A Restauração Meiji (明治維新, Meiji Ishin) (também conhecida como Meiji Ishin, Revolução Meiji, ou simplesmente como Renovação), foi a derrubada do Xogunato Tokugawa. Refere-se a uma série de transformações do regime teocrático do governo do Imperador Meiji. As mudanças se deram nas áreas do governo, instituição, educação, economia, religião, entre outros. A restauração transformou o Império do Japão na primeira nação asiática com um moderno sistema de nação-estado. A Restauração Meiji é o período da história do Japão que corresponde à queda do Xogunato Tokugawa e à recuperação dos poderes por Meiji, imperador do Japão, em 1868 (ao final da era Keiō). Abrange tanto o fim do período Edo (comummente chamado de bakumatsu ou "fim do xogunato Tokugawa") quanto o início da era Meiji, durante a segunda metade do século XIX.
Trata-se de uma sucessão de eventos que levaram a mudanças profundas na política e na estrutura social do Japão. A restauração foi uma consequência direta da abertura do país — que até então vivia isolado por uma política de isolamento voluntário chamada sakoku — imposta após a chegada dos "Navios Negros" dos Estados Unidos, comandados pelo Comodoro Matthew Perry, que demonstrou a fraqueza do xogunato. Este processo permitiu transformar o Império do Japão numa grande potência. As dificuldades económicas e políticas enfrentadas pelo Xogunato Tokugawa eram agravadas pela ingerência de potências estrangeiras na região, que desafiaram a política Tokugawa de sakoku, especificamente a chegada da Expedição Perry sob ordens do presidente dos Estados Unidos, Millard Fillmore. Sob os subsequentes tratados desiguais, o Japão foi forçado a abrir-se ao Ocidente, questionando a autoridade política do Xogum na manutenção da soberania japonesa. A reprovação do Imperador face às ações xogunais levou ao surgimento de uma divisão ideológica dentro da classe Samurai, preocupada com as suas obrigações feudais tanto para com o xogum como para com o Imperador. Muitos samurais de baixo e médio escalão tornaram-se shishi ("homens de espírito"), que estavam comprometidos com as proclamações do Imperador para expulsar os bárbaros. Disputas entre fações dentro dos domínios levaram alguns feudos ao conflito com os Tokugawa. Após alguns reveses iniciais, os domínios organizaram-se numa aliança anti-Tokugawa e, liderados pela Satsuma e Chōshū, derrubaram o sistema xogunal. A 3 de janeiro de 1868, o Imperador Meiji declarou a restauração do poder político à Casa Imperial. Os objetivos do novo governo foram expressos pelo imperador no Juramento da Carta. A resistência subsequente dos Tokugawa ao novo governo materializou-se na Guerra Boshin e na efémera República de Ezo, mas, na década de 1870, a autoridade do Imperador era praticamente inquestionável. O novo governo reorganizou estratos inteiros da sociedade, abolindo a antiga moeda, o sistema de domínios e, eventualmente, o estatuto de classe dos samurais. A abolição do xogunato e a industrialização da sociedade em emulação das potências imperiais estrangeiras levaram a reações violentas, como a Rebelião de Saga e a Rebelião de Satsuma, mas acabaram por extinguir o feudalismo na sociedade japonesa. A Restauração Meiji foi o processo político que lançou as bases para as instituições do Império do Japão e teria consequências de longo alcance no Leste Asiático, à medida que o Japão perseguia interesses coloniais contra os seus vizinhos. A Constituição Meiji de 1889 permaneceria em vigor até à ocupação pelos Aliados após o fim da Segunda Guerra Mundial.
A Revolução Meiji se originou do movimento de resistência contra a expansão econômica e militar das potências ocidentais, simbolizada pela chegada dos barcos negros no século XV. Desde a Guerra do Ópio, em meio a uma onda de imperialismo na Europa e na América com a Ásia Oriental, o meio escolhido pelo recém formado governo Tokugawa para manter o novo quadro político foi o isolamento. Porém, governo da família Tokugawa não impôs melhorias ao Japão, visto que, sem as rotas comerciais, os avanços tecnológicos mundiais não chegaram ao arquipélago. Isso causou um descontentamento por parte da população. O governo era liderado pelo xogum e a figura do Imperador perdeu sua força durante o Xogunato Tokugawa.
