Ribeirão Preto (pronúncia em português: [ʁibejˈɾɐ̃w ˈpɾetu]) é um município brasileiro sede da Região Metropolitana de Ribeirão Preto (RMRP), no interior do estado de São Paulo, Região Sudeste do país. Localiza-se no nordeste paulista, distando cerca de 310 quilômetros da capital paulista. Ocupa uma área de 650,916 km², sendo sua área urbanizada, de 149,42 km², a 4.ª maior do estado e a 18.ª maior do país.
A cidade foi fundada em 1856, período em que a região recebia muitos mineiros que saíam de suas terras já esgotadas para a mineração e procuravam pastagens para a criação de gado. No começo do século XX, a cidade passou a atrair imigrantes, que foram trabalhar na agricultura ou nas indústrias abertas na década de 1910. O café, que foi por algum tempo uma das principais fontes de renda, desvaloriza-se a partir de 1929, perdendo espaço para outras culturas e principalmente para o setor industrial. Na segunda metade do século XX foram incrementados investimentos nas áreas de saúde, biotecnologia, bioenergia e tecnologia da informação, sendo declarada em 2010 como "polo tecnológico". Essas atividades atualmente fazem com que Ribeirão Preto tenha o 26º maior PIB brasileiro. Várias rodovias ligam Ribeirão Preto a diversas cidades paulistas, tais como a Rodovia Anhanguera e a Rodovia Cândido Portinari, havendo ainda disponibilidade de ferrovias e um aeroporto, denominado Doutor Leite Lopes.
Além da importância econômica, o município é relevante centro de saúde, educação, pesquisas, turismo de negócios e cultura do Brasil. O Parque Prefeito Luiz Roberto Jábali, o Parque Maurílio Biagi e o Bosque-Zoológico municipal, configuram-se como importantes áreas de preservação ambiental, de recreação e passeios, enquanto a Choperia Pinguim, o Theatro Pedro II e o Museu do Café, são relevantes pontos de atividades culturais e de visitação por turistas. A cidade possui o relevante festival de música, João Rock e dois grandes eventos (feiras), a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto e a tradicional e famosa Agrishow, que movimentou em 2025, mais de 14,6 bilhões de reais, atraindo público (nacional e internacional) de 197 mil visitantes. Em 2019, o Governo do Estado de São Paulo, criou doze polos de desenvolvimento econômico com pacotes de benefícios setoriais para a indústria. Ribeirão Preto está em quatro deles: no de Agritech, Aeroespacial e Serviços Tecnológicos, no de Metal-metalúrgico, Máquinas e Equipamentos, no de Saúde e Farma e no da indústria de Papel, Celulose e Reflorestamento.
Anterior à atual denominação do município, a cidade teve os nomes de Barra do Retiro, Capela de São Sebastião do Ribeirão Preto, Vila de São Sebastião do Ribeirão Preto, Vila de Entre Rios e Vila de Ribeirão Preto. O nome "Ribeirão Preto" deve-se ao ribeirão que atravessa a cidade, que é chamado de "Preto". Quando o distrito pertencente a São Simão foi criado, pela lei provincial nº 51, de 2 de abril de 1870, ele denominava-se Ribeirão Preto. Pela lei provincial nº 34, de 7 de abril de 1879, a vila de Ribeirão Preto tomou o nome de Entre Rios e pela lei provincial nº 99, de 30 de junho de 1881, voltou a denominar-se Ribeirão Preto.
Os indícios mais antigos da presença humana na região próxima de Ribeirão Preto foram obtidos no sítio Corredeira, localizado no município de Serra Azul. Com datações de cerca de 3.400 anos atrás, esse antigo acampamento conta com diversos fragmentos de ferramentas de pedra lascada, assim como vestígios de fogueiras. Os primeiros habitantes da bacia do rio Pardo eram caçadores-coletores, ocupando desde as margens dos córregos e rios locais até os topos dos morros e colinas. Embora não dominassem a agricultura e a produção de vasilhames cerâmicos, esses primeiros grupos ameríndios produziam uma grande diversidade de ferramentas a partir de rochas como arenito, sílex e quartzo, assim como madeira e ossos de animais.
