As relações entre China e Estados Unidos são relações estabelecidas entre a República Popular da China e os Estados Unidos da América. A maioria dos analistas caracterizam as atuais relações sino-americanas como sendo complexas e multifacetadas. Os Estados Unidos e a República Popular da China normalmente não são nem aliados e nem inimigos; o governo dos Estados Unidos e suas instituições militares não consideram a China como um adversário, mas como um concorrente em algumas áreas e um parceiro em outras.
Até a década de 1970, os Estados Unidos reconheceram a República da China em Taiwan como o governo legítimo da China continental e não mantiveram relações diplomáticas com o regime socialista da República Popular da China. Em meio à Guerra Fria, a cisão sino-soviética forneceu uma abertura para os Estados Unidos estabelecerem laços com a China continental como um meio de conter a União Soviética.
Desde 2011, os Estados Unidos possuem a maior economia do mundo e a China a segunda maior, embora muitos norte-americanos acreditem que a China "é a potência econômica líder no mundo". A China possui a maior população mundial e os Estados Unidos a terceira maior, atrás apenas da Índia. Os dois países são os maiores consumidores de automóveis e petróleo, além de serem os maiores emissores de gases do efeito estufa.
As relações entre a República Popular da China e os Estados Unidos têm sido geralmente estáveis, com alguns períodos de tensão, principalmente após a dissolução da União Soviética, que removeu um inimigo em comum e deu início a um mundo caracterizado pelo domínio norte-americano. Também há preocupações relativas aos direitos humanos na República Popular da China e ao estatuto político de Taiwan.
Embora existam algumas tensões nas relações sino-americanas, também há muitos fatores de estabilização. A República Popular da China e os Estados Unidos são parceiros comerciais importantes e têm interesses comuns na prevenção e repressão ao terrorismo e a proliferação nuclear. A China e os Estados Unidos são os maiores parceiros comerciais mútuos, excluindo a União Europeia. A China é também o maior credor externo dos Estados Unidos. Os desafios e as dificuldades da China são principalmente internas, e há um desejo de manter relações estáveis com os Estados Unidos. O relacionamento sino-americano foi descrito por líderes e acadêmicos como a relação bilateral mais importante do mundo no Século XXI.
No cenário geopolítico da década de 1950, eram claras as intenções do Governo Truman em abandonar o governo de Chiang Kai-Shek e reconhecer diplomaticamente a República Popular da China. Porém, os planos foram drasticamente alterados com a eclosão da Guerra da Coreia em junho de 1950. Tropas da Coreia do Norte invadiram a Coreia do Sul (apoiada pelos Estados Unidos), levando à formação de uma coalização internacional encabeçada pelo governo estadunidense. Em seguida, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a "Resolução 82", declarando oficialmente guerra a Coreia do Norte. A resolução foi adotado principalmente porque a União Soviética, um dos membros permanentes da organização, vinha boicotando propostas dos Estados Unidos desde janeiro daquele ano em protesto ao alinhamento com Taiwan.
As forças encabeçadas pelos Estados Unidos fizeram recuar o Exército Popular da Coreia até o Paralelo 38 N, aproximando-se do rio Yalu na fronteira com a China. As exigências chinesas de que suas fronteiras não fossem invadidas foram ignoradas pelas tropas norte-americanas, levando a um contra-ataque massivo de Pequim. O exército chinês partiu em ataque ao longo do rio Chongchon e abateu diversas divisões sul-coreanas. A derrota imposta ao 8º Exército dos Estados Unidos é ainda hoje a maior derrota sofrida por um contingente militar estadunidense. Ambos os lados sofreram sucessivas baixas até que as forças aliadas puderam fazer recuarem os exércitos chineses até a divisão original. No fim de março de 1951, quando o exército chinês moveu tropas na proximidade da fronteira com a Coreia, os Estados Unidos ativaram diversos postos de armamento de bombas em Kadena. Em abril do mesmo ano, o Estado-Maior Conjunto ordenou o contra-ataque imediato com uso de armas nucleares contra as bases da Manchúria como forma de evitar um maior ataque dos chineses. No mesmo dia, Truman aprovou a transferência de armas nucleares para a Base de Beale que deveriam ser usadas contra os norte-coreanos e chineses. Após dois anos de conflito, ambas as partes assinaram o Acordo de Armistício Coreano em 27 de julho de 1953. Desde então, uma Coreia dividida têm sido fator importante nas relações sino-americanas.
