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Reinaldo de Châtillon

Reinaldo de Châtillon ou Reginaldo de Chastillon (Renaud de Châtillon em francês) (Châtillpn-sur-Loire, c. 1124 – Hatim,

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Reinaldo de Châtillon ou Reginaldo de Chastillon (Renaud de Châtillon em francês) (Châtillpn-sur-Loire, c. 1124 – Hatim, 4 de julho de 1187) foi um cavaleiro que serviu na Segunda Cruzada e permaneceu na Terra Santa após a sua derrota. Personagem controverso, governou como príncipe de Antioquia de 1153 a 1160, e através do seu segundo casamento tornou-se senhor da Transjordânia e de Hebrom.

Não há certeza sobre as origens de Reinaldo de Châtillon:

O historiador francês Du Cange, no século XVII, acreditava que o cavaleiro era originário de Châtillon-sur-Marne, na província de Champanhe ;

Segundo Jean Richard e Pierre Aubé, era filho de Hervé II de Donzy e herdara Châtillon-sur-Loing (actual Châtillon-Coligny) antes de aderir à Segunda Cruzada em 1147;

Segundo outras fontes, era o segundo filho de Henrique I de Châtillon, senhor de Châtillon-sur-Loing, com a sua esposa Ermengarda de Montjay, senhora e herdeira de Montjay .

Ao chegar ao Oriente, entrou ao serviço de Constança de Antioquia (r. 1131–1160), cujo primeiro marido morrera em 1149. Constança casou-se em segredo com Reinaldo em 1153, sem consultar o seu primo e suserano Balduíno III de Jerusalém (r. 1143–1162). Tanto o rei de Jerusalém como o patriarca latino de Antioquia, Amalrico de Limoges, desaprovaram a escolha da princesa, devido à linhagem inferior de Reinaldo.

Em 1155, com o pretexto de que o Imperador Manuel I Comneno (r. 1143–1180) renegara a promessa que lhe fizera de pagar uma soma em dinheiro pelos seus serviços militares contra o príncipe Teodoro II da Arménia (r. 1140–1169), Reinaldo prometeu atacar o território bizantino de Chipre em retaliação. Quando o patriarca de Antioquia se recusou a financiar esta expedição, o príncipe aprisionou-o e torturou-o: despido, as suas feridas foram cobertas com mel e foi colocado no topo da cidadela, exposto aos insectos e ao sol ardente do Levante. Quando foi libertado, Amalrico de Limoges desfaleceu de exaustão e concordou em financiar a expedição de Reinaldo.

Aliado ao seu antigo inimigo Teodoro, Reinaldo derrotou as defesas bizantinas sem dificuldades e depois assolou sistematicamente a ilha: campos agrícolas foram queimados, soldados massacrados, igrejas, palácios e conventos pilhados e incendiados, mulheres estupradas, velhos e crianças degolados, os homens ricos presos para a obtenção de resgates e os pobres decapitados. Antes de sair do Chipre com os seus despojos, Reinaldo reuniu todos os padres e monges gregos - cortou-lhes os narizes e enviou-os a Constantinopla.

Mesmo numa época em que a pirataria contra Bizâncio era comum, a violência deste ataque foi registrada com particular indignação pelos cronistas. Muito rapidamente, o príncipe de Antioquia tornou-se odiado pelos seus vizinhos muçulmanos de Alepo, pelos bizantinos e pelos seus próprios súbditos. Durante os três anos após o ataque ao Chipre, Reinaldo manteve-se ao lado do rei Balduíno III de Jerusalém nos vários combates contra as forças muçulmanas, o que lhe permitiu reconquistar a fortaleza de Harim a Noradine (r. 1146–1174) em 1158.

Entretanto, o imperador Manuel I Comneno, forçado a abandonar as suas ambições no Mediterrâneo ocidental, ficou com recursos para intervir no Oriente. Os príncipes cruzados do Levante desejavam aliar-se ao imperador e Balduíno III de Jerusalém casou-se com a sua sobrinha.