Embora não constem informações sobre datações obtidas nesses locais, já foram identificados cinco sítios arqueológicos com instrumentos líticos em Ribeirão Preto. Nos sítios São José do Fernão e Córrego do Bonfim, as ferramentas foram associadas à Tradição Humaitá. Nas proximidades do local onde o Ribeirão Preto deságua no Rio Pardo também foram encontrados outros dois antigos acampamentos com grande quantidade de raspadores, machados, percutores e diversos fragmentos de instrumentos líticos, sendo registrados como sítio Macaúba e sítio Sapucaia. Já o sítio Bonfim Paulista I foi encontrado em uma área mais elevada e afastada dos principais rios, o que comprova a dispersão desses primeiros grupos indígenas por vários contextos ambientais.
A introdução da agricultura na região só se deu nos primeiros séculos da Era Comum, após a chegada de grupos indígenas hoje associados às Tradições ceramistas Tupiguarani e Aratu. Ancestrais dos povos falantes de idiomas tupi-guarani e Macro-Jê, esses grupos se organizavam em aldeias maiores, cultivando espécies como milho, mandioca, amendoim, batata-doce, entre outros. Também viviam da caça, da pesca, da coleta de mel e frutas nativas como a jabuticaba, o araçá e o maracujá. No sítio arqueológico RPMA01a, localizado a cerca de 200 metros do rio Pardo, foram encontradas ferramentas de pedra feitas em basalto e outros indícios de um antigo acampamento de grupos ceramistas Tupiguarani.
Nos séculos imediatamente anteriores ao início da colonização portuguesa, a região do vale do rio Pardo já era habitada por grupos caiapós. Apesar das poucas informações disponíveis sobre seus costumes e cultura nesse período, sabe-se que os caiapós eram falantes de um idioma da família linguística Jê, que construíam aldeias circulares, praticavam uma agricultura de corte-e-queima (também conhecida como coivara) e ocupavam um território bastante vasto, indo do atual nordeste paulista e Triângulo Mineiro até partes do Mato Grosso e Goiás.
Os relatos documentais mais antigos sobre os caiapós datam dos séculos XVII e XVIII, muitos dos quais produzidos por bandeirantes que atravessavam a região em busca de ouro e indígenas para trabalhar nas plantações das vilas do planalto e litoral paulista. Nessa época eram conhecidos como “índios bilreiros” uma alusão ao porrete utilizado tanto para combates corpo-a-corpo quanto para ser atirado à distância. Ainda assim, muitos pesquisadores afirmam que a relação entre portugueses e caiapós foi relativamente pacífica até as primeiras décadas do século XVIII, com os últimos inclusive ajudando no combate, captura e escravização de grupos indígenas rivais. Com a descoberta das minas de ouro nos estados de Goiás e Mato Grosso bem como o estabelecimento do Caminho dos Goiases, as interações entre portugueses e caiapós tornaram-se cada vez mais violentas. Apesar da resistência indígena, os conflitos frequentes e as doenças trazidas pelos colonizadores (como a varíola e a gripe) acabaram por extinguir o ramo meridional dos caiapós até fins do século XVIII, sendo que os grupos remanescentes acabaram por migrar para outras regiões do Brasil Central.
Por outro lado, as terras que hoje formam o município de Ribeirão Preto não atraíram a atenção de colonizadores paulistas, mineiros e portugueses durante praticamente todo o período colonial. Apesar de parecer próxima para os dias atuais, era relativamente grande a distância para o Caminho dos Goiases e os povoados que existiam ao longo desse trecho, fazendo com que o território entre os rios Pardo e Mojiguaçu praticamente não contasse com ranchos ou fazendas. Diversos mapas produzidos ao longo do século XVIIII demonstram essa ausência de povoamento colonial. Esse cenário só iria se modificar de forma definitiva no século XIX, já após a independência brasileira.
A partir das primeiras décadas do século XIX, toda a região nordeste de São Paulo recebia muitos mineiros, chamados nas documentações de época de “entrantes”, que saíam de suas terras já esgotadas para a mineração e procuravam pastagens para a criação de gado. Pouco a pouco, os entrantes foram se tornando mais numerosos e se espalhando pelo chamado “sertão paulista”, ocasionando a formação de diversos povoados e rotas de ligação entre essa região e o restante da Província de São Paulo. No caso específico de Ribeirão Preto, várias fazendas se formaram a partir dessa migração contínua, posteriormente dando origem a um povoado que originou o município.