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Ricardo Boechat

Jornalista brasileiro (1952–2019)

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Ricardo Eugênio Boechat (Buenos Aires, 13 de julho de 1952 – São Paulo, 11 de fevereiro de 2019) foi um jornalista, âncora e locutor de rádio brasileiro. Já esteve presente nos principais jornais do país, como O Globo, O Dia, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Seu último trabalho na comunicação foi no Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde estava desde 2004, quando começou como âncora do noticiário matinal BandNews FM em 2005 — inicialmente no bloco local da filial carioca, passando no ano seguinte para a apresentação da faixa matinal da rede, quando também passou a ancorar o Jornal da Band na Rede Bandeirantes. Também assinava uma coluna semanal na revista IstoÉ.

Venceu por três vezes o prêmio Esso, além de ter recebido por várias vezes o Prêmio Comunique-se, tendo sido o maior vencedor da história do prêmio, e o único a vencer em três categorias diferentes: âncora de rádio, colunista de notícia e âncora de TV. Em 2014 e 2015, foi eleito o jornalista mais admirado do Brasil em pesquisa do portal Jornalistas & Cia, dividindo o posto com a jornalista Miriam Leitão.

Filho de um diplomata brasileiro de ascendência colonial suíça e da argentina Mercedes Carrascal, nasceu na capital argentina enquanto o pai estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores. Passou parte da infância viajando devido à carreira diplomática do pai, residindo em diversos países antes de se fixar no Brasil. Boechat era pai de seis filhos, três com Claudia Boechat, uma com a produtora cultural Ana Reis e dois do casamento com a jornalista Veruska Seibel.

Iniciou sua carreira na década de 1970 como repórter do extinto jornal Diário de Notícias, começando a trabalhar assim que deixou a escola, na virada de 1969 para 1970. Com apenas 17 anos, começou como office-boy na redação, mas rapidamente demonstrou talento para o jornalismo e foi promovido a repórter. Também nessa época, iniciou sua carreira como colunista, colaborando com a equipe de Ibrahim Sued, um dos colunistas sociais mais influentes do Rio de Janeiro na época.

Durante a década de 1970, Boechat consolidou-se como repórter investigativo, cobrindo diversos acontecimentos políticos importantes do período da ditadura militar no Brasil. Nos anos 1980, trabalhou na sucursal carioca do jornal O Estado de S. Paulo, onde aprofundou sua experiência em jornalismo político. Em 1983, foi contratado pelo jornal O Globo, onde criou a coluna Swann, que posteriormente passou a se chamar Boechat. A coluna tornou-se uma das mais lidas do jornal, conhecida por revelar bastidores da política brasileira e denúncias de corrupção.

Em 1987, ocupou por seis meses a Secretaria de Comunicação Social no governo Moreira Franco (1987-1991) no estado do Rio de Janeiro. A experiência no cargo público, embora breve, lhe proporcionou uma visão privilegiada dos mecanismos de poder e da relação entre governo e imprensa. Após o período, voltou para O Globo, onde permaneceu até 2001, consolidando-se como um dos jornalistas mais influentes do país.

Na década de 1990, Boechat expandiu sua atuação para a televisão, passando a ter uma coluna diária no Bom Dia Brasil, principal telejornal matinal da TV Globo. Também trabalhou no Jornal da Globo, telejornal noturno da emissora. Paralelamente, foi colunista no SBT e manteve sua coluna no jornal O Dia. Além da atuação na imprensa, foi professor de jornalismo na Faculdade da Cidade no Rio de Janeiro, onde lecionou disciplinas relacionadas ao jornalismo investigativo e ética jornalística.

Também foi colunista do Jornal do Brasil, onde chegou a ocupar o cargo de diretor de redação durante aproximadamente um ano, período em que implementou mudanças editoriais significativas no jornal. Durante sua carreira em O Globo, Boechat ganhou notoriedade nacional por suas investigações jornalísticas que resultaram em diversos prêmios, incluindo três Prêmios Esso, considerado o mais prestigioso do jornalismo brasileiro.

