O Reino Árabe da Síria (Árabe: المملكة العربية السورية, al-Mamlakah al-'Arabīyah as-Sūrīyah) era um estado autoproclamado e não reconhecido que existiu apenas por pouco mais de quatro meses, de 8 de Março a 24 de Julho de 1920. É considerado pelos nacionalistas Árabes como o segundo estado Árabe moderno depois do Reino de Hejaz. Durante sua breve existência, o reino foi liderado pelo filho do Xarife Hussein bin Ali, Faiçal bin Hussein. Apesar de suas reivindicações ao território da Grande Síria, o governo de Faiçal controlava uma área limitada e dependia da Grã-Bretanha que, junto com a França, geralmente se opunha à ideia de uma Grande Síria e se recusava a reconhecer o reino. O reino rendeu-se às forças Francesas em 24 de Julho de 1920.
A Revolta Árabe e a Correspondência Hussein-McMahon são fatores cruciais nas fundações do Reino Árabe da Síria. Na Correspondência McMahon-Hussein, as promessas de um Reino Árabe foram feitas pelos britânicos em troca de uma revolta Árabe contra os Otomanos. Enquanto as promessas de independência estavam a ser feitas pelos britânicos, acordos separados estavam a ser feitos, incluindo o Acordo Sykes-Picot com os Franceses. Por fim, a implementação do Acordo Sykes-Picot levaria ao enfraquecimento e destruição do Reino Árabe da Síria. Apesar do significado da Revolta Árabe para os países árabes modernos formados em seu rastro, na época havia significativa desconfiança e até mesmo oposição à ideia de um Reino Árabe ou uma série de Reinos Árabes.
Isso se deve em parte à forte influência dos Franceses e Britânicos em compelir a revolta e o estabelecimento do que é considerado pelos padrões modernos estados fantoches. Os críticos afirmam que esse envolvimento de poderes estrangeiros na entrega de grandes somas de dinheiro e apoio militar para estabelecer um império que seria liderado por aspirantes imperiais, em vez de nacionalistas Árabes legítimos, é a principal causa da falta de duração da maioria dos primeiros reinos Hachemitas (Reino do Hejaz e Reino do Iraque). Os críticos prosseguem afirmando que era um anátema para muitos Árabes que a família do Xarife de Meca, os Hashemitas, pudesse tomar o controle do sultão Otomano, com quem sua lealdade havia permanecido por séculos.
Perto do final da Primeira Guerra Mundial, a Força Expedicionária Egípcia Britânica sob o comando de Edmund Allenby capturou Damasco em 30 de Setembro de 1918. Pouco depois, em 3 de Outubro, Faiçal entrou na cidade. O júbilo seria de curta duração, pois Faiçal logo ficaria ciente do acordo Sykes-Picot. Faiçal chegou a esperar um reino Árabe independente em nome de seu pai, mas logo foi informado da divisão do território e como a Síria caiu sob o poder protetor francês. Faiçal obviamente não apreciou essa traição dos Britânicos, mas encontrou a certeza de que o acordo seria trabalhado em uma data posterior, quando a guerra terminasse. Ele provavelmente esperava que, nessa altura, os Britânicos tivessem mudado o seu apoio às pretensões francesas na Síria.
Em 5 de Outubro, com a permissão do General Allenby, Faiçal anunciou o estabelecimento de um governo constitucional Árabe totalmente independente. Faiçal anunciou que seria um governo árabe baseado na justiça e igualdade para todos os árabes, independentemente da religião. Para grande desgosto do Primeiro-Ministro Francês, Georges Clemenceau, o estabelecimento de um estado Árabe semi-independente sem reconhecimento internacional e sob os auspícios dos Britânicos era desconcertante. Mesmo as garantias de Allenby de que todas as ações tomadas eram provisórias não diminuíram as tensões entre Britânicos, Franceses e Árabes. Para os nacionalistas Árabes e muitos dos Árabes que lutaram na Revolta Árabe, foi a realização de um longo e difícil objetivo.
Depois da guerra, na Conferência de Paz de Paris de 1919, Faiçal pressionou pela independência Árabe. Na Conferência, os Aliados vitoriosos decidiram o que viria a ser das nações derrotadas das Potências Centrais, especialmente quem controlaria seus territórios, como as possessões do Oriente Médio do Império Otomano. O status das terras Árabes no Oriente Médio foi objeto de intensas negociações entre Franceses e Britânicos. Em Maio de 1919, os Primeiros-Ministros Franceses e Britânicos reuniram-se em Quai d'Orsay para decidir entre eles as suas respectivas reivindicações de territórios ou esferas de influência no Oriente Médio. A reunião decidiu que, em troca de uma garantia Britânica de um controle Francês na Síria, os britânicos receberiam um mandato sobre Mosul e Palestina.
