Renato Manfredini Júnior (Rio de Janeiro, 27 de março de 1960 – Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1996), mais conhecido pelo nome artístico de Renato Russo, foi um cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista brasileiro, célebre por ter sido líder, vocalista e fundador da banda Legião Urbana. Antes de fundar a banda, Renato integrou o grupo musical Aborto Elétrico, do qual saiu devido aos constantes desentendimentos com o baterista Fê Lemos. Adotou o sobrenome artístico Russo em homenagem ao inglês Bertrand Russell, ao suíço Jean-Jacques Rousseau e ao francês Henri Rousseau.
Renato morreu devido as complicações causadas pela AIDS em 11 de outubro de 1996, na época com 36 anos. Como integrante da Legião Urbana, Renato lançou oito álbuns de estúdio, cinco álbuns ao vivo, alguns lançados postumamente e diversos contos. Gravou ainda três discos solo e cantou ao lado de Herbert Vianna, Adriana Calcanhotto, Cássia Eller, Paulo Ricardo, Erasmo Carlos, Leila Pinheiro, Biquini Cavadão, 14 Bis e Plebe Rude. Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone Brasil promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, em que Renato Russo ocupa o 25.º lugar.
Renato Manfredini Júnior é filho do economista Renato Manfredini e da professora de inglês Maria do Carmo de Oliveira, ambos paranaenses. Seus pais são primos, pois seu avô paterno, Alberto Manfredini, é irmão mais novo de seu bisavô Alessandro Manfredini, avô materno de sua mãe. Os Manfredini são imigrantes italianos originários da comuna de Sesto ed Uniti, na província de Cremona, que se instalaram no estado do Paraná. Seu avô materno, José Mariano de Barros Oliveira, é natural de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Um dos bisavós de sua avó materna, ou seja, seu tetravô, é Henry Armstrong, nascido na Irlanda.
Renato nasceu na Ilha do Governador e até os seis anos de idade, viveu no Rio de Janeiro junto com sua família. Começou a estudar cedo no Colégio Olavo Bilac, na Ilha do Governador, zona norte da cidade. Nessa época teria escrito uma bela redação chamada "Casa velha, em ruínas…", que inclusive está disponível na íntegra. Em 1967, mudou-se com sua família para Nova Iorque, nos Estados Unidos, pois seu pai, funcionário do Banco do Brasil, fora transferido para uma agência do banco em Nova Iorque, mais especificamente para Forest Hills, no distrito do Queens. Foi quando Renato foi introduzido à língua e a cultura norte-americana. Em 1969, a família volta para o Brasil, indo Renato morar na casa de seu tio, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro.
Em 1973, a família trocou o Rio de Janeiro por Brasília, passando a morar na Asa Sul. Em 1975, aos quinze anos, Renato começou a atravessar uma das fases mais difíceis e curiosas de sua vida quando foi diagnosticado como portador de epifisiólise, uma doença óssea. Ao saber do resultado, os médicos submeteram-no a uma cirurgia para implantação de três pinos de platina na bacia. Renato sofreu duramente a enfermidade, tendo que ficar seis meses na cama, quase sem movimentos, e permanecendo ao todo cerca de um ano e meio em recuperação. Durante o período de tratamento, Renato teria se dedicado quase que integralmente a ouvir música, iniciando sua extensa coleção de discos dos mais variados estilos. Simultaneamente à cura da epifisiólise, passou no vestibular para Jornalismo, na Universidade de Brasília (UnB).
Em 13 de março de 1978 Renato foi escolhido entre os professores da Cultura Inglesa para saudar o então príncipe Charles, quando este participou da inauguração da nova sede da escola, ao visitar o Brasil naquele ano. Renato tinha apenas dezessete anos, mas seu inglês impecável lhe favoreceu no momento da escolha.
Aos dezoito anos, Renato revelou à sua mãe ser homossexual.
