou em primeiro lugar entre os favoritos do público, segundo a revista Intervalo. O título ficou ainda mais popular com telenovela Minha Doce Namorada, em 1971, onde interpretou a orfã Patrícia, na TV Globo. Em seguida, emendando papéis, interpretou a escultora Simone Marques, em Selva de Pedra. Um grande marco em sua carreira, principalmente por ser a primeira trama a bater 100% de audiência em todo o país, novela esta que foi um dos maiores sucessos da novelista Janete Clair. Depois, vieram outras mocinhas, como a aeromoça Cecília em Carinhoso, no ano de 1973, mais um grande sucesso. No meio dessa trama, Regina descobriu estar grávida de Gabriela Duarte, porém, teve que esconder sua gravidez da imprensa, já que não era conveniente para sua personagem engravidar. Por isso, sua personagem passou a aparecer apenas em plano fechado e a trama foi encurtada em dois meses. Na época, Regina já estava insatisfeita com a alcunha de “Namoradinha do Brasil”, já que este título a aprisionava apenas em interpretar as heroínas passivas e românticas das novelas, não a possibilitando interpretar outros tipos de personagens. Sua última personagem antes do seu processo de rompimento com esse estereótipo foi a rebelde Bárbara na novela Fogo Sobre Terra. Em 1975, iniciando o rompimento do título que era vinculado à sua imagem, fez a prostituta Janete em “Réveillon”, um divisor de águas em sua carreira teatral. Segundo Regina, foi neste ano que começou a ser mais chamada nas ruas pelo título de Namoradinha do Brasil, graças a uma reportagem sobre a peça cujo título era: A Ex-Namoradinha do Brasil. A imagem de Namoradinha, porém, foi se rompendo os poucos graças à seus esforços na atuação.

Na televisão, seu primeiro processo para modificar esse estigma veio com a atuação na telenovela Nina, de Walter George Durst em 1977, consolidando o início do fim da imagem de Namoradinha do Brasil. Nessa produção, interpretava a protagonista homônima, uma professora libertária da década de 1920 que ensinava aos seus alunos sobre os direitos e os deveres do cidadão. Nessa trama, ainda, fez seu primeiro par romântico com Antônio Fagundes. Com o seriado Malu Mulher, de 1979, rompe definitivamente com a alcunha de Namoradinha, interpretando Maria Lúcia Fonseca, uma socióloga, vítima de abuso físico do marido, vivido por Dennis Carvalho, do qual se separava. Malu era mãe solteira, tinha ideais feministas e à favor dos direitos da mulher, levando diversos grupos conservadores a protestarem. O seriado foi um dos pioneiros ao abordar o feminismo no audiovisual brasileiro. Em 1979 apresentou o especial Mulher 80, que trazia entrevistas e musicais sobre o papel feminino na sociedade, com participação de várias cantoras da MPB: Elis Regina, Fafá de Belém, Gal Costa, Maria Bethânia, Zezé Motta, Simone, Marina Lima, Rita Lee, Joanna e o Quarteto em Cy.

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