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República Soviética Húngara

A República Soviética Húngara (em húngaro: Magyarországi Tanácsköztársaság) foi um regime socialista efêmero, governado

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A República Soviética Húngara (em húngaro: Magyarországi Tanácsköztársaság) foi um regime socialista efêmero, governado pela união do Partido Social Democrata Húngaro com o Partido Comunista da Hungria. Foi proclamada em 21 de março de 1919, após a queda de Mihály Károlyi, e teve seu fim em 1 de agosto do mesmo ano, com a chegada de Gyula Peidl ao poder e a restauração da República Democrática Húngara. A figura mais importante da República Soviética Húngara foi o comunista Béla Kun, Comissário de Relações Exteriores. O gabinete do governo, no entanto, era formado por uma maioria socialista, e seu primeiro-ministro foi o líder sindical Sándor Garbai.

Formado após a apresentação do ultimato do coronel francês Ferdinand Vyx a Károlyi, exigindo a retirada das tropas húngaras dos territórios a serem entregues aos romenos, o governo soviético tentou chegar a um acordo com a Entente para levantar o bloqueio econômico e reaver o traçado das novas fronteiras e buscou o reconhecimento das potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial. O Exército foi reorganizado e o governo buscou recuperar os territórios perdidos para os países vizinhos, o que inicialmente deu ao regime um grande respaldo popular. No entanto, extremamente indisciplinado e em desvantagem numérica, o Exército Vermelho húngaro sofreu sucessivas derrotas militares, e no início de agosto, tropas romenas entraram em Budapeste, poucos dias após a queda da república soviética.

Apesar da guerra com os países vizinhos, o governo se mostrou determinado a implantar o socialismo de forma imediata, seguindo o exemplo dos bolcheviques russos e realizando grandes reformas e medidas contra aqueles que eram considerados "inimigos da classe trabalhadora", e assim perdendo rapidamente seu apoio inicial. As reformas foram aplicadas de modo autoritário e fracassaram por conta da inexperiência dos membros do governo, assim como pela sua ingenuidade política e econômica, demonstrada em algumas de suas medidas. Especialmente no campo, onde as terras foram nacionalizadas e transformadas em cooperativas governamentais, as políticas do governo soviético encontraram grande oposição. Outras medidas, como a nacionalização das indústrias e empresas e o controle dos preços, resultaram na queda da produtividade e no aumento da inflação.

Incapaz de implementar as reformas e após sucessivas derrotas militares, entre junho e julho o governo soviético acabou perdendo o apoio popular. Já no início de agosto, o governo soviético foi dissolvido, seus líderes fugiram para o exterior ou passaram à clandestinidade e o poder voltava para as mãos da antiga aristocracia feudal conservadora.

Fim do império e proclamação da república

Após a derrota do Império Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial, o movimento revolucionário de massas se intensificou de tal forma que mesmo a polícia e algumas unidades do Exército passaram a apoiá-lo. Com o triunfo da Revolução dos Crisântemos, Mihály Károlyi foi nomeado primeiro-ministro no dia 31 de outubro com o apoio do Conselho Nacional, formado pelo Partido Social Democrata Húngaro (PSD), pelo Partido Radical Cívico Nacional e pelo grupo de Károlyi. O regente da Hungria, José Augusto da Áustria, após muita pressão e insistência, conseguiu fazer com que o imperador Carlos I aceitasse a proclamação da república exigida pelo Conselho Nacional. O novo governo, porém, teve dificuldades em resolver os graves problemas que assolavam o país, como a fome, a inflação e o desemprego. A reforma agrária prometida pelo novo governo também não foi realizada. Apesar da dissolução do antigo parlamento e da proclamação do sufrágio universal, não houve novas eleições.

A República Democrática da Hungria, proclamada em 16 de novembro de 1918 e liderada por Károlyi, teve que se apoiar nos sindicatos para evitar a desordem social no país, proporcionada pelo colapso da antiga administração governamental e pela desorganização do exército. Ao mesmo tempo, o novo governo teve que lidar com os diversos conselhos de operários, soldados e camponeses que surgiam no país. O governo conseguiu manter parcialmente a ordem com a promessa de uma reforma agrária, acalmando a agitação no campo, e também com a desmobilização de mais de um milhão de soldados, mas teve que manter um número significativo deles nas guarnições urbanas para evitar uma radicalização, já que estes soldados careciam de emprego e de sustento fora das forças armadas. Enfrentando graves problemas e antigas reivindicações populares que não podiam ser atendidas no contexto de crise pós-guerra, o Conselho de Ministros teve que lidar com protestos cada vez mais numerosos, encabeçados pelos comunistas, que denunciavam a manutenção das desigualdades no país e encorajavam os camponeses e operários a tomarem o poder.