Mais ou menos na mesma época, um compromisso Americano resultou em um acordo para estabelecer uma comissão para determinar os desejos dos habitantes. Embora inicialmente apoiassem a ideia, a Grã-Bretanha e a França acabaram por deixar a Comissão King-Crane de 1919 exclusivamente Americana. As conclusões da comissão, não publicadas até 1922 após a votação dos mandatos na Liga de Nações, indicaram forte apoio Árabe a um estado Árabe independente e oposição a uma presença Francesa.
Esses eventos na Europa levaram as sociedades nacionalistas sírias, como al-Fatat (a Sociedade Árabe Jovem), a se prepararem para um congresso nacional. Essas sociedades nacionalistas Sírias defendiam a completa independência de um Reino Árabe que unisse os árabes sob o comando de Faiçal. A Comissão King-Crane encorajou os esforços para unificar e eleições precipitadas foram convocadas, incluindo representantes de todas as terras Árabes, incluindo a Palestina e o Líbano, embora as autoridades francesas tenham impedido a chegada de muitos dos seus representantes. A primeira sessão oficial do Congresso da Síria foi realizada em 3 de Junho de 1919 e o membro da al-Fatat Hashim al-Atassi foi eleito seu presidente.
Quando a Comissão King-Crane chegou a Damasco em 25 de Junho de 1919, foi recebida com uma enxurrada de panfletos dizendo "Independência ou Morte". Em 2 de Julho, o Congresso Sírio aprovou uma série de resoluções pedindo uma monarquia constitucional completamente independente com Faiçal como rei, pedindo a ajuda dos Estados Unidos e rejeitando quaisquer direitos reivindicados pelos Franceses. Qualquer esperança que Faiçal possa ter tido de que os britânicos ou americanos teriam vindo em sua ajuda e contrariado os movimentos franceses se desvaneceu rapidamente, especialmente depois do acordo Anglo-Francês para a retirada das tropas Britânicas da Síria e do fim do governo militar Britânico na Síria.
Em Janeiro de 1920, Faiçal foi forçado a entrar em acordo com a França, que estipulava que a França apoiaria a existência do Estado sírio e não estacionaria tropas na Síria enquanto o governo Francês continuasse sendo o único governo a fornecer assessores, conselheiros e especialistas técnicos. A notícia deste compromisso não agradou aos defensores veementemente anti-Franceses e independentes que imediatamente pressionaram Faiçal a reverter o seu compromisso, o que ele fez. No rescaldo desta inversão, ocorreram violentos ataques contra forças Francesas e o Congresso sírio reuniu-se em Março de 1920 para declarar Faiçal o rei da Síria, bem como para estabelecer oficialmente o Reino Árabe da Síria com Hashim al-Atassi como primeiro-ministro e Yusuf al-'Azma como Ministro da Guerra e Chefe do Estado Maior.
Essa ação unilateral foi imediatamente repudiada pelos Britânicos e Franceses e a Conferência de San Remo foi convocada pelas Forças Aliadas em Abril de 1920 para finalizar a alocação dos mandatos da Liga das Nações no Oriente Médio. Isso foi, por sua vez, repudiado por Faiçal e seus apoiantes. Depois de meses de instabilidade e fracasso em cumprir as promessas aos Franceses, o comandante das forças francesas, General Henri Gouraud, deu um ultimato ao Rei Faiçal em 14 de Julho de 1920, declarando que ele se renderia ou lutaria.
Preocupado com os resultados de uma longa luta sangrenta com os Franceses, o Rei Faiçal rendeu-se. No entanto, Yusuf al-'Azma, o ministro da defesa, ignorou a ordem do rei e liderou um pequeno exército para confrontar o avanço francês na Síria. Esse exército dependia principalmente de armas individuais e nada podia fazer contra a artilharia Francesa. Na Batalha de Maysalun, o exército Sírio foi facilmente derrotado pelos Franceses, com o General al-'Azma a ser morto durante a batalha. A perda levou ao cerco e captura de Damasco em 24 de Julho de 1920 e o Mandato Francês para a Síria e o Líbano foi posto em prática posteriormente.