Neste Dia

Religião

Conjunto de sistemas culturais, de crenças e visões de mundo

Anúncio

Religião é uma série de sistemas socioculturais compostos por práticas, organizações, morais, crenças, cosmovisões, textos sagrados, lugares santificados, profecias ou ética que geralmente relacionam a humanidade a elementos sobrenaturais, transcendentais e espirituais - embora não haja consenso acadêmico sobre o que precisamente constitui uma "religião". Diferentes religiões podem ou não conter vários elementos que vão desde o divino, a sacralidade, a fé e um ser ou seres supremos.

As práticas religiosas podem incluir rituais, sermões, festivais, venerações (de divindades ou santos), sacrifícios, festas, transes, iniciações, serviços matrimoniais e funerários, meditações, orações, músicas, artes ou danças. As religiões têm histórias e narrativas que podem ser preservadas em textos, símbolos e locais sagrados, que visam principalmente dar sentido à vida, além de muitas vezes terem contos simbólicos que podem tentar explicar a origem da vida, do universo e de outros fenômenos; alguns seguidores acreditam que estas são histórias verdadeiras; outros as consideram um mito. Tradicionalmente, tanto a fé como a razão têm sido consideradas fontes de crenças religiosas.

Existem cerca de 10 mil religiões diferentes em todo o mundo, embora quase todas tenham grupos de seguidores relativamente pequenos e regionais. Quatro religiões - cristianismo, islamismo, hinduísmo e budismo - representam mais de 77% da população mundial. Cerca de 92% da população global segue uma das quatro religiões principais citadas ou se identifica como não religiosa, o que significa que as mais de 9 mil religiões restantes representam apenas 8% da população do planeta. O grupo demográfico sem filiação religiosa inclui aqueles que não se identificam com nenhuma religião específica, como ateus e agnósticos, embora muitos ainda tenham várias crenças religiosas.

Muitas religiões mundiais também são religiões organizadas, como as religiões abraâmicas, enquanto outras são indiscutivelmente menos, em particular as religiões populares, as religiões indígenas e algumas religiões orientais. Uma parte da população mundial também é membro de novos movimentos religiosos. O estudo da religião compreende uma ampla variedade de disciplinas acadêmicas, como teologia, filosofia da religião, religião comparada e estudos científicos sociais. As teorias da religião oferecem várias explicações para as suas origens e funcionamento, incluindo os fundamentos ontológicos do ser e da crença religiosa.

O termo religião é derivado da palavra latina religiō, que segundo o filósofo romano Cícero vem de relegere: re (que significa "de novo") + lego (que significa "ler", "examinar", "escolher"). Contrariamente, alguns estudiosos modernos como Tom Harpur e Joseph Campbell argumentaram que religiō é derivado de religare: re (que significa "de novo") + ligare ("ligar" ou "conectar"), o que foi destacado por Santo Agostinho seguindo a interpretação dada por Lactâncio em Divinae institutiones, IV, 28. O uso medieval do termo também alterna com a designação de comunidades vinculadas, como as das ordens monásticas: "ouvimos falar da 'religião' do Velocino de Ouro, de um cavaleiro 'da religião de Avis'".

Na antiguidade clássica, religiō significava consciência, senso de direito, obrigação moral ou dever para com qualquer coisa. No mundo antigo e medieval, a raiz etimológica latina do termo era entendida como uma virtude individual de adoração em contextos mundanos; nunca como doutrina, prática ou fonte real de conhecimento. Religiō era mais frequentemente usado pelos antigos romanos não no contexto de uma relação com os deuses, mas como uma série de emoções gerais que surgiram da atenção intensificada em qualquer contexto mundano, como hesitação, cautela, ansiedade ou medo, bem como sentimentos de limitação, restrição ou inibição. O termo também estava intimamente relacionado a outras expressões, como scrupulus (que significava "muito precisamente") e superstitio (que significava muito medo, ansiedade ou vergonha). O conceito compartimentado de religião, onde as coisas religiosas e mundanas eram separadas, não foi usado até 1500, quando o conceito contemporâneo de religião foi utilizado pela primeira vez para distinguir os domínios da Igreja Católica e das autoridades civis; a Paz de Augsburgo marca esse exemplo, que foi descrito por Christian Reus-Smit como "o primeiro passo no caminho para um sistema europeu de Estados soberanos".