Entre os anos de 1978 e 1981, Renato Russo foi professor de língua e literatura inglesa na Cultura Inglesa, cargo para o qual foi convidado pela diretora Edith Jacques (sua antiga professora) após ele obter nota máxima no exame de proficiência CPE. Era um professor muito procurado pelos pais de alunos, que pediam que seus filhos fossem matriculados na "turma do Renato Manfredini". Acabou demitido após alguns atritos com a direção, como uma tentativa não comunicada de levar os alunos ao cinema e a tentativa de colar cartazes de divulgação de shows do Aborto Elétrico no mural da escola. A gota d'água para Edith foi quando Renato, ao traduzir uma letra de Bob Dylan, teria falado do "poder transformador das drogas". Semanas depois da saída de Renato, a diretora teve seu carro fechado em uma avenida e sofreu ameaças pela demissão.
Na mesma época, trabalhou como repórter em um programa de rádio que defendia os direitos dos consumidores, o Jornal da Feira, produzido pelo Ministério da Agricultura, fazendo também trabalho de fiscalização em supermercados, conferindo a validade de produtos e se os congeladores estavam ligados. Renato ainda trabalhou na apresentação de um programa de rádio sobre os Beatles, numa rádio FM de Brasília em 1983.
Renato conheceu Fê Lemos numa festa em 1978 e tinham em comum gosto por punk rock inglês e norte-americano. Como eram raros punks em Brasília, ficaram amigos e começaram uma banda, Aborto Elétrico, junto de André Pretorius, filho de um embaixador da África do Sul, na guitarra, Renato Russo no baixo e Fê na bateria. Depois de realizarem seu primeiro show instrumental participaram do movimento punk em Brasília, através da Turma da Colina — apelido dados aos jovens filhos de professores e funcionários da UnB, que residiam na Colina, um conjunto de quatro edifícios projetados pelo arquiteto João Filgueiras Lima, destinados exclusivamente a esses funcionários. Punks se reuniam em points para tomar vinho barato, tocar música e cheirar benzina. Pretorius completou 18 anos no final de 1979 e teve que voltar para servir o exército na África do Sul. Renato passou para a guitarra e começou a cantar e ensinar baixo para o irmão de Fê, Flávio Lemos, que assumiu o cargo de baixista na banda. Pretorius voltou a tocar com a banda no final do ano de 1980, quando estava de férias, e Renato assumiu só os vocais. Quando voltou para a África, Pretorius foi substituído por Ico Ouro Preto, irmão de Dinho Ouro Preto. A partir dessa fase, em 1981, a banda evoluiu tecnicamente, começando a fazer shows mais profissionais, músicas como "Tédio (Com um T bem grande pra você)", "Que país é esse?" e "Veraneio Vascaína" evoluíram para temas como "Fátima", "Música Urbana" ou "Ficção Científica". Porém, logo quando estavam ganhando certa fama no circuito punk de Brasília, Fê e Renato brigaram, e a banda se separou.
1981–96: O Trovador Solitário e Legião Urbana
Renato continuou como O Trovador Solitário, na qual cantava e tocava um violão de doze cordas sozinho, mas depois formou uma banda com Marcelo Bonfá na bateria e que, mais tarde, com Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, formaram a banda Legião Urbana.
Suas principais influências eram as bandas de pós-punk que surgiram na época, mais especificamente com Robert Smith, vocalista do The Cure, e Morrissey, então vocalista da banda The Smiths, que eram inspirações de Renato Russo. Após os primeiros shows, Eduardo Paraná e Paulo Paulista saem da Legião. A vaga de guitarrista é assumida por Ico-Ouro Preto, que fica até o início de 1983. Seu lugar é assumido definitivamente por Dado Villa-Lobos, que criou a banda Dado e o Reino Animal, com Marcelo Bonfá, Dinho Ouro Preto, Loro Jones e o tecladista Pedro Thompson. A entrada de Dado consagrou a formação clássica da banda. À frente da Legião, que contou com o baixista Renato Rocha, entre 1984 e 1989, Renato Russo atingiu o auge de sua carreira como músico, criando uma relação com os fãs que chegava a ser messiânica. Os mesmos fãs chegavam a fazer um trocadilho com o nome da banda: "Religião Urbana". Renato desconsiderava e negava isso.
Renato Russo viveu no período da ditadura militar, um fator que influenciou significativamente tanto nas músicas, quanto nas suas atitudes perante a sociedade brasileira.
Envolvimento com drogas e álcool