O bizantino reuniu um exército poderoso, reconquistou a Cilícia aos arménios, como represália pela participação do príncipe Teodoro II da Arménia no ataque a Chipre, e passou o Inverno a 150 quilómetros de Antioquia. Isolado, Reinaldo de Châtillon sabia que os outros príncipes cruzados desaprovaram a sua conduta no Chipre e que não teria ajudas contra Manuel I. Deste modo, viu-se forçado a implorar, prosternado, de pés nus e com uma corda ao pescoço, o perdão do imperador.

Como contrapartida pela sua clemência, em Abril de 1159, o bizantino entrou pacificamente em Antioquia para receber o juramento de vassalagem do Principado de Antioquia ao Império Bizantino, e a promessa do príncipe de aceitar um patriarca grego na sua cidade. No ano seguinte, quando o imperador veio encontrar-se com o rei Balduíno III de Jerusalém, Reinaldo foi teve de fazer o ato simbólico de conduzir o cavalo de Manuel para dentro da cidade.

Pouco depois deste encontro, a 23 de novembro de 1160, o príncipe de Antioquia foi capturado pelos muçulmanos durante uma expedição de pilhagem contra os sírios e arménios nas proximidades de Marache. Ficou aprisionado por Noradine em Alepo durante 16 anos. Durante o seu cativeiro, Constança de Antioquia morreu e Boemundo III de Antioquia (r. 1163–1201), filho do primeiro casamento desta com Raimundo de Poitiers (r. 1136–1149), assumiu o governo do principado.

Reinaldo foi libertado em 1176 por Sale Ismail Maleque, filho de Noradine. Segundo algumas fontes isto ocorreu numa numa troca de prisioneiros; outras fontes afirmam que, por ser padrasto da imperatriz Maria de Antioquia, foi resgatado por Manuel Comneno pela exorbitante quantia de 120 000 dinares (500 quilos) de ouro.

Reinaldo serviu como enviado do rei Balduíno IV de Jerusalém (r. 1174–1185) ao imperador Manuel I Comneno. Uma vez que a sua esposa Constança de Antioquia morrera em 1163, foi-lhe cedido um matrimónio vantajoso com Estefânia de Milly, a abastada viúva de Onofre III de Toron e Miles de Plancy, e herdeira do Senhorio da Transjordânia, incluindo os castelos de Queraque e Montreal, a sudoeste do mar Morto. Estas fortalezas controlavam as rotas de comércio entre o Egito e Damasco e davam acesso ao mar Vermelho.

O longo período que passara aprisionado não apaziguaram o nobre impetuoso, que continuou a somar provocações a todos os poderes da região - bizantinos, muçulmanos e latinos. Aliado aos Templários, exercia uma forte influência sobre a corte de Jerusalém. Era partidário de uma política de conquista face aos muçulmanos, mais motivada pelo espólio das pilhagens do que por considerações estratégicas. Mais uma vez o nobre se evidenciou pela sua crueldade, agora em Queraque, frequentemente lançando os seus inimigos e reféns das muralhas para as rochas abaixo do castelo.

Contrariamente ao que escreveram os cronistas francos, que teriam pretendido minimizar o seu papel nesta ocasião, em Novembro de 1177 esteve à frente do exército do Reino Latino de Jerusalém que derrotou Saladino (r. 1174–1193) em 25 de novembro de 1177 na batalha de Monte Gisardo, na qual o líder muçulmano escapou por pouco à prisão ou morte.

Em 1181 a tentação de atacar as caravanas que passavam por Queraque foi demasiada e, apesar das tréguas acordadas entre Saladino e Balduíno IV, iniciou as pilhagens. O sultão exigiu reparações do rei de Jerusalém, mas este respondeu que se via incapaz de controlar o seu vassalo impetuoso. Em consequência, a guerra entre muçulmanos e o reino latino reiniciou em 1182.

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