Não há consenso acadêmico sobre uma definição de religião. Existem, no entanto, dois sistemas de definição geral: o sociológico/funcional e o fenomenológico/filosófico.

A religião é um conceito moderno encontrado em textos do século XVII devido a eventos como a divisão da cristandade durante a Reforma Protestante e a globalização na Era das Explorações, que envolveu o contato com inúmeras culturas estrangeiras com línguas não-europeias. Alguns argumentam que, independentemente da sua definição, não é apropriado aplicar o termo religião a culturas não-ocidentais, enquanto alguns seguidores de várias religiões repreendem o uso da palavra para descrever o seu próprio sistema de crenças.

O conceito de "religião antiga" deriva de interpretações modernas de uma série de práticas que estão em conformidade com um conceito moderno de religião, influenciado pelo discurso cristão do início da modernidade e do século XIX. O conceito de religião foi formado nos séculos XVI e XVII, apesar de antigos textos sagrados, como a Bíblia, o Alcorão e outros, não terem uma palavra ou mesmo um conceito de religião nas línguas originais nem o fizeram os povos ou as culturas em que eles foram escritos. Por exemplo, não existe um equivalente preciso de "religião" em hebraico e o judaísmo não distingue claramente entre identidades religiosas, nacionais, raciais ou étnicas. Um dos seus conceitos centrais é halakha, cujo significado é "caminhada" ou "caminho" e às vezes traduzido como "lei", que orienta a prática e crença religiosa e muitos aspectos da vida diária. Embora as crenças e tradições do judaísmo sejam encontradas no mundo antigo, os antigos judeus viam a sua identidade como sendo étnica ou nacional e não implicava um sistema de crenças obrigatório ou rituais regulamentados. No século I, Josefo usou o termo grego ioudaismos (judaísmo) como um termo étnico que não estava ligado a conceitos abstratos modernos de religião ou a um conjunto de crenças. O próprio conceito de "judaísmo" foi inventado pela Igreja Cristã e foi no século XIX que os judeus começaram a ver a sua cultura ancestral como uma religião análoga ao cristianismo. A palavra grega threskeia, usada por escritores gregos como Heródoto e Josefo, é encontrada no Novo Testamento e às vezes é traduzida como "religião" nas traduções atuais, mas o termo era entendido como "adoração" genérica até o período medieval. No Alcorão, a palavra árabe din é frequentemente traduzida como "religião" nas traduções modernas, mas até meados de 1600 os tradutores expressavam din como "lei".

A palavra sânscrita dharma, às vezes traduzida como "religião", mas também significa lei. Em todo o Sul da Ásia clássico, o estudo da lei consistia em conceitos como penitência através da piedade e tradições, bem como práticas cerimoniais. O Japão medieval inicialmente tinha uma união semelhante entre a lei imperial e a lei universal (ou de Buda), mas estas mais tarde se tornaram fontes independentes de poder. Quando navios de guerra estadunidenses apareceram na costa japonesa em 1853 e forçaram o governo local a assinar tratados exigindo, entre outras coisas coisas, liberdade religiosa, o país teve que lidar com este conceito.

Embora tradições, textos sagrados e práticas tenham existido ao longo do tempo, a maioria das culturas não se alinhou com as concepções ocidentais de religião, uma vez que não separavam a vida quotidiana do sagrado. Os nativos americanos eram considerados como povos sem religiões e também não tinham uma palavra para "religião" em suas línguas nativas. Ninguém se identificava como "hindu" ou "budista" ou outros termos semelhantes antes de 1800. "Hindu" tem sido historicamente usado como identificador geográfico, cultural e, posteriormente, religioso para povos indígenas do subcontinente indiano.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Religião | World in Stories