O movimento xenófobo, muito comum no Japão, dizia que o país deveria recusar o contato com os estrangeiros. Isso por muito tempo motivou a população a aceitar a política dos portos fechados para o comércio com o resto do mundo. Porém, uma parte da elite imperial japonesa estava insatisfeita com a situação em que o Japão havia chegado. Os estudiosos começaram a expor a ideia da devoção ao Imperador, que até então aparecia apenas como uma figura representativa da história japonesa. Segundo a mitologia japonesa, o Imperador é descendente direto dos deuses e, portanto, o povo deve louvá-lo. Os estudiosos diziam que, como o Imperador era uma figura quase divina, não havia motivos para o governo militar administrar o Japão.
Paralelamente a essa ideia, o governo Tokugawa continuava com as reformas, visando melhorar a situação econômica do país, mas sem nenhum resultado. Assim, enquanto o Japão entrava em uma profunda crise, com o seu governo já sem prestígio, o ideal da restauração do poder imperial se tornava cada vez mais forte, se alastrando por todo o arquipélago. Além disso, cada vez mais navios estrangeiros apareciam na costa do Japão. Eles procuravam negociar a abertura dos portos e vinham principalmente dos Estados Unidos.
Enquanto isso, o movimento da Restauração Imperial continuava se expandindo. Porém, o ideal de que o Japão não deve se relacionar com os estrangeiros era mantido pelos líderes do movimento. Um outro grupo apoiava a abertura dos portos, mas também apoiava a volta do governo imperial. O líder desse grupo era Yoshida Shōin, um grande influenciador ideológico entre os revolucionários.
Em 1840, com Guerra do Ópio, entre a Inglaterra e a China, a nação asiática se viu forçada a abrir seus portos para o comércio. Nesse período, os ingleses voltaram seus olhos para o Japão, mas não fizeram nada por causa da guerra. Os Estados Unidos, uma potência emergente, também se interessaram pelos mercados do Pacífico e, em 1851, o comodoro norte-americano Matthew Calbraith Perry foi ao Japão para levar uma proposta ao governo japonês. Temendo futuros problemas com os norte-americanos, o governo se viu obrigado a aceitar o acordo e, em 1854, o Japão abria seus portos para o comércio com o mundo.
O responsável pelas conversas com os norte-americanos era Ii Naosuke. Com os portos abertos, o Japão poderia participar do comércio internacional, mas, devido aos séculos de sakoku, a produção interna era escassa e as importações superavam as exportações. Para combater isso, Ii ordenou um desvio de ouro e prata da nação para ajudar o comércio. Isso causou uma grave crise interna. Ii passou a ser odiado pela elite feudal e, em 1860, ele foi assassinado por um grupo de samurais, vassalos de alguns senhores feudais. Este fato aumentou o descontentamento da população para com o governo da família Tokugawa.
A população, que até antes nunca havia pensado em derrubar a família Tokugawa, já estava pobre e a morte de Ii Naosuke foi o estopim para uma rebelião. Os movimentos da restauração imperial se tornaram fortes na região de Yamaguchi e o governo se viu obrigado a enviar tropas para acalmar a situação. Paralelamente, em Kagoshima, um grupo de ingleses foi atacado e, em Yamaguchi, um navio estrangeiro também foi atacado. Esses incidentes fizeram com que, em 1863, o Reino Unido bombardeassem Kagoshima e, no mesmo ano, outras potências invadiram Yamaguchi.
Até então, a prioridade da população era expulsar os estrangeiros do arquipélago, mas devido aos ataques, o fraco poderio bélico japonês ficou evidente, e o foco da população se tornou a restauração política.
A partir do último quartel do século XVIII, observou-se um renascimento do xintoísmo, acompanhado por um crescente interesse nos estudos holandeses (rangaku). Tanto o renascimento do xintoísmo quanto o interesse pelos estudos holandeses indicavam um distanciamento da centralidade da China no pensamento intelectual japonês. Mesmo promovendo novas abordagens, os participantes desses círculos intelectuais não buscaram romper com a estrutura política estabelecida.