Em 2001, após seu desligamento da TV Globo em meio ao escândalo envolvendo grampos telefônicos no setor de telefonia, Boechat ficou afastado temporariamente do jornalismo televisivo. Em 2004, foi contratado pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, marcando o início de uma nova fase em sua carreira. Estreou como comentarista do Jornal da Noite e logo depois foi nomeado diretor de jornalismo do Grupo Bandeirantes no Rio de Janeiro, posição que lhe dava autonomia editorial e influência sobre a linha jornalística da emissora na capital fluminense.

O grande salto de Boechat na Band ocorreu em 2005, quando ganhou reconhecimento nacional através da rádio BandNews FM. Passou a ancorar o jornalístico matinal da filial do Rio de Janeiro, programa que ia ao ar das 6h às 10h da manhã. Seu estilo direto, opinativo e sem papas na língua rapidamente conquistou os ouvintes, transformando a BandNews FM em uma referência no radiojornalismo brasileiro.

No ano seguinte, em 2006, devido ao sucesso no rádio, Boechat mudou-se para São Paulo para assumir a âncora do principal jornalístico das manhãs da rede nacional da BandNews FM, substituindo Carlos Nascimento que havia deixado a emissora. A mudança marcou uma expansão nacional de sua influência no rádio. Consequentemente, foi também alçado à posição de âncora titular do Jornal da Band, o principal telejornal da Rede Bandeirantes, ao lado de Paloma Tocci. Apresentou o telejornal por 13 anos ininterruptos, até sua morte em 2019, tornando-se o rosto mais reconhecido do jornalismo da emissora.

Boechat logo se tornou uma das principais figuras da rádio e da TV brasileiras, conhecido por seu estilo direto, crítico e por vezes ácido ao comentar os fatos políticos e sociais do país. Não poupava críticas a políticos de todos os espectros ideológicos, o que lhe rendeu tanto admiradores quanto detratores. Seu programa na BandNews FM tornou-se um dos mais ouvidos do país, com milhões de ouvintes acompanhando diariamente suas análises sobre os principais acontecimentos nacionais e internacionais.

Mesmo com a mudança para São Paulo, o jornalista continuou apresentando o jornalístico local do Rio de Janeiro diretamente dos estúdios na capital paulista, demonstrando seu comprometimento com a audiência carioca que o acompanhava desde o início de sua trajetória na Band. Durante seus anos na Band, Boechat também manteve atividades paralelas, como palestras, participações em eventos corporativos e sua coluna semanal na revista IstoÉ, onde assinava artigos de opinião sobre temas políticos e sociais.

Sua rotina era intensa: acordava por volta das 4h da manhã para apresentar o programa de rádio das 6h às 10h, participava de reuniões de pauta, gravava comentários para o Jornal da Band que ia ao ar à noite, e ainda encontrava tempo para escrever sua coluna semanal. Essa dedicação ao jornalismo e sua capacidade de trabalho eram frequentemente citadas por colegas e pela direção da Band como características marcantes de sua personalidade profissional.

Em 2003, Boechat lançou o livro Copacabana Palace: Um Hotel e Sua História, pela editora DBA, com fotografias de Sérgio Pagano. A obra resgata a trajetória do icônico hotel carioca desde sua inauguração em 1923, revelando histórias dos bastidores e personagens que frequentaram o estabelecimento ao longo das décadas. O livro mistura jornalismo investigativo com relatos históricos, apresentando episódios envolvendo personalidades como Carmen Miranda, Orson Welles, Marlene Dietrich, presidentes brasileiros e figuras da alta sociedade que fizeram do Copacabana Palace um símbolo da elegância carioca.

Com cerca de 200 páginas ricamente ilustradas, a obra foi bem recebida pela crítica especializada e pelo público, sendo considerada uma referência sobre a história social do Rio de Janeiro no século XX vista através das lentes de um de seus endereços mais emblemáticos. O livro foi relançado em edição comemorativa dos 85 anos do hotel em 2008, com textos atualizados e novas fotografias, consolidando-se como um dos principais registros históricos sobre o estabelecimento.

Escândalo no setor de telefonia

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