Nos anos seguintes, os Estados Unidos continuaram trabalhando para evitar que a China aderisse às Nações Unidas e encorajou seus aliados a evitar negociações com Pequim. Não obstante, impuseram um embargo comercial contra a China. O governo chinês, por sua vez, passou a desenvolver armas nucleares a partir de 1964 e, de acordo com documentos revelados posteriormente, o Presidente Lyndon B. Johnson chegou a considerar um ataque presuntivo contra o programa nuclear chinês. Por conta dos altos riscos bélicos, o plano não entrou em vigor.
Durante mais de 22 anos, mais especificamente entre 1949 e 1971, as relações sino-americanas foram altamente hostis, com Mao Tsé-Tung frequentemente referindo-se aos Estados Unidos como "a mais perigosa potência imperialista" e os sucessivos ataques de Washington à propaganda política chinesa. John F. Kennedy descrevia a política dos Estados Unidos contra a China como "sem sentido" e considerou restabelecer relações formais com o país em seu segundo mandato. Contudo, seu assassinato em 1963, a eclosão da Guerra do Vietnã e a Revolução Cultural na China, afastara por mais algumas décadas quaisquer possibilidades de contato diplomático direto entre os dois países.
Apesar de não reconhecerem um ao outro oficialmente, China e Estados Unidos tiveram 136 encontros bilaterais de 1954 a 1970, inaugurados pela reunião bilateral em Varsóvia em 1958.
O fim da década de 1960 trouxe um período de grandes transformações. Para a China, quando o Lyndon B. Johnson deu início às negociações para a rendição do Vietnã do Norte em 1968, houve uma impressão de que os Estados Unidos não tinham mais interesse em influenciar a Ásia, enquanto a União Soviética tornava-se uma ameaça mais sólida, especialmente após a Invasão da Tchecoslováquia para derrubada do governo comunista ali no poder.
Visita de Richard Nixon à China em 1972
A visita de 1972 do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, à República Popular da China foi uma importante abertura diplomática que marcou o ponto culminante da retomada das relações harmoniosas entre os Estados Unidos, resultando no Comunicado de Xangai.
As relações posteriores a 'Normalização' foram ameaçadas em 1981 pelas pretensões de Pequim sobre as vendas de armamentos norte-americanos à República da China. O então Secretário de Estado Alexander Haig visitou a China em junho de 1981 numa tentativa de resolver as questões chinesas sobre as relações não-oficiais dos Estados Unidos com Taiwan. O então Vice-presidente, George H. W. Bush, repetiria a visita em maio de 1982. Após meses de negociações, os países publicaram o "Comunicado Conjunto EUA-China" em 17 de agosto de 1982, no qual o governo estadunidense afirmava sua intenção de reduzir gradativamente a venda de armamentos a Taiwan enquanto a China se comprometia a buscar soluções pacíficas para as disputas com a ilha. O "Ato de Relações com Taiwan", aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos em 10 de abril de 1979, vinha permitindo tais relações não-oficiais entre os dois governos. Após o anúncio oficial da Casa Branca de abertura de relações diplomáticas com a ilha asiática em dezembro de 1978, Pequim condenou os Estados Unidos, gerando fortes protestos em ambos os países.
Década de 2000: Bush, Zemin e Jintao
Inversamente as relações sino-americanas experimentaram melhorias após os Ataques de 11 de setembro de 2001, que marcaram também o primeiro ano de governo de George W. Bush. Inclusive dois cidadãos chineses estavam entre as vítimas dos ataques terroristas contra o World Trade Center, em Nova Iorque. Em resposta aos atentados, o governo da República Popular da China ofereceu apoio logístico e financeiro na "Guerra ao Terror", votando a favor também da "Resolução 1373" do Conselho de Segurança das Nações Unidas que apoiavam a Intervenção militar internacional no Afeganistão. Pequim e Washington, D.C. iniciaram um longo processo de diálogos contra o terrorismo após os ataques de setembro de 2001.