Fundação e crescimento do Partido Comunista da Hungria

Em 24 de novembro de 1918, Béla Kun, junto da ala esquerda da social-democracia e dos socialistas revolucionários, fundaram o Partido Comunista da Hungria (PCH), de orientação marxista-leninista. Insatisfeitos com os resultados da Revolução dos Crisântemos, os líderes do partido desejavam mobilizar o proletariado húngaro para desencadear uma nova revolução de caráter socialista. Entre o final de 1918 e o início de 1919, a crescente efervescência revolucionária e o crescimento do PCH resultaram em uma polarização política no país. Durante a segunda metade de dezembro de 1918, socialistas moderados do PSD e comunistas começaram a disputar o controle dos sindicatos. Já no início daquele mês, o periódico oficial do PCH, Vörös Ujság (Diário Vermelho), se proclamava a favor da revolução socialista e rejeitava o estabelecimento de uma assembleia constituinte e de uma democracia burguesa. Ao mesmo tempo, o partido tentava conseguir o apoio dos militares. Károlyi tentou formar novas unidades sem muito êxito, já que os operários e camponeses viam as reformas do novo governo como insuficientes e não estavam dispostos a pegar em armas novamente. O grande número de trabalhadores sindicalizados, além de desempregados, soldados e suboficiais desmobilizados, favoreceu os comunistas, que rapidamente ganharam influência. No dia 4 de dezembro de 1918, o ministro da guerra Albert Bartha reconheceu os conselhos de soldados enquanto órgãos do exército. No entanto, ainda em dezembro, Bartha tentou subordinar o controle do exército ao Conselho Operário de Budapeste, então controlado pelos socialistas moderados próximos a József Pogány. Desconfiando de Pogány, o PCH decidiu armar seus militantes, comprando clandestinamente armamento das tropas alemãs que se retiravam do território húngaro após o Armistício de Belgrado. Em 12 de dezembro, uma manifestação de oito mil soldados armados resultou na destituição de Bartha.

O sucesso dos comunistas em atrair os soldados ao partido, além do grande apoio que encontraram entre os operários, minorias e até mesmo entre as tropas da Entente, fez com que a tomada do poder em março de 1919 se desse praticamente sem derramamento de sangue, e a maioria das unidades apoiaram a formação do novo governo socialista.

Radicalização popular e crise governamental

A crítica situação política e econômica do país, que não recebia ajuda da Entente, levou Károlyi a demitir-se do cargo de primeiro-ministro em janeiro de 1919, assumindo a presidência da república. Os setores mais conservadores do partido de Károlyi e do Partido Radical abandonaram o Conselho de Ministros e houve cisões em ambos os partidos. Após uma grave crise governamental, parte dos socialistas moderados decidiram abandonar o governo por conta das críticas dos comunistas. As forças liberais recusaram-se a governar sozinhas e foi formado um novo gabinete de coalizão com um número maior de ministros do PSD. O novo governo de Dénes Berinkey, de tendência social-democrata, prometeu reformas, porém não conseguiu satisfazer os conselhos operários; em 13 de dezembro de 1918 o Conselho Operário de Budapeste já havia deliberado sobre a reforma agrária, porém o governo só tomaria uma iniciativa nesse sentido no início de fevereiro de 1919 e a aplicação da reforma foi lenta e tardia. No início de janeiro, temendo a influência dos comunistas, o comando Aliado em Budapeste sugeriu a prisão dos representantes russos da Cruz Vermelha, que forneciam apoio e financiamento aos comunistas húngaros. Ainda em janeiro, frente à impotência do governo e ao enfraquecimento dos socialistas moderados, os operários ocuparam e tomaram o controle de algumas fábricas. No norte do país, o governo reprimiu violentamente uma revolta dos mineiros de Salgótarján, região de extrema importância para o abastecimento das fábricas e das linhas férreas; uma centena de pessoas morreram durante a repressão. No final de janeiro, o Partido Social-Democrata, apesar dos protestos de seus setores mais radicais, decidiu expulsar os comunistas do conselho operário da capital e dos sindicatos, porém, a medida obteve pouco sucesso. Ainda em janeiro, o governo ordenou uma batida na sede do Partido Comunista e de sua imprensa, apreendendo exemplares do periódico Vörös Ujság.

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